“A escandalosa promiscuidade entre o Estado, que os partidos ocupam, e o mundo da finança e dos negócios privados, abundantemente comprovada; a corrupção a cada dia descoberta; as fraudes e trafulhices cometidas por altos funcionários do Estado, dão dos partidos, de que muitos agentes ocupam a Administração Pública, a imagem de um mundo devasso onde se albergam e chegam longe os que apenas pensam em enriquecer, em perfeito alheamento da causa pública. Os homens não se tornaram mais corruptos, porque a resistência ao dinheiro requer uma certa heroicidade e a natureza humana não muda.”
Um excelente e actualíssimo texto de Maria de Fátima Bonifácio, no Observador. Para ler e reflectir.

Essa perigosa direitista está muito enganada.
Quando o dr. Ricardo Salgado abrir a boca é que se vai ver tudo clarinho.
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?art icle=766705&tm=6&layout=122&visual=61
Esta revolta soma-se ao desejo frustrado de um Estado de Bem-Estar. É também por aqui que irrompem os “Podemos” grandes e pequeninos que deslegitimam os partidos e, por arrastamento, a própria Democracia. Como a História mostra, os regimes também acabam pelo descrédito e ruína dos partidos. E ainda pelo eclipse de valores tão elementares como a honestidade, a honra e a decência (demonstrados no caso excepcional de Miguel Macedo). O niilismo que alastrou depois da carnificina da Iª. Guerra Mundial abriu caminho aos fascismos de vária ordem que imperaram numa Europa outrora liberal e democrática, mas cujos valores foram cilindrados pela bestialidade de um conflito visto como uma atrocidade irracional. Não é precisa tão grande tragédia para gerar a descrença. Sobram razões para Portugal se sentir desmoralizado. E depois dos partidos, o que virá?
E devemos mesmo raciocinar: ou acreditamos que temos heróis aos montes que vão salvar a democracia(onde será que eu ouvi uma anedota parecida..há foi na esquerda caviar-os ricos que paguem a crise), ou esta miragem de eleger os nossos representantes para gerir a cousa publica(mesmo que apenas bons políticos) tem dado repetidamente muita asneira, como sabemos porque temos pago as asneiras.
Ou separamos a gestão profissional da carreira política, que afastada das benesses e prebendas serão os fieis representantes dos eleitores ou fazemos como os que quando têm problemas vão a Fátima rezar: acreditar em milagres!
Estranho, este argumento: “A escandalosa promiscuidade entre o Estado… (e) negócios privados.”
Mas é isso o Estado. O Estado existe para servir privados. Para beneficiar uns cidadãos tirando a outros cidadãos.