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O sentido deste provérbio popular, que explica que sem trabalho não se consegue nada, foi desonestamente deturpado na última campanha do BE. Assim, este partido da esquerda aburguesada pretende defender a criminalização do enriquecimento ilícito. Até aí tudo bem, mas em vez de meter a foice em seara alheia, que é como quem diz, em vez de deixar os provérbios populares para o seu Mestre Jedi, o camarada Jerónimo, devia apostar naquilo em que os seus criativos são bons, e que é em produzir soundbites sonantes, e isto não é soundbite sonante, mas apenas um provérbio corrompido.
Nesta infeliz campanha, de forma a transmitir que por de trás do dinheiro há sempre ilicitude, o BE faz por ignorar a possibilidade de se ter dinheiro como resultado de trabalho, esforço ou talento. Esta é a forma enviesada como vêem o mundo.
Este provérbio seria uma óptima resposta a muitas das medidas que defendem e que se encaixam na velha política de querer acabar com os ricos. Quisessem antes acabar com os pobres e não teríamos um quinto da nossa população abaixo do limiar da pobreza, nem aceitaríamos que um terço dos pobres tenha trabalho regular. E tudo por não se querer olhar para o que é bem feito noutras paragens, onde o dinheiro também não cai do céu, mas as políticas públicas permitem que a riqueza cresça e quando o bolo é maior há mais para dividir.
Assim, governados por esta visão deturpada, faz-se por ignorar que para demasiados portugueses a prosperidade só é possível pela emigração.

Um bom slogan para o BE:
O dinheiro não cai do céu … por isso é necessário controlar o défice e a dívida pública.
O dinheiro cai do bolso dos credores, que nos emprestam porque têm a obrigação de alimentar utopias alheias…
Cai do bolso dos credores e é arrancado – nem lá chega a entrar, muitas vezes, ainda que formalmente seja um seu rendimento – do bolso de uma classe média extenuada e sujeita a um completamente despudorado abuso. Uma classe que tudo paga e a quem, para essa gente, BE e não só, é sempre lícito e absolutamente natural confiscar mais e mais. Uma classe sobre a qual se anuncia a inevitabilidade de mais impostos – recentemente, a propósito dos custos do vírus – com a entediada banalidade de quem revela uma evidência. Quanto à causa e quanto à cura.
Aos credores ainda há a obrigação de mais tarde ou mais cedo saldar a dívida ou, muito convenientemente, renegociá-la, ir pagando (ir fazendo pagar) o juro e anunciar isso como êxito patriótico. Aos que são sujeitos a uma fiscalidade escandinava, dá-se-lhes um serviço público terceiro-mundista (ou pior) e escorado numa arrogância e inimputabilidade de verdadeiro estado autoritário. Ou pior.
Mas o Eleitor gosta assim e manifestamente quer que a coisa se aprofunde.
No dia em que as taxas de juro começaram a subir, e já faltou mais para que isso aconteça, vai ser o diabo.
Nessa altura entregarão o poder a outros. Deja vu?
Infelizmente(*) já falta pouco. A inflação já começou a dar sinais nos EUA (possivelmente por ter recuperado mais cedo e mais fortemente do que a UE) e, internacionalmente, as matérias-primas têm aumentado de preço, o que no passado tem sido como iniciam os ciclos inflacionários.
(*) Refiro-me aos efeitos perversos da inflação, a que já chamaram o pior dos impostos, e não a qualquer mudança de poder.
As matérias-primas dispararam há várias semanas e já estão a ter impacto directo no custo dos bens de primeira necessidade. Cereais, metais, plásticos e derivados. É uma questão de tempo até que essa realidade chegue aos índices de preços no consumidor. O BCE, de costela alemã, não tolera inflação e isso vai ser o diabo para este governo.
Aguardemos para ver.
“Primeiro como tragédia, depois como farsa”, é assim (ou perto disto) que reza a fórmula consagrada. Por cá repete-se como tragédia, tragédia novamente, e ainda tragédia. Um cortejo imenso de tragédias pessoais, familiares, falências, desonras, ruínas. Um trabalho sujo que vai ter que ser feito, como já foi, para corrigir a iníqua actuação de uns farsantes. E que tem esse preço. Farsantes que regressarão depois, impunes e cavalgando descaradamente a ignorância de um povo aflitivamente inculto e presa fácil da venalidade, da demagogia e da mentira descarada. O ciclo recomeçará e a História repetir-se-á.
