Na sopa


Maria Dulce Fernandes,

22022370_VI6gj.jpeg

 

Há uns anos, fartei-me de sopas de legumes verdes. Sopas verdes fazem bem a tudo, fortificam o sistema imunitário e facilitam em todos os trânsitos do organismo, mas sabem invariavelmente ao mesmo e para mim isso do verde apenas adquiri pela osmose do casamento.

Uma sopinha sabe sempre pela vida, principalmente no Inverno, depois de um dia cansativo e gelado.

Andei uns tempos a ruminar a ideia e resolvi recrear as sopinhas da minha avó tal como a minha mãe aprendeu e me ensinou.

Parece coisa simples, mas, como todos os projectos em que me empenho, ou faço com rigor ou não faço de todo.

Uma sopa de galinha com ovo, por exemplo, tem que ter galinha-galinha.

Junto à Igreja da Memória, havia uma mercearia de géneros e vinhos, o “Torrado”, que tinha uma quinta urbana nas traseiras onde os proprietários tinham uma criação de animais de capoeira que vendiam para consumo particular, juntamente com ovos, couves tenrinhas para caldo verde, favas na vagem e feijão de descascar. Completamente ilícito? Pois claro que sim, mas a cabidela com aquelas galinhas era uma tentação daquelas que nos impelem a quebrar todas as leis.

Com o crescimento em massa das minilojas de hipermercado de bairro, o pequeno comércio tem cada vez mais tendência a desaparecer. Creio que o Torrado ainda existe, talvez como ponto de referência no bairro e lugar de recreação e encontro dos moradores mais velhos da Memória; não tem qualquer poder competitivo, rodeado por todos os lados de médias superfícies das grandes marcas do comércio a retalho.

Só podemos contar com os grandes mercados nem sempre acessíveis ou com a oferta online, que curiosamente se tem revelado bastante variada e de boa qualidade. Nem sempre se acerta à primeira, mas em encontrando é para manter.

É nesta procura da qualidade no sabor que dou por mim a ver os noticiários com uma tigela grande no colo e um saco grande de feijão com casca, favas na vagem ou ervilhas, que vou descascando com maior ou menor velocidade ou agressividade, consoante se vão desenrolando as informações noticiadas na televisão.

O resultado tem sido sempre fantástico, quer no puré de feijão com cenoura e couve, na sopa de galinha com ovo, no puré de favas com coentros, na sopa de cozido com chambão, no caldo verde com “tora” e em muitas outras, conforme me vêm chegando as ideias e as saudades dos sabores de outrora.

100 comentários em “Na sopa”

  1. o pequeno comércio tem cada vez mais tendência a desaparecer

    Como assim?!

    Nas zonas centrais de Lisboa por onde quotidianamente me desloco, há cada vez mais pequeno comércio. Cada vez mais pequenas lojas (mercearias e frutarias) são abertas por chineses, bengalis e nepaleses, esses campeões do empreendedorismo. Fazem em geral preços muito baixos e têm em geral uma enorme variedade de frutas e legumas.

      1. É pequeno comércio. Não é tradicional, mas ainda bem. O pequeno comércio tradicional feito por portugueses era, e ainda é, em geral de muito má qualidade. Vende produtos pouco variados e com pequena rotação. As lojas dos asiáticos têm muito maior variedade de produtos, e a preços muito melhores.

  2. Sopas verdes […] sabem invariavelmente ao mesmo

    Que disparate! Sabem àquilo com que são feitas. Podem ser feitas com couve roxa, ou com couve lombarda, ou com bróculos, ou com hortaliças, ou com acelgas, ou com couve galega, ou com couve portuguesa, ou com alho francês, ou com abóbora menina, etc. E todas elas têm sabores marcadamente diferentes.

      1. Eu faço todos os dias uma sopa para a minha família. E por isso não tenho qualqur dúvida, os sabores são muitíssimo distintos. Uma sopa de bróculos sabe completamente diferente de uma de couve roxa.

          1. Obrigado por informar que em italiano se escreve com o.
            Eu como bróculos portugueses e escrevo a palavra segundo as regras do ortografia portuguesa.
            Se o Pedro Correia quiser passar a escrever segundo as regras do italiano, terá muito que aprender. Por exemplo, que as consoantes mudas de que tanto gosta não existem em italiano.

