O ódio move montanhas


Pedro Correia,

   

 

O ódio é uma poderosa força motriz que jamais deve ser subestimada. Muito menos na vida política. O ódio faz congregar esforços, mobilizar vontades, mover montanhas. Sem ódio quase toda a actividade política estaria condenada ao fracasso. Sem ódio talvez até nem houvesse política. É certo que existiram Gandhi e Luther King. Mas esses, como é sabido, acabaram mal.

 

Imagem: Robert Mitchum no filme A Sombra do Caçador (The Night of the Hunter, 1955)

20 comentários em “O ódio move montanhas”

  1. Excelente post, Pedro. Curto mas conciso, objectivo e directo ao assunto. Infelizmente, o ódio move montanhas. Veremos é que montanhas serão movidas nos próximos dias…
    Abraço.

  2. Certeiro. E ao mesmo tempo, como já foi referido, algo “assustador”. Ontem, depois de ouvir a comunicação do Senhor Presidente fiquei presa em duas palavras, repetidas com que iniciou duas frases .. “forçado”. Deu-me que pensar ..

  3. Gandhi não acabou mal. Morreu assassinado com mais de 80 anos de idade e depois de ter enfrentado vitoriosamente muitos inimigos políticos perigosos. Tomara muita gente morrer com essa proveta idade.

    Luther King acabou mal, é certo, mas não pior do que Malcolm X, o outro grande líder negro, que era bem mais motivado por ódio do que King.

  4. Acho que percebo o espírito do post. Porém, antes de chegar ao ódio de que fala o Pedro, diria o seguinte: a disputa política tem, e bem, uma forte componente agonística. Esta condição remete para a necessidade de táctica, estratégia e outros elementos associados à necessidade de ganhar ao opositor. Assim se enquadra a forte componente lúdica da política, em que a ordem e a tensão inerentes à actividade política conduzem às suas próprias regras e remetem, a partir daqui, para um conteúdo ético incontornável.
    O problema não estará pois na componente agonística da disputa política, cheia de representações, cálculo, “exibições/ simulações””, destrezas que facilitam levar a água ao moinho… Enquadrada num forte conteúdo ético imanente à sua natureza, é uma disputa institucionalizada e integrada na vida social. O problema está na corrupção desta componente, manifestada em violência (ataques pessoais de toda a natureza que chegam à violência física), manha (intrigas, invenção de factos, deturpação deliberada das acções do opositor, modos de fazer que não se inscrevem nas regras próprias deste “jogo”), desejo de poder a qualquer preço, mesmo que não se conquiste de acordo com as regras estabelecidas. Se, no limite, a corrupção da componente agonística, descamba para o ódio de que o Pedro fala, perde-se por completo o sentido institucional desse combate, que se torna num campo aberto de luta das paixões e dos ódios pessoais. Deixar que o ódio fale é a subversão absoluta dos ganhos desta civilização e da nossa cultura. É uma contribuição decisiva para a agonia “disto” tudo…

    1. Minha cara Maria do Sol, excelente comentário o seu. Fica já aqui o meu voto, à consideração do Pedro Correia, para o comentário da semana.

  5. estou lendo esse post em 2020

    obs : em uma crise de raiva
    essa frase veio a minha cabeça
    o ódio move montanhas
    sem nunca ter lido nada do seu blog antes
    vim pesquisar e acabei esbarrando aqui RS
    esse texto me atingiu d+

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