Arquitectos e a Guerra


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Na minha “bolha” egocentrada (FB/Twitter/Feedly/Whatsapp) os apoios (mais ou menos sob robes “compreensivos”) à invasão russa continuam, e têm características que seriam patuscas se aquilo não fosse uma desgraça:

 

1 – Os com grande afã em divulgar a “Voz da Rússia”: um padre boffiano chega a enviar-me uma entrevista radiofónica de um qualquer embaixador russo, “camaradas e amigos” do PCP produzem “reader’s digest” da imprensa russa, e chegam a partilhar postais de consabidos soberanistas, estes sempre nacionalistas hiper-conservadores, antes ditos “reaccionários” quando não mesmo “fascistas” (!). É mesmo o “les beaux esprits se rencontrent”, um colóquio no qual coincidem com gente daquela “direita profunda” (fica bem dizer assim) que se afadiga a divulgar as malevolências da UE, da “imprensa ocidental” e, mais do que tudo, da NATO – e nestes últimos, os da direitalha furibunda, a aversão a esta é mesmo fruto da nostalgia do Eixo que os move.

 

2. Entre outra rapaziada de esquerda também continua alguma exaltação contra os culpados de tudo isto, os satânicos EUA e a malvada Europa. Mas os vozeares desse núcleo diminuíram – pelo menos na minha tal “bolha” -, porventura devido a algum acabrunhamento (as imagens televisivas maceram algumas crenças, apesar dos “princípios ideológicos”). Ou fruto de algum ziguezague das lideranças bloquistas – e, talvez ainda mais do que tudo, do risível “gâchis Mortágua”, que aquilo nem “affaire” é…

 

3. Há um terceiro núcleo de activistas avessos a uma condenação da invasão russa, os militantes do blaseísmo, essa ideologia dominante da pequeno-burguesia arrivista lisboeta (com sucursais no Porto). Ciosos em criticarem a expressão de sentimentos, indignações ou mesmo análises alheias, as quais consideram coisa “tããõ po-vô”, tão popularucha, desta gente desinformada que saltita entre o big brother e o futebol mas que se atreve a opinar, assim a querer parecer como… “nóós!”. Confesso que a este grupo prefiro – excepto uma ou outra facebuquista destas, particularmente bem apessoada – os velhos comunistas, empedernidos.

 

4 – E depois tenho os correspondentes austrais, desalvorados na sanha avessa aos “ocidentais” – que é como chamam aos “brancos” – e que encontram virtudes nos russos que desconhecem em búlgaros, polacos ou eslovacos. Mas isso é assunto que precisaria de mais espaço, outro postal… Ou outra vida.

 

Enfim, para todos os correspondentes, os acima referidos e outros que não constam deste rol, mas acima de tudo para arquitectos e estudantes de arquitectura, austrais e setentrionais, não poluídos pela peçonha da blaseíte, aqui deixo este notícia: numa Rússia com um sistema judicial duro, e onde estão presas milhares de pessoas por se oporem à guerra, há dias este abaixo-assinado de arquitectos e urbanistas contra a invasão da Ucrânia já tinha 6500 assinaturas.

 

Devem ser, para os tipos que acima indico, “pô-vô”. Ou “ocidentais”. Ou “agentes dos americanos”. Ou coisa parecida.

 

5 comentários em “Arquitectos e a Guerra”

  1. PIERRE CLASTRES in LA SOCIÉTÉ CONTRE L’ÉTAT
    peut-on questionner sérieusement à propos du pouvoir ? Un fragment de Par-delà le bien et le mal commence ainsi : « S’il est vrai que de tous les temps, depuis qu’il y a des hommes, il y a eu aussi des troupeaux humains (confréries sexuelles, communautés, tribus, nations, Églises, États) et toujours un grand nombre d’hommes obéissant à un petit nombre de chefs ; si, par conséquent, l’obéissance est ce qui a été le mieux et le plus longtemps exercé et cultivé parmi les hommes, on est en droit de présumer que dans la règle chacun de nous possède en lui le besoin inné d’obéir, comme une sorte de conscience formelle qui ordonne : “Tu feras ceci, sans discuter ; tu t’abstiendras de cela, sans discuter” ; bref, c’est un “tu feras”. » Peu soucieux, comme souvent, du vrai et du faux en ses sarcasmes, Nietzsche à sa manière isole néanmoins et circonscrit exactement un champ de réflexion qui, jadis confié à la seule pensée spéculative, se voit depuis deux décennies environ commis aux efforts d’une recherche à vocation proprement scientifique. Nous voulons dire l’espace du politique au centre duquel le pouvoir pose sa question : thèmes nouveaux, en anthropologie sociale, d’études de plus en plus nombreuses. Que l’ethnologie ne se soit intéressée que tardivement à la dimension politique des sociétés archaïques – son objet cependant préférentiel – voilà qui par ailleurs n’est pas étranger, on tentera de le montrer, à la problématique même du pouvoir : indice plutôt d’un mode spontané, immanent à notre culture et donc fort traditionnel, d’appréhender les relations politiques telles qu’elles se nouent en des cultures autres. Mais le retard se rattrape, les lacunes se comblent ; il y a désormais assez de textes et de descriptions pour que l’on puisse parler d’une anthropologie politique, mesurer ses résultats et réfléchir à la nature du pouvoir, à son origine, aux transformations enfin que l’histoire lui impose selon les types de société où il s’exerce

  2. Não percebo como alguém se pode considerar informado pelas “notícias” nesta guerra. Tal como no Covid temos basicamente propaganda.

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