Nos seis primeiros meses do ano existiam 462.413 inscritos nos centros de emprego, mais 84.751 do que os observados em igual período do ano passado e mais 48.767 do que no primeiro semestre de 2007. Por outro lado, o desemprego de longa duração regressou ao seu nível máximo. Na quinta-feira, com uma chocante indiferença ao drama social do desemprego galopante, um Sócrates eufórico anunciava "o princípio do fim da crise", logo secundado pelo habituais propagandistas de serviço, sempre em uníssono com o chefe. Hoje, afinal, o primeiro-ministro deu o dito por não dito: "Não é o fim da crise. Não. Estamos longe disso." Percebeu-se que neste intervalo de quatro dias teve oportunidade de assimilar o sábio conselho do presidente do Bundesbank: "É demasiado cedo para decretar o fim da crise."
Infelizmente, para os 507.700 desempregados contabilizados oficialmente em Portugal, começa a ser tarde. Demasiado tarde.
Fotograma do filme As Vinhas da Ira, de John Ford (1940)


Pedro, existe, de facto, uma diferença entre fim da crise e início do fim da crise. Sócrates meteu, sem margem para dúvidas, os pés pelas mãos, ao querer desmentir (e pensou que desmentiu) o que disse anteontem, sem o desmentir, já que os dois conceitos não são iguais. Já vários economistas (portugueses e estrangeiros) vieram a público afirmar que a crise mundial está mais perto do fim e que o pior já terá passado, já batemos no fundo, se bem que isto ainda levará muitos meses até se recompor. Até Obama já veio falar em início do fim da crise, há algumas semanas, antes de Sócrates, portanto, sustentando as suas afirmações no, salvo erro, aumento do número de vendas de automóveis. Também considero que, daqui para a fente, não piorará mais, mantendo-se, apesar de tudo, com um elevado número de desempregados por algum tempo e com o défice alto, até a economia retomar um crescimento mais satisfatório.
Entretanto, fiz um post a “picá-lo”, por isso convido o Pedro a ir ao Pátio lê-lo.
Abraço.
Já lá vou, Ricardo.
Abraço