Deja Vu.
Sem tirar nem pôr.
Insinua o Paulo Sousa que o milagre económico (e défice zero) do tigre português se devem exclusivamente aos rendimentos do turismo e às taxas de juros baixas praticadas nos mercados e suportadas também pelo BCE?
E a resiliência e sagacidade do Governo, não contam?
O milagre económico português assenta na capacidade dos portugueses em se conformar com o que temos. Podíamos estar bem pior. Cá vamos andando devagarinho, nunca pior, em Moçambique aquilo está mau, etc, etc.
Um verdadeiro milagre da mediocridade.
Por isso é que alguns têm de fazer negócios imobiliários com os amigos da câmara……
Como o Sr Robles.
Mesmo sendo pobre, ou melhor, remediado (não quero ofender quem é realmente pobre), não consigo perceber o que é isso de enriquecimento ilícito. Se um indivíduo de repente aparece cheio de dinheiro (olhó Major, que ganhava lotarias anualmente), não acho que tenha de explicar o porquê. Constitucionalmente vai contra aquela coisa do inocente até prova em contrário, que em Portugal é aplicada pelo Estado com excepção de assuntos com a AT, em que se paga primeiro e prova inocência depois.
Desconfiam que a dita fortuna é consequência de ilícito? Droga, corrupção, venda de bicas sem factura? Ora, é pegar as autoridades e provar o dito ilícito. Essa coisa de obrigar as pessoas a explicar de onde vem a massa nada mais é que o Estado, na pessoa da Justiça, admitir não só a sua incompetência, mas também inércia e preguiça em mudar o que seja para melhorar.
Quanto ao Bloco, é como aqueles actores putos, tipo o do Sozinho em Casa. Com a idade vão perdendo a piada.
A criminalização do enriquecimento ilícito é um debate legítimo e necessário. O postal é sobre a corrupção do provérbio.
Agora o BE, trotskyistas, maoistas e companhia, só têm graça quando o eleitorado entende o que eles realmente defendem e os correm dos parlamentos.
O Bloco tinha graça. Ou então era por ser jovem (na realidade, tinha cartão e tudo) que lhes achava graça. Na linha dos putos de 17 anos que vivem em casa e à custa dos pais e querem opinar sobre o modo como a casa e os dinheiros são geridos. Aquela irreverência tão juvenil.
Mas uma coisa é um chavalo de 17 anos dissertar sobre como o mundo devia ser, entre uma broca e uma cervejola, outra coisa é um tipo de 50 anos fazê-lo, mesmo tendo um rabo-de-cavalo a puxar para o fixe e um capacete de motociclista debaixo do braço. É deprimente.
O Bloco está cheio de artistas (duplo sentido). Gostaria de ver quantos e quais bloquistas criam, e redistribuem, riqueza. Pronto, já sei, riqueza intelectual, aos rodos.
Um tipo do PSR na AR do cavaquismo até poderia ser engraçado, mas de uma graça na linha do Joker, que tem um sorriso esborratado por fora e está cheio de dores por dentro.
“O dinheiro não cai do céu”
Pois não. No caso dos calotes do BES foi emprestado por amigos banqueiros para quem a palavra de um capitalista amigo é garantia suficiente. O Isaltino pediu-o ao sobrinho taxista. O Sócrates foi o amigo que lho deu. O Duarte Lima ganhou-o a defender os assuntos duma velhota. Há dinheiro ganho honradamente, mas raramente são estas fortunas de aviário.
Dizer que não se devem perseguir as fortunas ilícitas porque há fortunas lícitas é como dizer que não se devem prender ladrões porque há muita gente honesta.
O Isaltino cumpriu pena de prisão, o Duarte Lima ainda lá está, mesmo o Sócrates já teve umas férias em Évora, e tudo isso sem esta lei que segundo alguns juristas terá alguns problemas de princípio. Eu concordo com a possibilidade de legislar nesse sentido, até porque o estado já inverteu o ónus da prova na cobrança dos impostos.
O postal é sobre a corrupção do sentido do provérbio.