Vi ontem a reacção de Francisco Louçã ao aumento do risco da dívida portuguesa de longo prazo proposto pela Fitch. Não recordo as suas palavras exactas, mas julgo que não erro ao resumir assim o argumentário do dirigente do Bloco de Esquerda: a Fitch não tem autoridade para avaliar o risco da nossa dívida, pois já se enganou antes e nada nos diz que não se engane outra vez. Por isso, devemos desvalorizar as avaliações das agências de rating internacionais.
Aqui reencontramos o velho esqueleto no armário da vida política nacional: wishful thinking. Louçã gostaria que aquelas empresas não tivessem autoridade, e desejaria que as suas avaliações pudessem ser depreciadas por quem nos empresta dinheiro. Mas não são.
O Bloco tem o direito de combater a influência das agências de rating, mas não pode honestamente ignorá-la. Quer Louçã goste ou não goste, quer reconheça ou deixe de reconhecer, os juros da nossa dívida vão subir. Isto é um dado objectivo que não desaparece num manto de palavreado moralista.

A utopia do costume…
Vivemos num país carregado de politicos líricos de meia tigela.
As coisas são o que são.
Que remédio.
Se calhar a culpa é mesmo do eleitorado.
Não eramos assim,mas tornámo-nos…