        1. Aproveite a vontade para preparar uma sopinha, sem ser por computador, destas de lamber os beiços. É capaz de aguentar uns 5 dias no frigorífico. Uma conchinha se tiver conduto com o jantar. Duas boas conchinhas e fruta e tem uma excelente refeição.

          1. É capaz de aguentar uns 5 dias no frigorífico.

            Pois é, mas não recomendo. Uma sopa deve ser comida no prazo de 24 horas. Enfim, sendo puré de feijão, no dia seguinte até fica melhor. Mas os vegetais, esses devem ser postos sempre de fresco.

          2. Não é preciso um grande cozinhado para pôr todos os dias vegetais diferentes na sopa.
            Eu quando vivia na Pensilvânia fazia assim: cozia uma grande base de feijão, batata e cebola, que triturava e punha no frogorífico. Todos os dias tirava um bocado dessa base, punha-a a ferver e cozia nela rapidamente (dez minutos) um vegetal, sempre diferente (uma de diferentes couves). Assim embora a base durasse alguns (tipicamente, uns três) dias, o vegetal era sempre fresco e nunca ia para o frigorífico.
            Colocar sopa com vegetais nela no frigorífico faz com que se deteriore muito mais depressa.

  3. Gosto imenso de sopas. Sopa , pão , queijo e está feito. E , pois é , também compro pato , ovos , azeite e alguns legumes na clandestinidade..Ao que chegamos , com esta história da ” protecção do consumidor” -:)

    1. Eu sou doida por queijo, Marina. E por pão. Por mim seriam sempre qb, mas a minha roupa tende em discordar comigo.
      O sabor de todas as carnes advém principalmente da alimentação dos animais. Tudo o que é para o cosumo em massa, é alimentado a ração. Só podemos disfarçar a sensaboria com tempero.
      Uma vez por ano tenho direito a frangos/galinhas, patos e coelhos que a minha cunhada de Braga nos traz. Guardam-se para ocasiões especiais porque são mesmo fora de série.

      1. O sabor não tem nada a ver, de facto , nem a consistência da carne.. Há uns meses um senhor deu-me umas laranjas da horta dele ( já me tinha dado pêras óptimas) e, omg , já nem me lembrava a que sabiam as laranjas a sério : tão boas !

        1. Eu é figos. No tempo deles é que são bons e uoutra minha cunhada trazem-mos de Sátão . Sabem pela vida, Marina, não estão cheios de desinfectantes ou consevantes.
          Nem os produtos biológicos se poderem comparar com o que é verdadeiramente natural.

  4. Sopa é um dos alimentos favoritos no Inverno. Por vezes, é “a” refeição.
    Tem que ser quente e consistente, nada de coisas aguadas.
    Favoritas: sopa de peixe, ou de feijão vermelho com couve lombarda.
    A alternativa à mercearia do senhor Borges é o produtor que entrega ao domicílio; em praticamente todas as cidades é possível encontrar quem leve o cabaz a casa. O “senão” é ter que aguentar com o que há disponível…

    1. Também gosto muito de sopa de peixe. Faço com safio , uma massinha e muita hortelã. Esta sopa tem feijão branco e lombarda, mas para mim sopa de feijão é com feijão catarino e abóbora. Esta semana não arranjei feijão fresco. Tive que demolhar feijão seco por 2 dias. É bom, mas não é a mesma coisa .
      Uso muito as entregas ao domicílio também.

      1. Safio tem muita espinha 😛

        Normalmente a sopa de peixe vem dos restos da caldeirada, ou então é feita com cabeça do peixe. Certos peixes, somente dá para comprar a cabeça…

        1. Sim, também aproveito a caldeirada. De raíz, faço com safio. As postas” abertas” do safio não têm muita espinha e é um peixe saboroso e com bons fígados . Hâ muito poucos bons fígados por aí Anonimus

          1. Confirmo: as postas aberta do safio têm poucas espinhas – e são fáceis de tirar. E é um peixe muito saboroso.
            Nunca o dispenso nas minhas caldeiradas.

    1. Pelo-me por queijo de cabra. Mesmo. A minha tia Maria Adelaide fazia um queijo rabaçal de era de chorar por mais. Nunca encontri queijo parecido onde quer que fosse.
      Nunca fiz sopa de beldroegas, Carlos, mas já comi umas deliciosas que a minha comadre Bela faz com produtos da quintinha de Elvas.

