Bem sei que todo o caso Cavaco-Sócrates-escutas é complexo e merecedor de várias análises. Mas quando tento compreender o fundo da questão, só consigo pensar em duas explicações válidas para o sucedido.
1. Há coisa de ano e meio, Cavaco Silva decidiu entrar claramente no jogo político, inventou a história das escutas (talvez motivado pela episódio do putativo "espião do PS" na Madeira) e deu ordens a Fernando Lima para levar o pseudo-caso para os jornais, na esperança de que a sua amiga de longa data Ferreira Leite chegasse ao poder. Deu-se mal porque o episódio veio a público, envolvendo o seu nome. E desde aí, Cavaco mais parece aquela pessoa que tenta corrigir um erro cometendo pelo menos mais três no caminho. Se assim for, o buraco é enorme e não parará de crescer, como assinalou o Paulo Gorjão.
2. Cavaco acha que está de facto a ser vigiado pelo governo, ou que Sócrates utilizou meios ilícitos para o controlar, só que não tem provas disso. Neste quadro, quereria demitir o governo, mas não tinha condições políticas para o fazer, uma vez que não poderia provar as acusações e não dispunha de outros motivos institucionais para tomar esta acção. Não quer Sócrates como Primeiro-Ministro, porque acha que ele está a cometer (ou cometeu) uma ilegalidade particularmente grave e antidemocrática, mas não sabe – nem pode, na ausência de provas – explicar ao país porque tomaria uma decisão tão drástica como recusar empossá-lo como chefe do governo.
Haverá certamente mais análises possíveis, mas – a menos que estejamos perante uma brincadeira de crianças – acabarão em última instância por ir dar a uma das duas hipóteses referidas. Qual delas é verdadeira? Confesso sinceramente que não sei.

Por mim não me parece que a primeira seja plausível (MFL foi eleita em 31 de Maio – http://ultimahora.publico.clix.pt/notici a.aspx?id=1330767 – e a história é de meados de Abril de 2008…), nem Cavaco tinha ficado doido nessa altura…
A segunda também não é crível: se Cavaco suspeitava, chamaria segurança mais cedo (só hoje?), e ficaria calado à espera de arranjar provas, caso contrário sabia que nunca poderia demitir Sócrates… Ou seja: sem provas ficaria calado…
Mas, de facto, é crível que tenha suspeitas, mas isso não justifica o q ontem fez ao país… e a si próprio…
Eu continuo perplexo, como aliás já estava: http://www.osocratico.blogspot.com.
E há um FACTO importante: todos os anos o Palácio de Belém é limpo de fio a pavio pelo SIS e pelo SIERM. Mais: se um Presidente solicitar, um simples telefonema basta para que toda uma equipa do SIS especialista em vigilância se desloque de imediato ao Palácio! A média de “limpezas” anuais é de 3 a 4… Creio que todos os Presidentes desde Eanes…
Algo muito muito estranho envolve esta história. Infelizmente para o país, que nada ganha com isto!
Obviamente que para quem já conhece Cavaco a hipótese 2 é a mais provável.
Por muito menos e baseado em pressupostos mais frágeis Sampaio demitiu Santana.
Ser conivente com um primeiro cheio de sombras lunares é no mínimo conspurcar a imagem de carácter que Cavaco sempre cultivou e tentou manter para si ao longo da vida.
Mesmo que Cavaco ache que está a ser vigiado, e ele sempre achou que estava a ser vigiado, o homem sempre foi paranóico , toda a gente sabe as paranóias com a segurança que ele tinha nos tempos de S. Bento, mesmo que ele tenha essa convicção, nada o autoriza enquanto PR a a comportar-se de forma irresponsável e perigosa para o país. é um homem pequenino , mesquinho, sem gabarito, sem estaleca para a luta politica, convivendo mal com o jogo democrático. Como o José diz e muito bem no seu ponto 1, Cavaco resolveu entrar no jogo política através de MFL . A partir desse momento óbvio que ficou refém de um passo que nunca deveria ter dado, porque não tem estaleca pessoal nem política para jogar com êxito um jogo tão perigoso a partir da presidência da republica. O homem é uma desgraça tão grande que não há uma única voz que esteja inequivocamente a seu lado. Pode limpar as mãos à parede pelo lindo serviço que acaba de prestar ao país.
Por mais que leia post’s e comentários,chego sempre à mesma conclusão:Portugal está transformado num manicómio global.
Começo a dar-lhe razão
“Às vezes sinto-me farto
por tudo isto ser sempre assim
…”
Ruy Belo, um dia não muito longe não muito perto {outono, [homem de palavra(s)], todos os poemas, Assírio e Alvim, 223}
(Sem nunca ter percebido como tanta gente o louvava e o elegeu, este PR, ainda assim, me surpreende negativamente. E este tempo quente, fora de época, parece que ainda acentua o perigo da mediocridade)