
Apesar de tudo, resta-nos a nostalgia. Nos anos 80, as raparigas eram magricelas e apenas um bocadinho mandonas. Nos amores e na vida, não havia os exageros desta nossa época de plástico, de bebés-chorões e autênticos-falsos. As questões de identidade ainda não dominavam a vida das sociedades e, embora o assunto fosse discutido, não havia terrores climáticos. As velhas fotografias encheram-se de um estranho cor-de-rosa a envolver o grão, mas ainda conseguimos ver o cabelo esquisito e as roupas descoloridas e os carros, cujos motores ronronavam como gatos felizes. Lembro-me de quase tudo: as pessoas sorriam umas para as outras, pois era assim naquele tempo, de jornais a preto e branco e televisores todos com o mesmo programa. Não era crime ser conservador, tínhamos medo da guerra nuclear, ao contrário do que sucede nesta nossa época irreflectida que, tendo perdido o medo, anda a acender fósforos nos paióis. Havia pânico nos mercados, a inflação doía, mas os eleitos tinham mais autoridade e as instituições pareciam sólidas. Hoje, autoridade tornou-se uma palavra suja e os políticos descrevem-se em frases curtas. Nos anos 80, os nossos computadores eram brinquedos complicados, ainda recém-nascidos, pouco se fazia com eles. Agora, temos máquinas inteligentes que cabem no bolso do casaco, frigoríficos pensativos e caixinhas com bibliotecas, mas já não temos tempo para pensar ou escrever um poema que não seja sintético, nem discutimos as dúvidas calmamente sentados à mesa. Vamos ao cinema e vemos umas películas violentas, com fogo-de-artifício e nenhuma ideia, ao contrário daquele tempo, quando o escuro da sala servia também para namorar jovens magricelas. Ganhámos em cinismo e solidão, deixámos de saber se aquilo que vemos é verdade ou mentira. Perdemos em quase tudo: a música era mais inocente e genuína, a liberdade tinha mais sonho e ousadia, a vida não precisava de ser aumentada.

Bem vindos(?) ao “Admiráve”l mundo novo.
Boa Páscoa
La nostalgia (del griego clásico νόστος [nóstos], «regreso», y ἄλγος [álgos], «dolor»)1 es un sentimiento de tristeza mezclado con placer y afecto cuando una persona piensa en tiempos considerados felices del pasado,2 también descrita como un sentimiento de anhelo por un momento, situación o acontecimiento pasado.
El término “nostalgia” fue acuñado por médicos suizos a finales del siglo xvii, para describir la sensación de añoranza por el hogar que sentían los
soldados.
não faz parte do meu quotidiano
Boa fanfic.
Síntese perfeita destes tempos…
Não sou um grande conhecedor dos anos 80 mas pelo menos para os 90 houve uma alteração de hábitos brutal. Nessa década os miúdos como eu brincavam nas ruas uns com os outros, à apanhada às escondidas, jogávamos à bola, ao berlinde, etc, etc, sempre que tínhamos um tempo livre. As raparigas usavam daqueles fatos de treino das feiras e não se enpiriquitavam todas como agora. Os rapazes mais velhos tinham quanto muito a sua DT ou acelera e alguns poucos, mais velhos lá conseguiam o carro do pai emprestado para irmos todos ao Algarve à disco… Era a loucura, todos nos conhecíamos, todos fazíamos a festa com pouco. Hoje a malta dessa idade vive por detrás de um ecrã a “socializar”, os miúdos mal brincam nas ruas uns com os outros os rapazes mais velhos têm carros às ordens a quem dão pouco ou nenhum valor, enfim tenho saudades daquela simplicidade e agradeço muito por ter sido uma criança naqueles anos e não agora, pois acho que se era muito mais feliz.
As meninas já se enpiriquitavam todas nos anos 80 a não ser que se esteja a referir à “plastificação” dos dias de hoje…
Muito bom, na sexta feira assisti a um filme de 1987 chamado ” aventura fora de horas” com uns pré adolescentes, e julgo que a nova censura ainda não o viu.
Belo texto, excelente título. Revejo-me inteiramente neste seu pensamento. Sobra a nostalgia que com agrado me acompanha no passar do tempo.
E além de tudo isso havia o Rock Rendez Vous…