Emoções #7


Maria Dulce Fernandes,

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Oh lua, oh luar

Aqui tens o meu menino

Ajuda-me a criar

Tu que és mãe

Eu que sou ama

Tu que o crias

Eu que lhe dou mama

Repetia a Avó Júlia, com o meu irmão no colo, janela aberta para o Tejo, numa noite fria de Novembro, um céu estrelado e uma lua farta, imensa, que jorrava uma luz gateada de um veludo empalidecido. Era um momento solene aquele em que, seguindo ritos pagãos milenares, se oferecia em segredo o bebé à lua, deusa e mãe fonte de vida,  para que pudesse medrar sob a sua protecção.

Lembro-me de querer entrar e a Avó Adelaide me dizer que não, que só podemos ver, longe e em silêncio. Porquê? Perguntei eu. Porque é magia, disse a minha avó, e o homem que lá está com um molho de silvas às costas a olhar para nós, pode ficar zangado.

Durante muitos anos fiz sempre adeus à lua, para que o homem das silvas me visse e não se zangasse comigo.

Observar a lua é uma emoção.

Fotografar a lua é emocionante.

Tenho centos de fotos de todas as fases em diferentes horas do dia e dos contrastes de luz em que se apresenta.

Eu nasci na mudança da lua. Os meus irmãos,  as minhas filhas e os meus netos também. Estar com a lua ou andar aluada são estados normais.

Pode parecer cliché, mas é emocionante, empolgante e emotivo poder sentar-me numa praia escura e ver a lua, altiva no seu perigeu espelhar-se no mar e espraiar gotas de luz na crista de cada onda.

Hoje vou fazer serão.

6 comentários em “Emoções #7”

  1. Não sabia que existia esse ritual de oferecer o bebé à lua. Mesmo que não tenha efeitos, seja rito sem utilidade prática, acho bonito.

    1. É verdade, Xico. Segundo a minha bisavó Júlia, era lua a mais. Roupa de bebé exposta ao luar, irá interferir com os sonhos e trazer noites agitadas, tal é a influência da lua e da sua luz. Estes mitos centenários são deliciosos

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