  5. está formada em sopas:). Bom, como ninguém me ensinou a fazê-las e acho que são coisas simples que não merece receita, faço-as ao acaso do que tenho em casa e a única receita é deitar-lhe de tudo que haja e seja legume, verde, laranja, amarelo. Ficam coloridas e saborosas – a meu gosto -, não as baptizei, mas servem-me lindamente e nunca me pareceram chateadas com a designação universal. Não uso carnes, queijos, nada além de legumes. É sopinha de pobre. Deus dê muita saúde a quem as faz e as come.
    Mas gostei de ler essa nomenclatura de que as suas se revestem. Se bem que, tem razão, uma boa canja de galinha-galinha, com aqueles ovos que a pobre degolada não chegou a pôr e só têm a gema bem durinha, digo-lhe que até o Eça proclamou.

    1. E faz muito bem “sopar” com o que tem à mão Bea.
      Galinha-galinha é mesmo um luxo a que, aqui em Lisboa, só chegam aquele que conhecem alguém que conhece alguém. Lembro-me de passar algumas horas a depenar galinhas com a minha mãe que as tinha ido buscar ao Torrado e tinha levado um tupperware com vinagre para recolher o sangue.

      1. Pois é, a galinha-galinha de que me lembro estufada desfazia-se em fios; a galinha-prassimdzer desfaz-se em trocos. Eu disfarco-a em consomé (consome mesmo, não é cá caldos prefabricados) que é a forma mais compensadora de ter uma trabalheira e ser perdulario. De vez em quando a gente merece.

      2. Galinha-galinha é mesmo um luxo

        Compra-se facilmente galinha numa das muitas lojas halal (de carne para muçulmanos) que há na zona do Martim Moniz. As gentes asiáticas aparentemente preferem comer galinha a frango.

        Em geral, da minha experiência (já de há alguns anos), a carne vendida nessas lojas é de melhor qualidade que a vendida nos talhos normais, porque os muçulmanos se abastecem diretamente junto de produtores portugueses, e também porque a forma que eles têm de matar o animal faz com que a carne não fique ensopada em sangue.

          1. Nas religiões islâmica e judaica (que têm basicamente os mesmos preceitos), é proibido comer sangue. Só carne, bem seca de sangue. O animal tem que ser morto e deixado a escorrer até todo o sangue ter saído.
            A cabidela, tal como a carne de porco (e de coelho), é coisa de cristãos.

          2. E ainda bem que temos o porco, do qual se aproveita mesmo tudo. Olhe lá um leitãzinho à Bairrada? E rojões? E pernil? E presunto?
            Eu por exemplo, cozinho muito mais com banha e azeite do que com margarina .

      3. Na província há gente que cria galinhas e as vende inteiras ou partidas a gosto e com o recipiente do sangue caso se deseje fazer cabidela. Essas é que são as canjas. O resto é amostra deslavada.

  6. Bons tempos, Maria Dulce; esses, os da latinha.
    Lá tinha uma loja.
    Lá tinha uma florista.
    Lá tinha um café.
    Lá tinha uma padaria.
    Lá tinha uma barbearia.
    Bons e inolvidáveis tempos.
    Sopa não gosto, mas trago-a se for de feijão encarnado..
    Queijo é a minha perdição. Queijo e mais queijo de todas as marcas e feitios.
    Ainda não encontrei neste meu longo deambular por este vale de lágrimas, queijo que me desagradasse ou não estivesse mesmo a meu gosto.
    Boas sopas e excelentes queijos.

    1. Lá tinha tudo, cunhado. O Sr Alberto arranjava tudo nas casa com problemas, desde canos a pinturas. A D. Albertina cortava e arranjava os cabelos. O Sr. Manuel trazia o leite, primeiro em bilhas, depois engarrafado e com 2cm de nata que batíamos e salgávamos. A minha mãe costurava. Na “praça” havia tudo …
      Queijo, sempre! Mas nada daquelas coisas fatiadas light com sabor a PVC.

