Nuno Júdice


Patrícia Reis,

E pergunto-te: que outras palavras queres?

A música sonora de um ócio?

O espesso manto com que o veludo se escreve?

O fundo luminoso do azul?

Poderia dar-te todas as palavras na caixa do poema;

ou emprestar-te o canto efémero em que se escondem do mundo.

Mas não é isso que me pedes.

E a vida que pulsa por entre advérbios e adjectivos esfuma-se depressa,

quando procuramos seguir a linha do verso,

O que fica?, perguntas-me.

Um encontro no canto da memória.

Risos, lágrimas, o terno murmúrio da noite.

Nada, e tudo.

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