4 comentários em “As canções do século (1348)”

  1. De onde é o “jazz”?
    Esta era a pergunta que minha avó me fazia quando havia baile na colectividade da minha aldeia. Era gaiato, não sabendo o que responder, calava-me, e a coisa ficava por ali. Já mais graúdo, e vindo a saber o que era o jazz, muitas vezes me interroguei, nunca chegando a concluir o que quer que fosse, qual a razão de ela chamar de “jazz” ao conjunto musical que vinha abrilhantar tão distinto acontecimento.
    Os blue /jazz versus cante alentejano. Para mim são duas expressões musicais que muito se assemelham. Quer no tipo de origem, que na forma.
    Os negros do Sul dos USA, as plantações de algodão, a sua exploração laboral, a sua forma lenta de se expressarem musicalmente são em tudo parecidas, menos na dimensão e na raça, com os campos de trigo no Alentejo de perder de vista,
    os míseros ordenados para quem trabalhava de sol a sol, e a tão intrínseca e genuína lentidão do cante alentejano.
    Em tom de brincadeira, quando se fala do que faríamos se nos saísse o Euromilhões, eu digo sempre: Convocaria os mais ilustres estudiosos dos blues/jazz e do cante alentejano, historiadores ligados ao assunto, os melhores e puros grupos de um e do outro lado do mar, e punha-os a falar e discutir sobre essa semelhança.
    As conclusões seriam apresentadas num colóquio cujo grande finale , seria um grande concerto de blues, jazz e cante alentejano.

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