      1. Mas isso é lá queijo?! Fatiados, light, fundido?! Isso é um ultraje ao Sagrado nome de queijo.
        Bons tempos, esses. Menos marmelada e mais sinceridade. A gente vivia descansado e sabia sempre com o que podia contar. O bom era bom e o mau era mau.
        Hoje, um gajo de quem a gente não espera menos do que a peste, aproxima-se de nós imbuído das melhores intenções e desata a desfiar um rosário de sagradas virtudes, e a gente fica como o tolo no meio da ponte que balança, sem saber se avança ou recua, a pensar que já no-la pregou ou está para pregar.

  7. Um post culinário. 🙂 Bela sopa!
    Eu confirmo que os alimentos de produção própria (ou de pequenos produtores) têm definitivamente outro sabor. A carne de borrego criado no pasto, a carne de frangos que debicam minhocas no quintal e comem tudo o que há em excesso. E os ovos bem amarelinhos. E os grelos acabados de apanhar. E as laranjas.
    Mas a minha perdição são os pêssegos e os tomates da horta. De tal forma que prefiro não os comer de todo a comprá-los nas lojas. Não sabem ao mesmo.
    Não sabem a nada.

  8. Não percebo porque descasca a Dulce o feijão. Na época dele, o feijão vende-se já descascado, em sacos, em qualquer mercado municipal (e não só). As próprias vendedeiras o descascam enquanto esperam pelos clientes. O mesmo se diga das favas e das ervilhas.
    Fora da época dele, não se vende feijão por descascar, só já seco e descascado.
    Já agora, se a Dulce quer comer um feijão realmente saboroso, aconselho-a vivamente a comprá-lo na loja O melhor de Miranda na Estefânia, em Lisboa. (Também há a mesma loja em Braga.)

    1. Na zona onde moro não há mercados municipais. Também porque as leguminosas na vagem duram mais tempo frescas e assim só tenho que as descascar quando preciso. A vagem também me garante que estou a comprar o que quero, sem mistura.

  9. Belo postal. Quem me dera ter as mesmas habilidades.

    Sou fã absoluta de sopas. Especialmente das verdes, mas também alinho nas outras: caldo-verde, puré de grão com espinafres, agrião, couve-branca, nabiças, quase todas. Não sou muito fã de feijão-verde ou vagens. Já a antiga sopa de lavrador com couve-galega, feijão vermelho e massa me dá saudades. Como sou preguiçosa, compro algumas feitas. Mas há casos como a de nabiça que só fazendo, em lado nenhum se usa servi-las.

    E, claro, não há como uma mercearia tradicional para ter legumes e fruta a saber ao que são e não a plástico. Aqui no Porto num local muito central, na Rotunda da Boavista, há a antiga Casa São Miguel onde ainda se encontram verdadeiros paladares. Como não há bela sem senão, é carota.

    1. Grão com nabiças é uma excelente sopa, Isabel. Eu sempro que os meus compadres vão ao alentejo, ou que o meu irmão vá ao Satão ou, melhor que tudo que o meu marido vá a Braga, encomendo tudo o que posso guardar, mas nunca aquecem ( ou arrefecem, neste caso) o lugar.

  10. Adoro sopas, mas sopa de Agrião, de Feijão vermelho com massa esparguete, de Grão, e de Peixe. Tudo a ferver.

    1. Não sou fã de esparguete na sopa. A minha neta é que gosta. Sopa tem que ser bem quentinha.
      Também não sou grande fã de gaspacho. Uma sopinha de tomate com chouriço e ovo escalfado como fazia a minha mãe, já comia. Sei fazê-la bem, mas nunca há-de ser a mesma coisa.

  11. Pois, este tipo de postais são muito bonitos, até poéticos, memorialistas e isso. Mas eu quero é saber as receitas, detalhadas e sem aquelas coisas do q.b.. E ainda, que a modernidade o exige, um tutorial em vídeo. Vamos a isso, cara co-bloguista, vamos a isso

    1. Já dizia Voltaire que ” O livro melhor escrito é a receita de uma sopa.”
      Talvez uma rubrica semanal de culinária , como preparar sopas e outros petiscos. E até temos aqui comentadores que sabem destas coisas do coração pelo estômago.
      É uma ideia, jpt.

