E pergunto-te: que outras palavras queres?
A música sonora de um ócio?
O espesso manto com que o veludo se escreve?
O fundo luminoso do azul?
Poderia dar-te todas as palavras na caixa do poema;
ou emprestar-te o canto efémero em que se escondem do mundo.
Mas não é isso que me pedes.
E a vida que pulsa por entre advérbios e adjectivos esfuma-se depressa,
quando procuramos seguir a linha do verso,
O que fica?, perguntas-me.
Um encontro no canto da memória.
Risos, lágrimas, o terno murmúrio da noite.
Nada, e tudo.
