Leituras


Pedro Correia,

orwell.jpg

«No dealbar do terceiro milénio, e no momento em que as revoluções russa, chinesa e cubana se afundam no horizonte, é possível argumentar que a revolução americana, com a promessa de uma democracia cosmopolita, é a única revolução “modelar “que resta à humanidade.»

Christopher Hitchens, A Vitória de Orwell (2002), pp. 101-102

Ed. Verbo, 2012. Tradução de Vasco Gato

11 comentários em “Leituras”

    1. “Muito interessante, porque tenho a impressão de que os esquerdistas costumam gostar dele.”

      Como?
      Os Comunistas tentaram-no matar na GC de Espanha.
      Ele ainda indicou todos os suspeitos de espiar para os Soviéticos e fazia claramente parte do “establishment”.

      O Prevent’s Research Information and Communications Unit (RICU) – um grupo do Governo supostamente conservador do Reino Unido já veio dizer que ele faz parte dos autores contribuem para o extremismo da direita, entre outros:

      Orwell
      Tolkien
      Aldous Huxley
      William Shakespeare
      A serie de TV Yes Minister e Prime Minister

      1. Referia-me mais ao que leio pelas redes sociais e blogues, quando se reclama contra a pretensa censura. Muitos fazem a comparação com o “1984” de Orwell, tanto esquerdistas como direitistas. É óbvio que esses esquerdistas não conhecem Orwell.

        Tanto à esquerda (principalmente comunistas), como à direita, há conservadores, pessoas que vêm com suspeição e receio qualquer modificação na sociedade.

        Sobre essas modificações, muito se podia discutir (sobre o que é vantajoso, ou desvantajoso, mesmo perigoso; sobre o que é inofensivo, etc.). Aqui, limitei-me a falar de uma maneira geral.

  1. Uma revolução feita por donos de escravos que achavam que as mulheres não deviam ter direitos? Diz-me o que defendes e dir-te-ei quem és.
    Já a revolução chinesa está tão afundada que a China até é o único império em ascensão neste momento, enquanto o americano e o russo estão em decadência.

    1. “Revolução” chinesa? Qual revolução? Presos políticos? Supressão de todos os direitos? Partido único? Maiorias oprimidas? Tibete independente invadido e asfixiado? Mão-de-obra escrava?
      Milhões de mortos nos anos 60 e 70, vítimas da sanguinária repressão dos “guardas vermelhos”?
      Isto é “revolução”?
      Há sempre um canalha (geralmente anónimo) pronto a entoar hossanas aos regimes mais despóticos e opressores.

  2. A Bidencracia também já cavou a própria sepultura, e em breve será enterrada e espero que não ressuscite.

  3. vê-se que foi escrito em 2002 …ou antes. ó pá , América como modelo , só se for de degradação moral e social.

    1. Bem observada, essa data de 2002. Se fosse um ano mais tarde, com a invasão do Iraque, Hitchens já não se teria atrevido a escrever o mesmo.

  4. a revolução americana, com a promessa de uma democracia cosmopolita

    Se Christopher Hitchens tivesse lido um bocado sobre a matéria, saberia que:
    (1) A “revolução americana” teve contra si talvez metade dos americanos.
    (2) Àparte esses, teve contra si a maioria dos povos índios, que apoiaram a coroa inglesa.
    (3) Que Geoge Washington designou os índios como “lobos vestidos com peles de cordeiros”.
    A revolução americana foi tudo menos aquele belo ideal de democracia que nos é vendido. E desde o princípio, claro, os que a fizeram tiveram o cuidado de excluir da cidadania os escravos, para além dos índios.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *