O dilema da liberdade


Luís Naves,

O atentado de Paris onde foi chacinada a redacção do Charlie Hebdo só pode provocar nos espíritos um imenso repúdio. Os terroristas atingiram o coração do mundo moderno, pois a ideia de liberdade fica associada ao medo. As sociedades ocidentais não têm solução fácil para ataques como este: podem evitar futuros atentados se criarem Estados mais securitários, tal como já acontece nos aeroportos (ninguém aceitaria viajar de avião sem passar pelos complexos procedimentos de segurança); as comunidades islâmicas serão vigiadas mais de perto e, um dia, os imãs perderão a liberdade de radicalizar crentes, com os sermões alterados e a doutrina censurada. Soa mal, mas para as sociedades ocidentais defenderem as liberdades, haverá redução da liberdade religiosa.

Sem políticas de imigração mais restritivas, os islamitas serão reforçados e isso implica menos tolerância com o actual estilo de vida dos europeus. Portugal não tem um problema de imigração e as pessoas aqui desconhecem a tensão que existe nos bairros franceses, sobretudo com o aparecimento de uma geração de jovens radicais islâmicos (tão franceses como os outros) que não têm qualquer intenção de viver numa sociedade liberal ou de aceitar a república secular. Os partidos populistas, como a Frente Nacional, estão a aproveitar a insegurança das pessoas, como aliás escrevi ontem, a propósito de um movimento espontâneo na Alemanha. Isto não tem nada a ver com a crise financeira, mas com religião e choque de culturas. As vítimas de Charlie Hebdo mostram que em muitos aspectos os terroristas já ganharam, pois a intolerância e o silêncio têm garras bem fundas.

0 comentários em “O dilema da liberdade”

  1. Mais que não terem solução fácil, não têm solução. O terror como arma funciona sempre que as pessoas – como é natural – se deixem atemorizar. A melhor solução, e pegando na reacção de Hollande, é mesmo garantir que os responsáveis são trazidos perante a Justiça e tentar que a vida corra o mais normal possível.

    Obviamente que os Estados devem reflectir sobre as suas medidas internas de segurança e, se calhar, retomar uma visão mais pragmática (e conservadora) sobre o mundo, abandonando de vez aventuras “democratizantes” e “liberalizantes” e deixando – dentro de certos limites – cada povo à sua vida interna. Há muitas caixas de Pandora que mais vale serem mantidas fechadas.

    Quanto ao problema migratório, mais que um problema religioso, é um problema cultural. O multiculturalismo está morto e deve ser enterrado. Orgulho na nossa cultura implica respeito pela dos outros e com isso vem o dever de se e quando nos mudamos para outro país, devemos adequar-nos aos hábitos locais. Como disse o Sheik Munir, em resposta a este acto criminoso, se essas pessoas não estão bem, que se vão embora e nos deixem em paz e sossego (e se não forem a bem, que vão a mal). O que é igualmente importante é não cavalgar excessos e caricaturas: da mesma forma que não existe UM cristianismo, não existe UM islão.

    Finalmente, e repegando no pragamatismo diplomático, não me parece admíssivel que por um lado se condene extremismos religiosos e, por outro, se permita que os mesmo sejam fomentados – mesmo que a título quasi-extorsivo – por países supostamente amigos.

    1. Tanta asneira num texto “cuidadoso”.

      Não percebeu que está em Guerra.

      Não há aventuras “democratizadoras”, antes houvesse.
      Pois isso implica punição e recompensa de acordo com uma ideia.

      Essa ideia não existe, os Governo Ocidentais, ou se quiser o complexo Político-Jornalista , está dividido entre os com Ódio ao Ocidente – a corrente Marxista -e a corrente “Humanista” sempre cheios de declarações grandiosas- os que querem a “paz” a todo o custo-.

      E para a manterem e serem reeleitos recompensam sempre o infractor.

      Designando os mais agressivos como “representantes” da cultura, dando-lhes lugar como conselheiros, dando-lhes poder de veto sobre tudo o que sobre essa comunidade diz respeito. Tornando-os como poder de facto e recompensado o seu comportamento.
      Um Islâmico é recebido por um Governo Europeu devido à violência que consegue/ameaça criar.

      “Quanto ao problema migratório, mais que um problema religioso, é um problema cultural.”

      É a religião que é o fundamento ideológico que sustenta uma prática , não a cultura, por isso escusa de lançar poeira para os olhos.

      Uma estrutura ideológica é necessária.
      E incluo o Sheik Munir na sua poeira. Mais sabe ele que o problema não é “local”.

      ——
      A Imigração é intratável sem usar a violência e causar mortos; colocar as pessoas, à força se necessário de volta das costas de África…

      Ou seja é tudo conversa fiada . Nada irá acontecer até as pilhas de mortos forem tantas que os jornais que hoje temos sejam irreconhecíveis.
      Nessa altura veremos os clamores por expedições punitivas.

      Ou seja até a Cultura Ocidental mudar para uns 50-100 anos atrás.
      Irá mudar.
      A Jugoslávia mudou num ápice.

  2. Corrija-me, por favor , caso esteja enganado : não era o senhor, num post anterior, que atribuía a ( polìticamente incorrecta) “revolta populista” àquilo que, `a falta de melhor termo, designarei por “mercearia” ?
    Que a coisa não teria nada a ver nem com raças, comportamentos ou religiões ?
    Que , desde que a” mercearia” funcionasse, todos viverámos como Deus e os anjos numa terra em que eternamente escorreria o mel?…
    Estou certo que terá uma explicação, de acordo com a cartilha do “pulhìticamente correcto”, para estas minhas observações trogloditas, nada sofisticadas e profundamente enviesadas quanto ao devir da História…

    1. Onde leu isso?
      Alguma vez escrevi algo de remotamente parecido com o que leu? Não me parece. E, confesso, não vou perder mais tempo com este tipo de comentário.

  3. A conversa actual será precisamente esta. Encontraremos algo neste sentido no discurso de todos os líderes políticos por esta Europa e até mesmo dos EUA.

    O problema não é religioso, é a ideia, em alguns quadrantes, de que existe uma supremacia moral que pode ridiculizar e humilhar tudo e todos que conduz a tais consequências.
    Fala-se em aldeia global, e há quem se convença que nesta aldeia só uns poderão ser considerados aldeãos e outros convidados a aceitar que os ridicularizem.
    Uma coisa é não aceitar valores diferentes outra coisa é ridicularizar aqueles que vivem tais diferenças.
    O que ocorreu neste caso foi um acto sanguinário de vingança.

    Se querem encontrar um modelo de convivência façam o que em Portugal não fazemos.

  4. A frase “As vítimas de Charlie Hebdo” parece-me infeliz e confusa. Charlie Hebdo e os seus redactores é que foram vítimas de gente canalha e cobarde.

    1. “foram vítimas de gente canalha e cobarde.”

      Frase feita sem sentido.
      Não são cobardes. É difícil dizer se são canalhas, aposto que não, ser canalha implica duplicidade pelo menos e os radicais islâmicos dizem precisamente ao que vêm.

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