A brigada anti-bomba da polícia de Nova Iorque esvaziou rapidamente a Times Square e os quarteirões circundantes para poder verificar e desactivar um carro armadilhado. Foi alvo de reconhecimento institucional pelo sucesso da operação. Está certo. Mas ninguém pode ficar mais tranquilo por isso: a operação policial não era a resposta à operação terrorista, mas apenas a acção óbvia por ter sido visto fumo suspeito a libertar-se do carro.
Não fôra o trabalho mal amanhado dos bombistas e o engenho teria deflagrado no coração de Nova Iorque, bem junto da Broadway. Ou seja: o acto terrorista apenas falhou por qualquer defeito na montagem do dispositivo, que tinha relógios e explosivos para fazer muitas vítimas. Apesar do imenso controlo das polícias de intervenção, de inspecção e de informações que mudaram por completo o nosso quotidiano, alguém pode andar mais tranquilo? Claro que não. Nem na América, nem na Europa. Quer isto dizer que continuaremos a ter pela frente as vítimas e o luto desta guerra, mesmo que não baixemos os braços e não renunciemos aos enormes inconvenientes que nos tolhem os passos e nos limitam a livre movimentação.
A nova guerra mundial não deixa de ser guerra por ser nova. Não é mais limpa, não é menos mortal e tem os seus campos de batalha.


Inventam bem bombas para rebentar, a fim de justificar mais uns milhões para o bolso, perdão, necessários para o combate ao “terrorismo”.