
O Spectator chamava, há dias, a atenção para o fim de uma era: a extinção do “aperto de mão”.
Digno de um estudo antropológico ou sociológico, o aperto de mão era mais do que um cumprimento. Sendo mãe de um rapaz e duas raparigas, sempre registei, numa espécie de espanto divertido, a forma de cumprimento que os distinguia. Elas optavam pelo olá, ou pelo beijinho e, mais tarde, pelo abraço nalguns casos. Ele, miúdo ainda ou já adolescente, a cumprimentar os amigos com o aperto de mão, “à homem”.
Apertar a mão sempre foi um gesto de cortesia, um “como está?” ou um “muito gosto em conhecer”. Foi também o sinal de acordo firmado, palavra dada e honrada, negócio fechado. Era o momento “fotografável” de conclusão de um processo de entendimento, de (re)afirmação de boas relações.
Era, também, uma oportunidade única para ter uma primeira impressão de outrem. Apertos de mão firmes e vigorosos, quase sempre correspondiam a pessoas corajosas e decididas, por oposição a apertos de mão escorregadios e dengosos, aparentemente indicativos de uma pessoa maleável, receosa, melíflua. Conjugado com a expressão facial – que as máscaras agora ocultam – o aperto de mão constituía um cartão de apresentação privilegiado, espontâneo e dificilmente contaminado por técnicas de “bem impressionar”. A posição das mãos e a determinação da duração do cumprimento era muitas vezes demonstrativa da situação de superioridade, liderança ou conforto de um dos intervenientes, por oposição ao outro. Tudo isto se perdeu. E o que também se perdeu, neste mundo asséptico do covid-19, foi a possibilidade de afrontar os que desconsideramos pela simples recusa de lhes apertar a mão.

Calma, Zélia! Tudo isto há de passar. Tudo isso há de voltar. E tudo ficará na mesma, a bem do mal.
Às vezes, penso que já não conseguiremos voltar ao nível de despreocupação de antes da covid. Outros dias, tenho a certeza de que isto é passageiro. Ou seja: não sei o que hei-de pensar.
Bom post.
A etiqueta e o modo de interação social europeus não foram feitos para tempos de epidemia. Na Ásia tudo é diferente, as máscaras sempre foram de regra e os cumprimentos nunca envolveram contactos corporais. Os asiáticos sempre foram muito mais higiénicos do que os europeus.
Muito mais higiénicos. Essa diferença nota-se sobretudo nos mares impolutos de cidades como Xangai onde nunca se vê nem uma palhinha a boiar mas sobretudo mesmo nos mercados limpíssimos onde nunca começam as pestes todas. Somos uns porcos, eles é que são asseados.
Lá, nas Ásias, à conta de Macau. Quando lá cheguei, ainda criança, e ainda no primeiro par de dias depois de lá ter pisado pela primeira vez, fui com o meu pai e amigos seus, a um restaurante chinês. Desses verdadeiros, não destes para os ocidentais como cá temos.
Éramos os únicos ocidentais a comer ali, nesse dia a essa hora. Mas estava cheio, todas as outras mesas preenchidas por chineses. Observando-os, como boa criança curiosa, comentei com o meu pai: “como eles são porcos, que cospem ossos e espinhas para o chão e até para a mesa, em vez de os pôrem na beira do prato…”
E ele (que ao contrário de mim já lá estava nos orientes há uns meses) respondeu algo que, trinta e alguns anos depois, ainda molda a forma como olho para quem se comporta de forma diferente da minha: “é, parecem, mas para eles, se lhes perguntares, os porcos somos nós, que incompreensivelmente pegamos na porcaria incomestível que saiu do nosso prato e a botamos de volta nele…”
O relativismo é que está a dar cabo disto tudo, disso também não restam muitas dúvidas, e no limite provoca os cataclismos interpretativos que depois passam a causas de esquerda:
O que sai do prato não é porcaria.
As máscaras não foram sempre de regra, mesmo antes da pandemia, e isso de higiénico tem muito pouco.
Sem entrar na questão da higiene, este contacto é, de facto, muito europeu, diria até mediterrânico.
