Notas breves sobre a noite eleitoral


Diogo Novo,

1. Ao contrário do que foi dito por António Costa, os portugueses não gostam da geringonça. Os portugueses gostam do PS. Os socialistas reforçaram o seu respaldo eleitoral, mas o Bloco de Esquerda perdeu mais de 57.000 votos e a CDU mais de 115.000 (um desaire colossal). Ver nestes resultados um triunfo da geringonça é um delírio.

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fonte: SGMAI

 

2. O resultado do PSD é inenarrável. Pior só mesmo o discurso de Rui Rio. O Pedro Correia já aqui disse o essencial sobre o assunto.

 

3. Mais do que um mau resultado, o CDS pode ter iniciado o princípio do fim. A próxima liderança será determinante.

 

4. Dos pequenos partidos que entram o parlamento, o mais votado foi o Chega, ainda que por margem diminuta. É favor abrir os olhos. A culpa não é dos eleitores, frequentemente acusados de incultura quando partidos desta natureza chegam aos parlamentos (aliás, olhando para a votação por grau de escolaridade, o campeão junto daqueles que menos formação têm será o PS). Os eleitores têm sempre razões atendíveis e importa compreendê-las.

 

5. A Tunísia também foi às urnas ontem. Tem cerca de 11 milhões de habitantes e 7 milhões de eleitores. Portugal tem mais ou menos a mesma população e mais de 10 milhões de eleitores. Um destes países tem um Ministério para a modernização administrativa.

22 comentários em “Notas breves sobre a noite eleitoral”

  1. Mas a Tunísia tem uma população muito mais jovem que Portugal.
    Mas a Tunísia não tem tantos emigrantes como Portugal (ou então, tem-nos mas não lhes concede direito de voto).

  2. Só duas questões :

    Há mais 1 milhão e duzentos mil eleitores do que nas legislativas passadas.

    Tendo em conta que nas anteriores legislativas o CDS conseguiu 18 deputados, e considerando a sabotagem do grupo parlamentar do PSD feita a Rui Rio(caso Silvano ;a prática era corrente, em todas as bancadas, há muito tempo) , o resultado não foi dramático (bem longe dos 21-23 % vaticinados).

    Veja as contas do partido agora, com as herdadas por Rui Rio

    1. Veja mapa do país por distrito. A derrota do PSD é insofismável.

      Quanto às sondagens que situavam o PSD nos 20%: o dr. Rio só tem de lhes agradecer. Se as expectativas não estivessem pelas ruas da amargura ontem não tinha conseguido salvar a face (ainda que mal).

      1. Diogo, em plena afirmação política, do novo líder partidário, é marcado um congresso extraordinário, agendado por Luís Montenegro :

        Segundo Rangel:

        Rio “Abrir uma crise política em pleno período eleitoral, a meio do mandato, sem haver nenhum acontecimento excepcional, sinceramente é algo que é inédito, e que não é bom nem é positivo, e do meu ponto de vista até surpreende porque deixa mal as pessoas que estão a fazer isso”.

        Houve toda uma sabotagem à liderança de Rio, como raramente vi no PSD. E única, porque nunca houve no PSD uma tentativa de revolucionar ideologicamente o partido (só talvez com Emídio Guerreiro) como a tentada por Passos Coelho e Zita Seabra (

        Mesmo aquela “cena” do Silvano foi plantado por gente do Partido.

        A partir de hoje Rui Rio deixará de ter desculpas

  3. Grande resultado o do Rui Rio!! O PS nao teve a maioria absoluta depois de ter eposto o dinheiro…a questao dos passes…as condicoes economicas ….depois da tragedia das autarquicas, das europeias, afirmar que o resultado das legislativas do PSD e mau …ridiculo!!!

  4. Um dos grandes derrotados da noite foi o PS, senao conseguiu a maioria absoluta com as condicoes que teve…por mais que a classe jornalista queira negar…o grande vencedor da noite, o PSD!!!

  5. Os portugueses gostam do PS mas não o amam, ficaram ali entre a friend zone e a amizade colorida, uma espécie de dei-te quase tudo.

  6. Quanta parte da derrota pode ser atribuída à PAF e a Passos, quando defendiam que não havia política alternativa aos cortes no Estado Social, reformas e salários? O PS, embora na prática tenha feito o mesmo, fê-lo de uma forma muito mais hábil que o PSD, de então. Empregou outro discurso, mudou de políticas, conseguindo os mesmos objectivos. Uma coisa é as pessoas sentirem – se mais desafogadas, outras estarem mais desafogadas. E o PS conseguiu que as pessoas se sentissem “melhor” , não o estando. E o eleitorado ainda não se esqueceu das jeremiadas de Passos e sus muchachos. Rio teve de combater, também, por isso. Agora é dar-lhe tempo no Parlamento.

    1. Já cá faltava o “a culpa é do Passos”. Isto é como a herança do colonialismo: passam os anos (as décadas e os séculos), mas a culpa dos males presentes é sempre do antigo colonizador.

