A mim, que ando diariamente de transportes públicos e que, a partir de Janeiro do próximo ano, não poderei sequer levar as minhas filhas ao médico de carro porque, de acordo com as novas regras de circulação na Zona de Emissões Reduzidas em Lisboa, ele é velho de mais para circular no percurso entre a minha casa e o consultório, há determinadas notícias que me conseguem surpreender. E não é inveja que sinto (pronto, talvez um bocadinho). É mesmo incredulidade.
E cito: “o crescimento do mercado é liderado essencialmente pelos países que passaram por uma situação de resgate financeiro”. É como se os portugueses, numa tentativa, frustrada, na minha opinião, de fazerem humor, mostrassem aos seus financiadores externos que estão numa fase de franca recuperação. Mas não é isso mesmo que esses países, produtores dos bens que nós insistimos em comprar, querem que aconteça?
Muitas coisas estão em jogo, sabemos, nomeadamente o facto das empresas portuguesas que vendem para a indústria automóvel também beneficiarem com esta situação. Numa economia global é claro que, num mesmo território, há sempre quem ganhe e quem perca com os comportamentos económicos dos consumidores.
Mas, perante esta liderança nas vendas de um bem como o automóvel e a situação da maioria das famílias portuguesas, não posso deixar de pensar que é a um espelho que o Zé Povinho faz o seu gesto. No fundo é a chamada re…
Imagem copiada da net


“Julga-se que a necessidade cria a coisa; mas é a coisa na maior parte das vezes, que cria a necessidade.”
Friedrch Nietzsche
Na maior parte das vezes é difícil perceber qual surgiu primeiro…
Bem, no caso de Portugal convém descontar os inúmeros veículos topo de gama que cá são matriculados e depois re-exportados para países amigos lusofalantes.
Sim, é verdade, mas isso também diz muito sobre nós (nesse caso em relação com os outros).
Estamos a falar de estatísticas – e com elas, pode-se mentir como tudo!
Ora bem, a “coisa” passa por ser assim: nos países intervencionados, salvo a venda de carros de topo de gama, o mercado de automóveis tem estado em forte contracção nestes últimos anos. Como tal, qualquer aumento de vendas tem logo um impacto muito grande em valores percentuais.
Uma conta muito mais interessante de se fazer seria a evolução do mercado automóvel desde 2008. Ou utilizar médias móveis de 3 ou 5 anos. Eu sei, as coisas técnicas são chatas. Mas não podem ser todos doutores…
É verdade que ser doutor ajuda. Mas, mesmo não sendo, sempre se pode fazer uns exercícios. Por exemplo aqui: http://www.acea.be/statistics/tag/categ ory/individual-country-tool
Do it yourself…
A ferramenta que indicou só tem dados disponíveis até 2012. Eu até gostava de fazer as contas como me sugeriu, mas a Ana não me deu matéria no seu comentário.
Forneço eu um link onde poderá comparar as vendas de veículos, as quais estão actualmente abaixo das dos anos de 2010 e 2011, sendo superior aos dos anos 2012 e 2013: http://www.autoinforma.pt/index.php?MIT=0&template_id=1339&xpto=1&a%5B%5D=&a%5B%5D=0,,,, (Na rubrica Totais Mensais – 2000 a 2014 – tem um ficheiro Excel onde pode comparar os dados).
Obrigada, Diogo!
Era inevitavel que a importacao de automoveis voltasse a aumentar. Porque, com o nivel baixissimo a que estava, das duas uma. Ou o parque automovel portugues era reduzido para metade, ou a vida media dos automoveis em Portugal aumentava para os trinta anos. A segunda opcao e tecnicamente inviavel e a primeira opcao e socialmente muito dificil, pelo que, mais tarde ou mais cedo, teria que se voltar a importar automoveis.
Claro! Mas essa argumentação é válida para quase todos os bens de consumo. E a possibilidade de explorar a primeira opção (mesmo que não de forma tão radical), para mim, é muito interessante.