O passado nunca morre


Pedro Correia,

"O passado nunca morre, nem sequer é passado." Lembrei-me desta frase de William Faulkner ao princípio da tarde de hoje, na cerimónia de despedida do Jorge Ferreira, a que assistiram largas dezenas de pessoas – algumas das quais colegas de faculdade que não via há quase 30 anos. Além dos familiares, lá estavam amigos que ele foi fazendo ao longo de décadas – na escola, na universidade, na vida partidária, no Parlamento, na advocacia, no Instituto Politécnico de Tomar. Lá compareceram deputados, advogados, juízes, jornalistas, professores, bloguistas, estudantes universitários, dirigentes políticos, gente das mais diversas crenças e dos mais diversos quadrantes. Muitas pessoas com uma particularidade comum: de uma ou de outra forma, todos quantos ali estávamos nos sentimos tocados pelo espírito gregário do Jorge, pelo seu humor contagiante, pela sua abertura de espírito, pela sua curiosidade intelectual. Vamos mantê-lo bem vivo na memória, imaginando-o daqui por diante a tomar partido em todos os domínios da actualidade portuguesa, que ele acompanhava com manifesto interesse e sem nunca perder o espírito crítico  – o que é outro exemplo que também não será esquecido.

O passado nunca morre, nem sequer é passado.

21 comentários em “O passado nunca morre”

  1. Pedro,
    Lamento sinceramente a perda do seu amigo… dê, por favos, uma espreitadela, daqui a pouco no A Nossa Candeia.
    Um abraço.

  2. Estou siderada. Estava no completo desconhecimento quer da doença quer da morte do Jorge Ferreira. Nem sei o que diga. Bonita homenagem Pedro.

    1. É difícil, nestas circunstâncias, dizermos alguma coisa que escape ao trivial e ao lugar-comum, Ariel. E o Jorge detestava lugares-comuns. Obrigado pelas suas palavras.

  3. Tive tanta pena de não poder estar presente no seu funeral.
    Foi o grande professor que eu tive. Um grande homem que conheci. Deixei a minha homenagem no meu blog “www.esquerdismosliberais.blogspot.com”.
    Cumprimentos Pedro!

    1. Pois é. Vi por lá muita gente conhecida, incluindo ex-colegas de faculdade que não via há muitos anos. Mas suponho que nós, por enquanto, só nos conhecemos da escrita.

      1. De facto estavam lá vários colegas do curso do Jorge, entre os quais eu (ano 79-84 de Direito da UCP). Era do nosso ano? Se era confesso-lhe que não me lembro do seu nome [ mas eu sou péssima com os nomes, lembro-me muito melhor das caras…]

          1. Desconfio que agora sei quem é. Pareceu-me ver uma cara familiar, mas já lá vão 25 anos…
            Ao Jorge via-o com relativa frequência, nos últimos tempos, porque também tenho escritório na Visconde Valmor. Éramos vizinhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *