«Quando se noticia que foi esgotada a capacidade das unidades de queimados a nível nacional, é de perguntar o que aconteceria numa tragédia de dimensões maiores. Não estamos a falar em centenas, aparentemente a capacidade fica esgotada nas dezenas. Abusa-se da sorte nestas poupanças.
E se as estatísticas servem para alguma coisa, serviriam também para perceber qual a razão que faz com que alguns anos pareçam ter muito mais incêndios postos do que outros.
Não deixa de ser irónico que, numa época em que a vigilância sobre os cidadãos seja cada vez maior, com múltiplas câmaras, imagens satélite, etc… a vigilância sobre os incêndios seja pior do que há 50 anos.»
Do nosso leitor da Maia. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

Alguém me disse que para deixar este país em estado de sítio, e provocar o caos político, bastaria um grupo terrorista se dedicar ao fogo posto. Este assunto não tem sido visto pelos militares como um problema de defesa nacional, devido a ser assumido que os incêndios são algo fortuito e ocasional.
O conceito clássico de defesa nacional está ultrapassado, porque há muitas formas de um país ser alvo de ataque organizado. A resposta militar perante a ameaça de incêndios generalizados parece que se resume a um “deixa arder”…
O Presidente, enquanto chefe máximo das forças armadas, deveria nestes casos graves empenhar-se pessoalmente na resolução do problema, e não alhear-se dele.
Infelizmente tenho a nítida sensação, daquilo que li e ouvi, que este ano houve alguns erros de posicionamento (comando?) com consequências fatais. Penso que uma das últimas vítimas morreu a tentar salvar o carro da corporação. E sim, a resposta, não só militar mas de várias pessoas com experiência e responsabilidades nesta área parece ser efectivamente “deixa arder” se não se tratar de pessoas, casas, etc. A ideia de quem se podem impedir os incêndios florestais nas nossas condições geográficas há-de lentamente ser substituída pela ideia de que se pode e deve limitar os seus efeitos negativos (gerindo o combustível através de pastoreio dirigido, fogos controlados de inverno, etc., procurando tornar sustentáveis as actividades que redundam numa diminuição do combustível e não simplesmente atirar dinheiro para a questão e, last but not the least, não pôr homens e mulheres em situação de risco absoluto como combater um incêndio florestal em declives de 60% como li).
Isabel, essa é uma análise bastante lúcida.
Francamente, aquilo que se chamou tecnicamente “efeito chaminé” pareceu-me ser algo do mais estrito bom senso – se o fogo arde em baixo, não deveria passar pela cabeça de ninguém combatê-lo colocando-se por cima dele. Basta pegar fogo a um papel para saber o que acontece aos dedos que o agarram por cima.
Não tenho dados para especular, mas vejo o que se passa com certos “cursos de formação”… há muitos floreados secundários, para justificar “peritos” de tudo e mais alguma coisa, e os alunos não dão relevo ao essencial.