    2. Uma sopa é fácil de fazer, com um pouco de experiência.
      Põe litro e meio de água a ferver. Lava três batatas médias, corta-as aos bocados (quanto mais finos os bocados, mais depressa cozerão). Descasca duas cebolas médias, parte-as aos bocados. Mete as batatas e as cebolas na água a ferver. Deixa ferver (cozer) durante 20 minutos (se deixar mais tempo, melhor, a sopa ficará mais suave). Tritura com uma varinha mágica. Enquanto as batatas e cebolas cozem, lava um molho de nabiças (ou couve galega, ou couve portuguesa, ou folhas de alho francês). Parte aos bocados razoavelmente pequenos usando uma faca comprida. Quando acaba de triturar as batatas e cebolas, adiciona os vegetais partidos e volta a por a ferver. Adiciona sal a gosto (mais vale menos que mais, pode também salgar no prato) e um pouco (não exagere) de azeite, ou então banha de porco. Deixa ferver mais 10 minutos (um bocado mais se fôr couve galega, que é mais dura e demora mais a cozer). E está pronto.
      O procedimento total demora uma hora ou pouco mais, num fogão forte.

      1. Oh balio, que desapontamento. Sopa mandriona! Nem cenoura, alho francês, abóbora, courgete, chu chu… palavra de honra. Tanta conversa e toma lá batata e cebola. Base de sopa deslavada, cheia de batata e não muito saudável. Enfim…
        Afinal fazer sopa sempre é uma ciência da culinária e tem muito que se lhe diga para ser uma boa sopa e não uma espécie de lavagem.

        1. Dei uma lição para um principiante, Dulce.
          A base de batata não é muito saudável, de facto, para quem tenha queda para a diabetes. Chuchu é muito melhor. Mas custa mais a descascar e demora mais a cozer. Curgete ou abóbora também são boas, mas não dispensam, a meu ver, a batata.
          A base de batata, por menos saudável que seja, é a mais tradicional em Portugal, e diz-me a experiência que é a de que as crianças mais gostam. E é mais simples de acertar com as quantidades.
          Se o jpt começar com o que lhe recomendei, e se adaptar, a seu tempo poderá fazer sopas mais complicadas.

          1. Maus princípios, balio. Quem inicia uma actividade culinária ( ou outra qualquer) procura ser perfeito e apresentar bons resultados. Se a conclusão for meh, provavelmente não repetirá a receita. Sem trabalho não pode haver bos resultados e a pressa é inimiga da perfeição . Podia, por exemplo, ter sugerido onde se podem encontrar bons produtos a preços acessíveis em vez por optar pela via da preguiça. De qualquer modo, agradeço a sua prestação. Fica como exemplo do que uma sopa não é.

          2. (1) Repito: quem começa, como o jpt, deve começar por uma coisa simples.
            (2) Repito: a base de batata é a base de quase todas as sopas portuguesas. E é muito apreciada pelas crianças e jovens. A Dulce não gosta, mas a maior parte das pessoas gosta.
            (3) Já repetidamente sugeri neste post onde se podem encontrar bons produtos a preços acessíveis. Vegetais nas lojas de chineses e nepaleses. Carne nas lojas halal do Martim Moniz (é um pouco mais cara que nos outros talhos, mas de bastante melhor qualidade). Feijão em O melhor de Miranda. Leguminosas descacadas nos mercados municipais. Quer mais sugestões??? Não lhe chega???

          3. O jpt não escreveu que não sabia fazer sopa. Apenas sugeriu que publicássemos estas receitas que aqui mencionámos, eu e os comentadores, com tuturiais em vídeo
            A minha bisavó, que ensinou a minha avó e por aí fora, tinha como base de sopa batata, cenoura, cebola e nabo, que eram baratos na época e fáceis de encontrar. Usava também tomate e dentes de alho, nas sopas de feijão encarnado e catarino, por exemplo. Nós , as descendentes herdeiras das receitas, fomos acrescentando sucessivamente abóbora, o alho francês, a courgete e o chuchu entre outros.
            Nunca aprendi a fazer sopa de batata. Lamento.

          4. Nunca aprendi a fazer sopa de batata. Lamento.

            Eu também lamento. Por si.

            O caldo verde, talvez a mais popular sopa portuguesa, é feita somente com base de batata (e alho). Não leva cebola (há quem ponha, mas fica pior), muito menos cebola ou nabo.