Por isso é que a Asia é responsavel por 90% do lixo nos oceanos… tão higiénicos que eles são, que até o Sars e o covid começaram por lá. E os mercados asiáticos então nem se fala, que limpeza a comparar com os nossos… Isto há com cada imbecil…
Sim, não quer dizer que não volte…
Que seria do mosh. Punk rock never dies
Oxalá!
Cumprimentar é um gesto amável, qualquer que seja a expetativa do outro em relação ao cumprimento. É assim que se fazem relações, constroem negócio, se move economias, se movimenta a vida que há que mostrar para quem se nos apresenta e que nos importa considerar.
Exactamente!
Para afrontar os que desconsideramos prefiro como está agora, levam uma cotovelada mais forte.
Ahahahah! Eu preferia a versão antiga, confesso.
Esta cotovelada é quase uma mini-coreografia, o que me faz sentir desconfortável com pessoas com quem não tenho à-vontade. Por exemplo, se recebo pessoas que não conheço, em contexto profissional, acabo por cumprimentá-las apenas com um aceno de cabeça, não chego à cotovelada. Sou só eu?
Já vi de tudo; cotovelo com cotovelo, punho com punho, mão com punho, mão nas costas, pé com pé, e às escondidas o tradicional aperto de mão.
Somos uns animais sociais, precisamos do toque, e isto de mudar comportamentos não vai ter um bom fim.
Porque nunca consegui entender a lógica da preconização pelas autoridades de saúde (por todo o lado, não só cá) de as pessoas se cumprimentarem com os cotovelos, os mesmos cotovelos que as mesmíssimas autoridades preconizam também como ponto de contenção para tosse e espirros…
É como as de limitar os horários aos estabelecimentos comerciais, como se isso fosse reduzir e não aumentar a concentração de pessoas lá dentro… Como agora pode beber-se café numa gasolineira qualquer, mas só até às 21h, porque quem trabalha em horário nocturno covida-se todo se for beber café….?
Lá está, acho que o burro sou eu!… Mas que muita medida “de contenção” parece desenhada para promover contágio, lá isso, parece…
Subscrevo o comentário no que diz respeito à diminuição de horários de funcionamento. Parecia-me mais razoável uma distribuição ao longo do dia, que podia ser feita por exemplo, por escalões etários, como cheguei a ver sugerido algures.
No caso da proibição de venda de bebidas ou de café, parece-me contraproducente. Na minha rua, na casa em frente, há um apartamento alugado a jovens. Não saem, fazem as noitadas aqui, em casa, sem máscaras, nem distanciamento, etc. E ir a um drive-in de fast food, poder trazer um hambúrguer e não poder comprar bebida… qual é a lógica?
Compreendo que ter que delinear medidas gerais pode implicar ter de fechar os olhos às excepções ou a situações menos óbvias. O que já não compreendo é que, quando se percebe que a medida é inútil ou não tem o efeito esperado, se insista nela.
Já viu alguma vítima de burla admitir que foi burlada por estupidez?
Eu equiparo estas medidas à anedota da experiência do cientista com a mosca. Quando o cientista tirou as asas à mosca e lhe disse para voar e ela não voou, chegou a uma conclusão, ” a mosca sem asas não ouve “.
E a inclusão dos Açores e da Madeira para justificar o confinamento no Continente, tem alguma lógica?
E pagar multa por comer uma sandes no carro, ou pagar multa por comer gomas ao pé da máquina que as fornece, tem alguma lógica?
Deve estar a haver é uma disputa qualquer no governo, para ver quem é que implementa a medida mais estúpida, só pode.
A antropologia insere esse “modo de cumprimentar” no facto social que designa por: [«pôr fim» e «dar início» a uma relação inter-individual face-a-face]. De facto, é um «comportamento» que variou muito. Inclusive, desde os primeiros animais sociais, portanto muito antes do aparecimento do ser da espécie «H. sapiens sapiens».
Em Portugal, em 1993, foi fundado o “Museu da Gestualidade” (ver Diário da República) que incorporou esse «comportamento» na sua variação histórica e geográfica. E estabeleceu uma parceria com o UPR-35 do CNRS (Paris) de Bernard Koechlin e à “Association Geste et Image”.
