O ódio é uma poderosa força motriz que jamais deve ser subestimada. Muito menos na vida política. O ódio faz congregar esforços, mobilizar vontades, mover montanhas. Sem ódio quase toda a actividade política estaria condenada ao fracasso. Sem ódio talvez até nem houvesse política. É certo que existiram Gandhi e Luther King. Mas esses, como é sabido, acabaram mal.
Imagem: Robert Mitchum no filme A Sombra do Caçador (The Night of the Hunter, 1955)


Excelente post, Pedro. Curto mas conciso, objectivo e directo ao assunto. Infelizmente, o ódio move montanhas. Veremos é que montanhas serão movidas nos próximos dias…
Abraço.
Veremos, Ricardo. Nos próximos dias, nas próximas semanas, nos próximos meses.
Abraço
Mandela está vivo Pedro. Mas tem razão no que diz. Não consigo imaginar o que vai ser o futuro deste desgraçado país.
Mandela está vivo, Ariel. Felizmente. É a excepção que confirma a regra.
Mandela sim, Ariel. O meu herói.
:))
Meu também. Ao contrário do que alguns dizem, ainda há heróis.
Até me arrepiei ao ler este post, Pedro! Transposta essa tua observação para a situação actual do país, o futuro pode ser muito negro!
Isto é um princípio geral, que vale para as mais diversas circunstâncias, Carlos. E, sim, vale também para esta.
Certeiro. E ao mesmo tempo, como já foi referido, algo “assustador”. Ontem, depois de ouvir a comunicação do Senhor Presidente fiquei presa em duas palavras, repetidas com que iniciou duas frases .. “forçado”. Deu-me que pensar ..
Está a dar muito que pensar, Catarina. Não necessariamente pelos melhores motivos.
Gandhi não acabou mal. Morreu assassinado com mais de 80 anos de idade e depois de ter enfrentado vitoriosamente muitos inimigos políticos perigosos. Tomara muita gente morrer com essa proveta idade.
Luther King acabou mal, é certo, mas não pior do que Malcolm X, o outro grande líder negro, que era bem mais motivado por ódio do que King.
Gandhi foi assassinado aos 78 anos por um fanático hindu: o ódio não funciona só em campos políticos opostos.
Acho que percebo o espírito do post. Porém, antes de chegar ao ódio de que fala o Pedro, diria o seguinte: a disputa política tem, e bem, uma forte componente agonística. Esta condição remete para a necessidade de táctica, estratégia e outros elementos associados à necessidade de ganhar ao opositor. Assim se enquadra a forte componente lúdica da política, em que a ordem e a tensão inerentes à actividade política conduzem às suas próprias regras e remetem, a partir daqui, para um conteúdo ético incontornável.
O problema não estará pois na componente agonística da disputa política, cheia de representações, cálculo, “exibições/ simulações””, destrezas que facilitam levar a água ao moinho… Enquadrada num forte conteúdo ético imanente à sua natureza, é uma disputa institucionalizada e integrada na vida social. O problema está na corrupção desta componente, manifestada em violência (ataques pessoais de toda a natureza que chegam à violência física), manha (intrigas, invenção de factos, deturpação deliberada das acções do opositor, modos de fazer que não se inscrevem nas regras próprias deste “jogo”), desejo de poder a qualquer preço, mesmo que não se conquiste de acordo com as regras estabelecidas. Se, no limite, a corrupção da componente agonística, descamba para o ódio de que o Pedro fala, perde-se por completo o sentido institucional desse combate, que se torna num campo aberto de luta das paixões e dos ódios pessoais. Deixar que o ódio fale é a subversão absoluta dos ganhos desta civilização e da nossa cultura. É uma contribuição decisiva para a agonia “disto” tudo…
Era precisamente aí que eu pretendia chegar, Maria do Sol. Felicito-a pela excelente – e certeira – reflexão que aqui nos deixa.
Obrigada Pedro. Muito.
:)))
Minha cara Maria do Sol, excelente comentário o seu. Fica já aqui o meu voto, à consideração do Pedro Correia, para o comentário da semana.
Não serei eu a escolhê-lo esta semana, mas assino por baixo, Ariel.
Pedro, não faço ideia se o ódio move montanhas. Agora de uma coisa tenho a certeza: o Robert Mitchum levava-me ao Everest!
O Mitchum deste filme espero que não, Ana Cristina.
estou lendo esse post em 2020
obs : em uma crise de raiva
essa frase veio a minha cabeça
o ódio move montanhas
sem nunca ter lido nada do seu blog antes
vim pesquisar e acabei esbarrando aqui RS
esse texto me atingiu d+