À hora a que escrevo, já todos conhecemos com clareza as posições que os partidos parlamentares tomarão esta tarde na votação da resolução sobre o PEC. Todos menos um. O do costume.
O PS, naturalmente, vota a favor. CDS, PCP e Bloco de Esquerda anunciaram oportunamente que votarão contra. A incógnita, uma vez mais, parte do PSD: o grupo parlamentar social-democrata permanece reunido, sem linha definida, como se não soubesse bem se há-de assumir-se enfim como um verdadeiro partido da oposição ou continuar a ser a muleta do Governo. Uma imagem perfeita do desnorte desta direcção cessante, encabeçada por Manuela Ferreira Leite, que atende mais aos anseios de Belém do que aos interesses do partido. Daí o inaceitável tornar-se inevitável.
Muitos deputados estão naturalmente divididos entre a obediência àquela que será apenas durante mais umas horas a “líder” social-democrata e a sintonia com o futuro líder, a eleger amanhã. Passos Coelho e Paulo Rangel – ao menos eles – já deixaram claro que se opõem ao PEC e que o partido deve ser consequente com esta conclusão, votando contra. Só Aguiar-Branco, na linha de Ferreira Leite, defende a abstenção.
Se a tese que prevalecer for esta última, que permitirá viabilizar um documento que viola o programa do Governo, merece críticas de destacados socialistas e o próprio partido laranja considera lesivo dos interesses nacionais, estaremos perante uma fraude política que descredibilizará ainda mais o PSD. Hoje, com a “líder” cessante, a abstenção; amanhã, com um novo líder, um voto contra que já não chega a tempo.
Ninguém no País entenderá uma posição destas. Salvo talvez o Presidente da República, que quer evitar a todo o custo uma crise política que perturbe a doce sonolência do Palácio de Belém.
ADENDA às 15.45 – A fraude política consumou-se. Manuela Ferreira Leite demonstra o que vale até ao último dia do seu mandato à frente do PSD.
Ler também:
– Da credibilidade. Do Francisco Almeida Leite, no Albergue Espanhol.
– PSD é Fitch. De Manuel Castelo-Branco, no 31 da Armada.
– PSD suicida-se. De Gabriel Silva, no Blasfémias.
– Seppuku político. Do António de Almeida, no Direito de Opinião.
– O triste fim de Manuela Ferreira Leite. De Alexandre Homem Cristo, n’ O Cachimbo de Magritte.

Na Venezuela o Chavez faz e não pergunta nada a ninguém, na Madeira o Jardim idem.
Aqui,discute-se o sexo dos anjos e os Portugueses sérios que tentam levar uma vida limpa,é que estão sempre tramados.
Eu quero ir pa ilha…
Meu caro, há viagens aéreas todos os dias: basta embarcar. Mas em vez da Madeira recomendo-lhe Porto Santo, onde as discussões sobre “sexo dos anjos” são mais improváveis. Além disso, e apesar de tudo, ali AJJ sempre está a alguma distância.
Recomenda um voo da TAP?
Hum. Não. Nunca se sabe quando é que os pilotos voltam a fazer greve para um novo aumento salarial.
Nesse caso, é melhor ir a nado, sempre faço exercicio.
Como vê nem tudo é negativo…
É capaz de ser mais prático desviar um cacilheiro.
Não posso deixar de dar-te razão. Acrescento só que, infelizmente para a saúde da nossa democracia, não me parece que seja possível descredibilizar ainda mais o principal partido da oposição. O que vejo e oiço por aí é que já ninguém acredita que possa vir dali alguma alternativa válida.
Ando há uns anos a escrever isso, Ana. Reparo que a tese começa a generalizar-se.