Esse modo de “cumprimentar” insere-se num processo social de comunicação.
Se o modo social de comunicar se estiver a alterar, provavelmente nada será como antes. Se não, regressará.
Pôr fim e dar início, exactamente. Sim, é possível que o modo de comunicar esteja a alterar-se. Descobriremos novos rituais?
” E o que também se perdeu, neste mundo asséptico do covid-19, a possibilidade de afrontar os que desconsideramos pela simples recusa de lhes apertar a mão”
Muito bom!
😀
Se a Susana V. encontrasse o António Costa, dava-lhe um aperto de mão? Ou dois beijinhos?
Não!!! Dava-lhe uma cotovelada bem forte!
Susana V. passam-me uns quantos pela cabeça
1140…“Gestus est motus et figuratio membrorum corporis ad omne habendi et agendi modum” (Hugues de Saint-Victor, 1140, “De Institutione Novitiarum” /in Jean-Claude SCHMITT, 1990, “La Raison des Gestes dans l’Occident Médiéval”, Bibliothèque des Histoires, Paris: Gallimard)
1932… “O corpo é o primeiro e o principal utensílio do ser humano” (M.Mauss, 1932, “Técnicas do Corpo”)
1950… “O conhecimento das modalidades de utilização do corpo humano seria, portanto, particularmente necessário numa época em que o desenvolvimento dos meios mecânicos à disposição do Homem tende a desviá-lo do exercício e da aplicação dos meios corporais, salvo no domínio do desporto, que é uma parte importante, mas apenas uma parte, das condutas consideradas por Marcel Mauss, e aliás variável conforme os grupos. Almejaríamos que uma organização internacional como a UNESCO se propusesse à realização do programa traçado por Mauss. Uns Arquivos Internacionais das Técnicas Corporais… (esse inventário representaria) … uma obra verdadeiramente internacional, pois não existe no Mundo um único grupo humano que não pudesse dar a esta iniciativa um contributo original. Ademais, trata-se aqui de um património comum e imediatamente acessível a toda a humanidade; de um património cuja origem repousa no fundo dos milénios, cujo valor prático permanece e permanecerá sempre actual, por ter a forma de experiências vividas, permitindo que cada ser humano se torne sensível à solidariedade ao mesmo tempo intelectual e física, que o une a toda a humanidade. A empresa seria altamente capaz de enfrentar os preconceitos de raça, pois, diante das concepções que querem ver no Homem um produto do seu corpo, mostraria, ao contrário, que é o Homem, sempre e em toda a parte, que soube fazer do seu corpo um produto das suas técnicas e das suas representações.” (C. Lévi-Strauss in “Introdução à obra de Marcel Mauss, 1950).
1975… “Communication has been defined as the process by which behavior of one individual alters the probability of behavioral acts in other individuals. This concept has the advantage of being directly transportable into a mathematical statement” (E.O. Wilson, 1975)
1979… “The discovery of the importance of non-verbal communication has transformed the study of human social behaviour” (Argyle, M., Cambridge University, Mass., USA, 1979)
1981… “Parmi les milliers de comportements corporellement possibles, quels sont ceux retenus par la culture pour constituer des ensembles significatifs ? (….). Poser cette question d’une sélection et d’une organisation des comportements entraîne l’adhésion à un postulat: l’existence de codes (corps de règles) du comportement. Ces codes sélectionneraient et organiseraient le comportement personnel et interpersonnel, régleraient son appropriation au contexte et donc sa signification. Toute homme vivrait nécessairement (bien qu’inconsciemment) dans et par des codes, puisque tout comportement en entraîne l’usage”. (1981. Winkin, Y. in: P. Watzlawick, J. H. Beavin e D. D. Jackson, “Pragmatics of Human Communication”, p.23).
1985… “Vamos dirigir-nos a um povo cujas formas de criação passam quase sempre mais pela oralidade e pela gestualidade do que pela mensagem escrita e pela leitura” (Vitorino Magalhães Godinho, 1985)
2001… “And it is precisely this kind of behavior — performed without any noticeable costs — that is not very important for the cohesion of a social group but that also forms a bridge to strictly defined altruism.” (E.Mayr, 2001, “What Evolution Is?”).
