O cerco ao Presidente


Adolfo Mesquita Nunes,

José Sócrates soube esperar pela data limite para a dissolução da Assembleia da República para radicalizar o discurso, se necessário no estrangeiro e perante credores, e colocar o ónus da aprovação do Orçamento na oposição.

 

 Esta estratégia é boa para o PS e funciona. Pena que não seja boa para o país e que apenas funcione porque o Presidente da República se chama Cavaco Silva.

 

Por mais do que uma vez atraiçoado pelo Primeiro-Ministro, não estava já na hora de o Presidente da República se ter apercebido que, com Sócrates, não há regular funcionamento das instituições democráticas, precisamente porque este funcionamento se não confunde com a garra ou a motivação ou lá o que é do nosso Primeiro, que lhe serve de justificação para a funcionalização do Estado a seu bel-prazer?

 

Ao contrário do que por aí se escreve, não foi Passos Coelho o maior encurralado com a estratégia de Sócrates. Foi o Presidente da República. E se Passos foi encurralado porque não tem grandes opções, já o Presidente foi encurralado porque quis. Ou por sistemática nabice, que é pior. 

6 comentários em “O cerco ao Presidente”

  1. Também ao contrário do que por aí se escreve, creio que o PS está pouco ou nada interessado em ver aprovado o Orçamento. Interessa-lhe apenas lançar culpas sobre os outros para sair de cena tão airosamente quanto possível no meio da maior crise das últimas décadas em Portugal. O tacticismo, sempre o tacticismo.

  2. Ainda mais quando o Primeiro-Ministro tentou, por tudo, não tecer qualquer comentário sobre a crescente tensão política que se vivia em Portugal, no final da semana passada. Encurralado pelos jornalistas ( entenda-se pela TVI) em Nova Iorque, o PM ainda tentou manipular a liberdade de imprensa, ao tentar que nenhum jornalista o confrontasse com perguntas sobre a actualidade nacional. Sem sucesso. Valeu a persistência da TVI para que Sócrates dissesse à frente das câmaras o que há muito deveria ter comunicado ao país: vêm aí mais impostos, mais cortes e que se demite caso o Orçamento não seja aprovado.
    É a estratégia do Governo. Omitir, adiar e esconder até que o ónus recaia sobre outros.

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