O desaparecimento de Bernardo Sassetti, sobretudo nas condições trágicas em que aconteceu, deixa-me consternado ao ponto de só me ocorrer ouvir uma vez e outra o fabuloso tema que ele compôs para o filme Alice (2005), de Marco Martins – um tema que a Patrícia já aqui evocou também e que só equiparo no cinema português à banda sonora de Verdes Anos.
Ainda há poucos dias, no velório de Miguel Portas, comentava com um amigo comum: “Este ano está a ser mais doloroso do que qualquer um de nós previa.”
Como nos versos que Pedro Tamen tão bem soube colar à dilacerante melodia de Carlos Paredes.
«Era o segredo / sem ninguém para ouvir / era o engano / e era o medo / a morte a rir / dos nossos verdes anos.»
Uma espécie de hino nacional ao contrário. Sem heróis do mar nem egrégios avós.

Há cerca de 6 anos, tive uma experiência cinematográfica única numa sessão promovida pelo Cine Clube de Faro. As noites de segunda-feira eram reservadas para o efeito. Religiosamente. Numa dessas noites foi projectada a película “Alice” realizada por Marco Martins. No final, o referido realizador conversou com os presentes sobre a obra acabada de projectar. Eram poucos os presentes, mas bons! Modéstia à parte… A conversa discorreu de forma descontraída, mas superiormente interessante. Recordo-me perfeitamente dessa simplicidade interessante. Marco Martins destacou a banda sonora da responsabilidade de Bernardo Sassetti. Inevitavelmente. O enredo dramático do filme é superiormente acompanhado pelos sons penetrantes do piano de Sassetti. Uma combinação assaz feliz, sem dúvida. Sempre que recordo esta experiência (e o filme, em particular), lá estão presentes esses sons guardados na minha memória como uma banda sonora mental. Jamais esquecerei!
É o que fica, Gonçalo. As memórias. As boas memórias.
Obrigado por ter trazido aqui este seu testemunho.
Belo sostenuto, bom video,
bela homenagem!
BM merece. E a música desde ontem não me sai da cabeça.
Caríssimo,
“Ainda há poucos dias, no velório de Miguel Portas, comentava com um amigo comum: “Este ano está a ser mais doloroso do que qualquer um de nós previa.””
Como o entendo e subscrevo. Temos (todos nós) de ter a coragem, persistência e estômago de conseguir chegar a 31 de Dezembro,
Forte abraço,
Abraço retribuído com gosto, meu caro.