2004… “Over the past three decades there has been a growing recognition that the study of GESTURE — visible bodily action that plays a role in explicit communication — promises to throw much light on a range of issues that are central for any understanding of language (broadly conceived), and for an understanding of communication processes in human interaction” (Müller, C., Freie Universităt Berlin, 2004)
2013… “As emoções básicas (raiva, medo, nojo/repulsa, alegria, tristeza e surpresa) possuem uma raiz biológica e uma base evolutiva comum, e mostram um padrão universal” (Laurie Nummenmaa, 2013, Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS).
(…)
E podíamos ficar o dia todo a dar exemplos…
1975… “Social animals use signals that serve in some circumstances just to keep members of a group in touch.
… The habit is particularly well developed in species that move about under conditions of poor visibility. South American tapirs (Tapirus terrestris) use a short «sliding squeal» to stay in touch in the dense vegetation of their rain forest habitat (Hunsaker and Hahn, 1965).
The lemurlike sifaka (Propithecus verreauxi) uses a cooing sound for the same purpose (Alison Jolly, 1966).
… Duetting, during which pairs of animals exchange notes in rapid succession, functions as a contact-maintaining signal. The phenomenon occurs widely in frogs, in birds, and in at least two species of primates, the tree shrew Tupaia palawanensis and the siamang Symphalangus syndactylus (Hooker and Hooker, 1969, Williams et al., 1969; Lamprecht, 1970; Lemon, 1971b).
… The extraordinary songs of the humpback whale (Megaptera novaeangliae), recently analysed by Payne and McVay (1971), possibly serve to keep members of families or herds in touch, particularly during their long transoceanic migrations.
… Duetting of birds and the whale songs will be discussed in fuller detail later in this chapter.” (E.O. Wilson, “Sociobiology”, 1975:203).
Eu acho que o aperto de mão e a queca (os dois gestos implicam muita proximidade física) nunca acabarão.
E até podíamos falar dos “cumprimentos” entre os vírus e bactérias:
2015… “I think these are arguably the most important developments in microbiology in the last couple years. We’re learning about an entirely new mode of communication.” (Ned Wingreen, biophysicist, Princeton)
2015… “He and his colleagues treated biofilms in their lab with fluorescent markers that are activated by potassium and sodium ions, and the potassium marker lit up as ions flowed out of starved cells. When the ions reached nearby cells, those cells also released potassium, refreshing the signal. The signal flowed outward in this way until it reached the biofilm’s edge. And in response to the signal, edge cells stopped dividing until the interior cells could get a meal, after which they stopped releasing potassium”. (Gürol M. Süel, University of California, San Diego / Nature, 2015)
2017… “Species-Independent Attraction to Biofilms through Electrical Signaling” (Jacqueline Humphries. Livang Xiong, Jintao Liu, Heidi A.Aries, Lev Tsimring, Gürol M. Süel, Cell, Volume 168, Issue 1-2, January 12, 2017)
2017… “Bacteria Use Brainlike Bursts of Electricity to Communicate With electrical signals, cells can organize themselves into complex societies and negotiate with other colonies.” (Gabriel Popkin, Quanta Magazine, 5sept2017)
2014… “O Pentágono está a investir num projecto experimental para estudar a linguagem corporal dos chefes de Estado, para procurar conhecer as suas intenções e prever o seu comportamento” (8março2014, SIC notícias).
Sinto uma certa curiosidade por esta questão da linguagem corporal. Sou (acho eu) muito observadora e não consigo deixar de prestar atenção a estes detalhes.
É uma área muito interessante de investigação. Com imensa bibliografia. Renovada actualmente por causa da capacidade de seguir os circuitos sinápticos associados aos gestos através de marcadores e imagens PET.
No entanto, apesar destes avanços tecnológicos, continuam a ser essenciais e necessárias duas distinções no estudo e observação dos gestos e comportamentos humanos não-verbais.
Uma, foi a que Hugues de Saint-Victor fez em 1140, entre “motus”, “figuratio” e “gestus”. Ou seja, entre «corpo/motricidade/biomecânica», «uso», e «figura que serve de letra/forma/configuração à comunicação».