          5. Cebola e alho são a base do caldo verde e a batata usa-se para engrossar. Não pôr cebola é heresia. “Há quem ponha” pois há, todos aqueles que sabem fazer bem caldo verde.

          6. Cebola e alho são a base do caldo verde e a batata usa-se para engrossar.

            Não. Batata é a base do caldo verde e a cebola e o alho (ou só um deles) põem-se para dar sabor. Um caldo verde sem batata não existe, é uma água sem consistência. Um caldo verde sem cebola e sem alho pode-se fazer e é perfeitamente comestível.

            A Dulce parece ter alguma repugnância pela batata e pela sua utilização em sopas. Faz muito mal. Saiba que a batata é praticamente o único alimento de que nós nos podemos alimentar exclusivamente sem sofrer deficiências alimentares sérias – nem falta de proteínas, nem de vitaminas, nem de minerais. A batata é o alimento mais completo que há. E a prova disso é que houve uma civilização inteira – os incas – em que praticamente só se comia batata – e as pessoas não morriam por isso.

          7. o feijão preto é excelente, mas nada tem de tradicional, balio. É uma leguminosa “importada”. Mas sei fazer uns hambúrgueres de feijão preto que, para quem é adepto de cozinha vegetariana, são um mimo.

          8. o feijão preto é excelente, mas nada tem de tradicional, balio. É uma leguminosa “importada”

            (1) Todos os feijões são “importados”, Dulce. São todos eles americanos. Na Europa não havia feijão até ao século 16. (Havia lentilhas e grão, que são do continente euroasiático.) Uns feijões foram “importados” mais cedo, outros mais tarde, mas “importados” foram eles todos.

            (2) O feijão preto não é “tradicional” porque ainda não tinha sido “importado”. Se os nossos bisavós já conhecessem o feijão preto, tê-lo-iam ser dúvida utilizado em grande escala. A bisavó da Dulce não utilizava feijão preto, não por não gostar dele, não por não ter sido ensinada a usá-lo, mas pura e simplesmente porque desconhecia a sua existência. Não há razão nenhuma para que a Dulce, que já conhece o feijão preto, não o utilize em sopas só porque a sua bisavó, que não o conhecia, não o utilizava.

          9. A batata não remonta ais primórdios da nacionalidade, porque também ela é importada . Não era tradição comer sopa com batata. O feijão preto em 74, por exemplo ainda não fazia parte da nossa alimentação.

          1. 1. Muito agradeço a Balio a sua generosa contribuição. Aproveito ainda para confirmar que o prestigiado comentador tem, recorrentemente, informado sobre locais onde encontrar produtos alimentares recomendáveis.
            2. Balio acertou: eu sou inexperiente nas artes culinárias. E também desajeitado. Além de preguiçoso, pois apenas cozinho quando estou com a minha filha. Que tem a piedade de dizer que aprecia o que eu faço (talvez até nessa benevolência refracte algum resquício de Electra que lhe reste). [Quando estou só apenas faço comida].
            3. Ainda assim já tenho algumas sopas na minha biografia. Cozinho sempre por receita – ainda que não as siga radicalmente. Tal como com os pratos sólidos – ainda que menos nas sopas – muito me angustia o malvado q.b., felizmente em crescente desuso nos manuais mais recentes. Sou, também por isso, muito fiel aos tutoriais telemáticos que demonstram o modus faciendi. Nesse âmbito sou verdadeiro seguidor da Neuza Costa, do Sabor Intenso. E acompanho, de modo anárquico e mais como voyeur embevecido, os elegantes tutoriais do cozinheiro Sá Pessoa. E sou verdadeiro fan do grande Necas Valadares, cuja rusticidade gastronómica muito aprecio.
            4. Voltando às sopas, porventura sigo errado mas sempre as enceto por um refogado. Sobre o debate acima acerca da utilização da batata confesso que vou usando, não sempre mas acompanha bem, desde que não seja uma sopa abatatada (sim, a batata engorda, ao que dizem, e pouco alimenta, mas um toque não desvaloriza).
            Ainda assim procuro, sem fundamentalismos, recompor as receitas de sopa com este tutorial, que, para o meu parco saber, me parece bom aviso: https://www.nacadeiradapapa.com/2017/09/sopas-para-o-dia-a-dia.html
            5. Tanta palavra poderá dar a entender que escondo algo na manga, perdão, no fogão. Mas não, sou daqueles que corto vegetais após (re)ver importantes lições como esta: https://www.youtube.com/watch?v=xff1XpNxVhc

