Mãe galinha que sou, sempre pensei que não haveria causa que pudesse alguma vez colocar acima da integridade física do meu filho. Mais: nunca entendi como podia haver mães que sentissem e pensassem o contrário. Até que comecei a assistir a esta guerra em directo e a admirar, comovida, o estoicismo das mulheres ucranianas. Quedo-me estupefacta a ler nos seus rostos o desespero embrulhado em revolta, o conformismo valente de quem aceita que há momentos em que é necessário fazer sacrifícios pessoais, por mais dolorosos que sejam. Vejo-as e pergunto-me se era capaz. Acho que não. Mas apercebo-me de que em mim alguma coisa mudou. Porque agora eu entendo.
Neste Dia Internacional da Mulher ergo a minha taça a todas estas heroínas. Que o seu sacrifício não seja em vão.

desculpe a extensão do texto
«¡No es verdad! La raza, lo que tú llamas raza, es ese hatajo de pobres diablos como yo, legañosos, piojosos, ateridos, que vinieron a parar aquí perseguidos por el hambre, la peste, los tumores y el frío, que llegaron vencidos de los cuatro confines del mundo. El mar les impedía seguir adelante. Eso es Francia y los franceses también.» …
«¡Tienes razón, Arthur! ¡En eso tienes razón! Rencorosos y dóciles, violados, robados, destripados, y gilipollas siempre. ¡Como nosotros eran! ¡Ni que lo digas! ¡No cambiamos! Ni de calcetines, ni de amos, ni de opiniones, o tan tarde, que no vale la pena. Hemos nacido fieles, ¡ya es que reventamos de fidelidad! Soldados sin paga, héroes para todo el mundo, monosabios, palabras dolientes, somos los favoritos del Rey Miseria. ¡Nos tiene en sus manos! Cuando nos portamos mal, aprieta… Tenemos sus dedos en torno al cuello, siempre, cosa que molesta para hablar; hemos de estar atentos, si queremos comer… Por una cosita de nada, te estrangula… Eso no es vida…» … «Es verdad, tienes razón a fin de cuentas -convine, conciliador-, pero, en fin, estamos todos sentados en una gran galera, remamos todos, con todas nuestras fuerzas… ¡no me irás a decir que no!… ¡Sentados sobre clavos incluso y dando el callo! ¿Y qué sacamos? ¡Nada! Estacazos sólo, miserias, patrañas y cabronadas encima. ¡Que trabajamos!, dicen. Eso es aún más chungo que todo lo demás, el dichoso trabajo. Estamos abajo, en las bodegas, echando el bofe, con una peste y los cataplines chorreando sudor, ¡ya ves! Arriba, en el puente, al fresco, están los amos, tan campantes, con bellas mujeres, rosadas y bañadas de perfume, en las rodillas
Os séculos passam e isto, que é essencial, não muda.
Sun Tzu – Arte da guerra (7)
“A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço”
“Mulher derruba drone russo de uma varanda com uma lata de… tomates”
A sério?!
Foi o que li e acreditei.
Como eu compreendo o que escreve, Teresa. Não consigo olhar para os meus netos sem chorar. O medo dá-nos um nó que vai da garganta às tripas. A escolha é entre a possibilidade de os voltar a ver vivos . A outra opção não se põe porque para estas mães não é opção.
Junto-me a si na homenagem com uma prece de gratidão e coragem.
Bem hajam.
Completamente de acordo consigo, Teresa. Entendo tão bem, mas tão bem o que escreve. Essas mulheres ucranianas, esposas, mães e filhas que, ao longo destes dias insanos, vêm mostrando mundo que as mulheres não são, realmente não são, o elemento frívolo e decorativo da humanidade a que ainda tentam reduzi-las, e que a sua força se mede em coragem e exemplo da mais sublime abnegação.
Também eu, hoje, ergo a minha taça por “elas”.
Cara fatimap,
Lamento que viva num contexto onde as mulheres são o elemento frívolo e decorativo.
No “meu mundo” sempre estive (e estou) rodeado de mulheres fortes, interventivas e sábias; ajudaram-me muito a ser a pessoa que sou.
Um feliz dia da mulher e não esqueçamos as operárias de Chicago que faleceram num oito de Março.
É isso, Fatimap!
A todas as mulheres ucranianas 💐 🥂 💐
Tchim tchim!
Infelizmente este é apenas um episódio da história que sempre foi recheada destas situações. Nós é que estamos adormecidos. Como terá visto a minha avó ver o meu pai ir para a guerra em África? Ou a minha mãe ter o primeiro filho com o meu pai longe. Sempre houve destes eventos, arrisco-me a dizer que sempre haverá e que temos que lutar para serem cada vez mais raros. Mas não esqueçamos a história. É o espelho onde nos podemos ver. O que outros fazem hoje já fizemos nós no passado e talvez voltemos a fazer no futuro.
Desta vez, porém, assistimos em directo. Vemos e ouvimo-las e o testemunho que dão revela uma força de espírito admirável, que reflecte a coragem e o estoicismo do seu povo, um povo que ao longo dos tempos tem comido o pão que o diabo amassou.
Obrigado por este seu poste
Como seria importante ter aparecido a sua voz nos anos de 1961 a 1974.
(e milhares de mães poderiam ter gritado para que os seus filhos não fossem para a guerra)
A Rosa Silvestre gritou, e nunca quis enfeitar o ramo da tirania.
Cara Teresa Ribeiro,
Excelente texto.
“Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher”, dizem.
Não concordo, lado a lado, homens e mulheres tornam-se grandes, tornam-se fortes.
Como dizia Bob Marley: “Às vezes ser forte é a única hipótese”.
Obrigada, Pedro.
Boa frase, a do Bob Marley!
É o que faz à la mode.
Há anos este poste ‘Neste dia Internacional da Mulher’ não existiria, ou seria comentado como umas coisas das esquerdistas radicais.
Nos últimos anos não tem faltado quem queira colocar as reivindicações relativamente à causa feminista à esquerda radical. Incluindo mulheres. Como se essas causas não fossem transversais afectando as mulheres em todos os modelos de sociedade e em todas as classes sociais. Mas hoje a discussão é outra e este meu post é para as guerreiras ucranianas. Que a coragem não lhes falte!
Queria dizer “quem queira colar” e não “quem queira colocar”
Que o seu sacrifício não seja em vão.
Nem mais. Temos de derrotar Putin rapidamente.
Bom DIM e cumpts
E que chistosos, não blaterem graçolas, como “O dia da mulher, é quando um homem quiser”.

Ouvi dizer…se pega com Natal….
Eu, não disse isto.
Eu, não estive aqui.