A outra, é a diferença entre «Gestualidade» (“visible bodily action that plays a role in explicit communication”) e «Actividade Física/ Biomecânica» (“movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte num gasto energético relativamente à taxa metabólica de repouso”).
Podemos distinguir, pelo menos, 12 áreas diferentes onde é produzida gestualidade:
1 – Desvios e patologias do comportamento motor.
2 – Linguagens gestuais codificadas.
3 – Ludomotricidade, “brincar” (play).
4 – Jogos, recreação e actividades de lazer (games).
5 – Exercícios, ginásticas e “disciplinas de corpo” (Ling, Yoga, etc.)
6 – Desporto (sport).
7 – Cerimónias e rituais (ritual).
8 – Interacções face-a-face realizadas no quotidiano.
9 – Gestualidade utilizada no drama, na expressão corporal, na teatralidade (drama, theater).
10 – Gestualidade da Arte (aesthetic).
11 – Gestualidade do trabalho e dos ofícios.
12 – Gestualidade das necessidades, cuidados e técnicas do corpo.
13 – Outros tipos de gestualidade ainda por classificar.
O postal está muito bem ilustrado.
No “The Spectator” Trump parece empenhado e Macron furioso (aquele canto da boca repuxado para baixo). Já no postal Trump parece que foi obrigado a engolir um sapo e Obama que se prepara para dar um raspanete a alguém não visível, demonstrando alguma tensão pelo polegar esquerdo espetado enquanto agarra a mão de Trump que não corresponde mantendo a mão aberta.
Estou certo que a ambos os apertos de mão correspondem profundos significados, só que não me ocorre nenhum.
O que me ocorre é que, se o aperto de mão ficar extinto, agradar-me-ia vê-lo substituído pelo cumprimento árabe: levar a mão direita ao coração, podendo ou não acompanhar com um ligeiro curvar da cabeça. É um cumprimento digno, podendo mesmo ser elegante e evita preocupações e desencantos com mãos húmidas, frias ou demasiado quentes.
Foi o que utilizei na pandemia, sem grande sucesso na retribuição, excepção feita a um candidato a genro, incansável a tentar agradar-me.
Sentido-me hoje anormalmente corajoso, arrisco o expectável, relembrando outro cumprimento já extinto: o beija mão. Pratiquei-o largos anos com senhoras casadas e, no meio misto em que me movimentava, exigia especiais cuidados e decisões rápidas.
Na maioria das situações, não oferecia dúvidas, havia que beijar a mão ou pôr a cara a jeito para receber um beijinho ou, conforme as pessoas que me precediam, apertar a mão ou cumprimentar de palavra ou aceno.
Mas quando, em ambiente inesperado, como por exemplo num mercado, me deparava com senhoras das diferentes categorias o problema era bicudo. Havia que decidir em segundos se corria o risco de ofender alguém que compensava o estatuto com a falta de elasticidade mental, ou beijando a mão à primeira, ofender as restantes a quem não o fazia, ou, talvez o pior, correr o risco de forçar o beija mão a alguém que não tinha esse hábito e fazia força para baixo criando uma situação constrangedora. Passei por tudo.
Hoje tudo está simplificado mas às vezes penso que a vida perdeu algum sal.
Ainda me estou a rir com o candidato a genro, mas gosto da sua proposta.Vou experimentar pô-la em prática.
Também eu tenho ficado muitas vezes indecisa entre o aperto de mão e o beijinho. Na dúvida, optava pelo aperto de mão, mas se a pessoa se lançava para o beijinho, chegava a acumular, o que era manifestamente ridículo e dispensável!
Estas ditas normas dão jeito. Quando me encontro com as amigas, abraço-as. Com os amigos, cumprimento-os. E tudo isto também na rua que é o local próprio para as manifestações de protesto.
O Costa já todos sabemos que nesta nova onda deu-lhe para o travão-de-mão. Faça isso lá com os congéneres neo-fascistas.
Confesso um verdadeiro delito para a opinião pública: também abraço os meus filhos.