“Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, disse hoje o nosso visionário Primeiro-Ministro.
Os piegas, aqueles que não vivem na bolha dos Gabinetes e das Assessorias, nem viveram sempre para a Jota, ficariam imensamente felizes, não fosse a precariedade que os coloca em situações delicadas quando são despedidos, sem direitos nem protecção. Para além disto são ainda os afogamentos violentos em impostos e as barreiras insuperáveis ao empreendedorismo. Oportunidade? Onde? Como? É uma visão fofinha do desemprego, não fosse ser a do País das Maravilhas, não a do nosso.

Há muitos anos, nos anos 50 do século XX, uma ainda muito jovem Elza Soares apareceu no programa de revelação de cantores (caloiros, como se dizia) em que o compositor Ary Barroso era jurado. Ao ver a esfomeada e desarranjada Elza Soares, vinda do morro, Barroso perguntou-lhe: «–De que planeta você vem, garota?!» Resposta pronta de Elza: «–Do planeta Fome!»
Actualidade: «–Pedro, de que planeta você vem?!» (deixo a resposta ao critério de cada m)
Na mouche…
Ouvi e não quis crer. Nem querer…
Não sei quem foi o Chapeleiro Louco que o sacou…
O Coelho da Alice sempre era mais razoável…
E quando penso que já ouvi de tudo, acabo sempre por me surpreender….no entanto gosto muito de ouvir um tipo que se licenciou aos 38, arranjou um tacho na empresa do padrinho e viveu sempre debaixo da asa protectora da chulice partidária dizer aos outros que devem ser mais empreendedores…é lindo, quase tão lindo como se um dos tipos que passa fome e não tem onde viver lhe enfiasse um valente murro nos c….. para mostrar que era um tipo bastante empreendedor. Que Deus nos proteja desta corja que invadiu este mui nobre país.
Obrigado pelo seu testemunho! Um abraço.
Realmente o melhor é fugir daquela conversa o mais depressa possivel. Prometer 150 mil empregos no estado como fez o Hollande, é musica para certos ouvidos. O pior é quando chega a factura.
Seria triste costatar que a “geração mais bem preparada da historia de Portugal” andou anos a queimar as pestanas apenas para tentar arranjar um emprego com um salario compativel com a respectiva formação académica.
Há quem diga que um dos problemas da economia portuguesa é o baixo nivel academico dos pequenos e medios empresarios que apesar de tudo, têm sido o motor do desenvolvimento economico do país. E eu concordo.
Chegou agora o momento de “os mais bem preparados” se chegarem à frente, e mostrarem que as velhas ambições tipo tirar um curso superior, arranjar um emprego se possivel no estado ou na camara municipal lá da terra, casar, comprar uma casinha, e “arrumar a vida”, estão definitivamente enterradas.
Se não forem esses muitos milhares de jovens licenciados a criar as novas empresas que a economia portuguesa, mais ninguem o fará por eles. E investimentos como a Auto-Europa, não aparecem todos os dias.
Criar empresas exige investimento de tempo e dinheiro. Se a banca não financia, porque fecha as portas ao crédito, e estamos atolados em impostos, como é que é isso se concretiza? O Estado actual, a actuar assim, é castrador.
Obrigado pelo seu testemunho. Um abraço!
Tá bem André, ficamos então à espera dos empregozinhos do estado ou da camara municipal. Ou que os outros os criem, correndo eles os riscos.
Não sou advogado do 1º ministro, mas é lamentavel que a maioria dos comentadores(as) se sintam ofendidos com o que ele disse. Mas afinal de contas, que raio de país é que querem?
Metam-se a ser “empreendedores”, metam. Ainda não emitiram a primeira factura, ainda não receberam o primeiro pagamento, já estão nas mãos das Finanças, essa entidade demoníaca para lá do imaginável, dos pagamentos por conta, do IVA, etc., etc., e das infindáveis “obrigações declarativas” (que consomem tempo e recursos preciosos e em que é quase impossível, sem desproporcionado esforço, “estar em dia”).
Nas mãos das finanças e nas mãos da banca, se esta por estes dias, entender conceder crédito. Isto depois (e antes) do cruel labirinto burocrático dos licenciamentos, alvarás, autorizações, etc., etc.
Uma via sacra, um calvário sem fim, de gente de boa fé, que acaba arruinada, a honra manchada, sem uma camisa poder ter em seu nome.
É o que já acontece, e em grau maior acontecerá, a tanta gente que não tem (e não é crime não ter!) vocação empresarial, ou capitais próprios. E que só se lança nesse pesadelo, não porque o primeiro-ministro a tanto os incite, não porque o desejem como objectivo de vida e estejam de facto – por formação e recursos – preparados para isso, mas porque, caídos no desemprego, não têm escolha.
Costa
Acabaram-se-me os eufemismos, André. É melhor calar-me para não sair disparate. Foi ‘isto’ que os portugueses elegeram? É este tipo de discurso e de atitude que merecem?????
Concordo contigo, Leonor.
Eu tenho procurado não falar muito porque sei que sou suspeito e me apontam logo o dedo. Hoje em dia acho que não há grandes alternativas, mas quem elegeu “isto”, como bem disseste, que engula em seco.
Continuo a achar que o meu candidato e a sua equipa, longe de ser perfeito, era bem melhor que esta gente.
Eu tenho procurado não falar muito, André, porque, como disse algures num post passado, este país dói-me e isto corrói-me por dentro. Raio de gente, caramba.
):
E o teu candidato era quem? O José Sócrates? O homem que nos guiou até à falência? O técnico de engenharia? O licenciado de domingo, que não frequentava aulas e exames? O homem que tornou possível dezenas de PPP’s que nos vão asfixiar a goela? O homem da empresa roubalheira Parque Escolar? O «indigente» parisiense (heranças das dele não recebo eu)? Podia estar aqui a noite toda…
«Vade retro Satana»! Eu não te aponto o (um) dedo aponto-te todos!!!
Se não temos alternativa, a verdade é que já é altura de dizer basta a tanta incompetência e mentiras. Se não perdoámos ao outro, porque perdoamos a este (basta ver as sondagens) se faz o mesmo (ou pior)?
Exactamente. As vozes que se ergueram antes contra as trapalhadas do Sócrates, e com razão, silenciaram-se agora com alguém que em menos de um ano de governação já mentiu mais aos portugueses do qualquer um dos seus antecessores.
Nunca este País teve a governá-lo alguem tão ignorante como este primeiro ministro.
Mas a culpa desta actualidade politica deve-se aos milhares de caçadores portugueses: não pisam as RELVAS, deixam PINTOS na justiça, zarolhos não acertaram no COELHO, deixaram CRISTAS à solta na agricultura e não apanham a fruta economica, devotos CRISTÂO, com receio dos SANTOS DAS PEREIRAS
Vamo-nos rindo antes de começar a chorar…