    2. O PS tem os jornais e jornalistas. O PSD não tem.
      E por isso a Esquerda pode ameçar e se necessário fazer violência política e Direita não.

      A construção da “realidade” é feita assim. Se o Governo Costa fosse o Passos a fazer as mesmas políticas teríamos as “Comissões de Utentes” a protestar por tudo – os jornalistas nunca estão interessados em quem fabrica as comissões de utentes – Os jornalistas escolheriam os melhores angulos para ainda reforçar a aparência de ainda maior participação. Como fizeram com Passos no governo, gostavam muito de colocar as cameras em close ups, e de baixo para cima, por exemplo. Tudo tácticas de manipulação.
      O Governo teria caído com os incêndios após manifestações de dezenas de milhares de pessoas no Terreiro do Passo , bloqueios de estradas e autoestradas…

      lucklucky

    3. Quando A. Costa chamar a Tróica -dois anitos ?- só espero que Rui Rio não caia no erro masoquista de Passos Coelho.
      Deixe o PS ficar a fazer os cortes nos vencimentos, reformas e regalias dos funcionários públicos, o eleitorado do PS e que a comunicação social afecta ao PS diz ter sido uma iniciativa atribuível a Passos Coelho. Como se este além de masoquista também fosse sádico.

      1. O PS cairá de podre. Imagine o que não se ficará a saber em mais 4 anos… Está aí a Operação Marquês, Tancos… A recessão alemã…o eleitorado português é míope. Só vê o mundo da porta de casa. Interessante constatar que quanto menos escolaridade mais eram os votantes no PS

  7. O Diogo Noivo deveria escrever um post era sobre a Espanha e o Ciudadanos que é mais a sua praia mas até agora ainda não conseguiu …
    Temos de acabar com o sistema parlamentar afinal o PS teve maioria absoluta e esquerda controla 2/3 do parlamento, também nada mais era de esperar após a enorme distribuição de prebendas aos pobres.
    Epá metam a viola no saco e entreguem o vosso cartão de militante, deixem-se de tacticismos e assumam-se …

    WW

    1. Como quase sempre, ao lado, WW.

      Já escrevi sobre o Ciudadanos aqui: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/atraccao-pelo-abismo-pub-11086279. Aliás, não é a primeira vez que o WW me manda escrever sobre Espanha depois de eu o ter feito. Evidentemente, ninguém o obriga a ler o que eu escrevo (mais faltava), mas não exija o que já está tratado.

      Igualmente ao lado a referência a cartão de militante. Não sou nem nunca fui militante de qualquer partido político.

      1. Tem razão ,após 4 meses lá botou um texto, mas como não estava completo e não assinante do jornal em causa decidi passar ao lado, não comento textos truncados e tenho pouca paciência com afirmações retiradas do contexto…
        Bom, bom era no tempo do diário económico e do jornal de negócios duas verdadeiras referências da informação económica que eram tão boas mas tão boas e sobretudo sérias que ainda hoje se publicam e têm cada vez mais leitores que querem estar informados sobre as brilhantes medidas de gestão dos melhores CEO de Portugal.

        WW

  8. Isto é como o futebol. Que o PSD não joga nada, é verdade. Mas não é mentira que o campo estivesse inclinado.

  9. Na falta de possibilidade de contacto via email dado que a conta email da página parece ter sido suspensa por inatividade, vejo-me obrigada a utilizar este meio para informar que tanto a Tunísia como Portugal têm Ministério para a Modernização Administrativa

    Tunísia – http://fr.tunisie.gov.tn/membre-de-gouvernement/127/3-morjane.htm

    Portugal – https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/area-de-governo/presidencia-e-modernizacao-administrativa/ministro

    1. Cara Vera,
      Tem razão. Ponto final. Noto – e creio que a Vera também notará – alguns pontos que ficaram ausentes do seu comentário. Primeiro, Portugal tem Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa e a Tunísia um Ministro da Função Pública, da Modernização Administrativa e das Políticas Públicas. É bom de ver, sobretudo conhecendo minimamente a realidade política tunisina, que o ministro de Túnis tem uma pasta pesada que vai muito além da modernização – já da sua congénere portuguesa não podemos dizer o mesmo.
      Segundo, a Tunísia passou muito recentemente por um intenso e turbulento processo político, cujas consequências ainda ecoam pela região. E embora esteja a fazer uma transição democrática com um sucesso apreciável, são vários e complexos os desafios que enfrenta. Ademais, convenhamos que em Túnis a modernização administrativa é importante, mas na lista de prioridades há outras mais prementes.
      Terceiro, as diferenças entre os pontos de partida. Aqui escuso-me a grandes explicações, pois parece-me evidente que Portugal tem melhores condições para ter cadernos em ordem.
      Em suma, havendo ‘de jure’ ministros para a modernização administrativa dos dois lados do mediterrâneo, creio não ser abusivo que ‘de facto’ só existe aqui. Ainda assim, a Tunísia mostra-nos como se faz.
      PS – Não se sinta obrigada a nada; apareça quando quiser.

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