            6. Arrazoado que me serve para apelar à produção – e não só pela Maria Dulce – de textos sobre esta dimensão fundamental. E pelo menos o Pedro Correia também já tem abordado as suas experiências nesta área, as quais vem cumprindo com assinalável sucesso, conforme o próprio nos afiança. Aliás, com este enfoque poderíamos descentrar-nos da política que tanto nos ocupa sem que com isso tenhamos algum ganho (nem os leitores). Enquanto nesta temática muito teríamos a aprender com os outros (eu, pelo menos, teria).

            Enfim, despeço-me com um “Avante, Camaradas”

          2. Sabe que depois de fazer a sopa da imagem fomos comê-la, claro. Foi o meu marido quem me disse que “uma sopinha destas e ficavam no céu; deixavam-se de quezílias por umas horas”. Daí a fazer a publicação foram uns minutinhos. Só mesmo para aligeirar o peso destes dias de Covid , morte, stresse e trapalhadas.
            Vamos ver se a próxima sopa traz igual polémica elaborativa. Fica prometida uma Sopinha de Cozido.

  12. Cá em casa tenta-se por insistência que os mais novos deixem de gritar “hoje é sopa da avó!”, sempre que a minha mãe nos envia uma panelada de sopa.
    Uma ou outra vez, que entretanto já se repetiu mais vezes, dizem “Epá parece sopa da avó!”, deixando a cozinheira embevecida com o elogio.
    Já concluímos que, também ao fazer sopa, para transformar a técnica em arte, são necessárias 10.000 repetições. Já faltou mais para atingir esse número, mas ainda faltando uns dígitos para esse ponto, aqui não se passa sem sopa.
    Ouvi uma curiosa referência a esta tão completa entrada aquando a disciplina de educação para a cidadania esteve na berlinda. Dizia alguém: “deviam ensinar toda a gente a fazer sopa, porque é comida barata e completa”, o que sendo uma abordagem invulgar da cidadania não deixa de fazer pensar.

  13. A Rosa, com quem eu namoro desde os 17 anos de idade dela (e 25 meus) é cada vez mais perita a fazer sopas cada dia mais apetitosas.
    Estamos nisto há mais de 50 anos.
    E não quero outra coisa!
    Bom domingo!

    PS: Saíu agora mesmo a levar mais uma sopinha de feijão à nossa filha Carla Sofia, que mora aqui perto…

  14. Também sou uma fanática dessas sopas… da sopas de tomate dos pais calipolenses à sopa da pedra do Ribatejo onde cresci. Não como é mais nada a seguir! Agora tenho ali uns chícharos vindos diretamente do Alentejo, estou a ver se me lembro como a minha mãe fazia a sopa… 🙂 bom apetite!

    1. Nunca comi chícharos, mas vou colmatar essa falta em breve, em nome da pesquisa e da vontade de comer, Concha. Se se lembrar como era a sopa e quiser partilhar a receita seria fantástico.

  15. bom, nao interessa nada, mas justamente acabei de publicar um post, sobre um prato com historia, que hoje resolveu partir…em mil vidrinhos.
    Chego aqui… e logo um prato.
    E agora vou ler o que contem. Se me fizer esquecer o meu, ja ganhei a noite.

  16. nao sei cozinhar, pronto, tá tudo dito.
    Mas adorei a cena da tigela no colo e a descascar o feijao. Coisa que vi nos meus proximos. E se a minha provincia nao fosse fria, tambem eu continuaria as lides.
    “Memoria” (no post) é lugar ? È que o tal meu prato, além da historia (memoria), enterrei o meu post justamente numa Memoria.

    1. Feijão, favas, ervilhas. Podia comprar descascado? Quem sabe, podia, mas não era a mesma coisa 🙂
      Memória é o local em Belém/Ajuda onde se encontra a Igreja da Memória, que divide freguesias: a zona para direita e acima da Igreja, pertence à freguesia sa Ajuda; para a esquerda e para baixo pertence a Sta. Maria de Belém.

  17. afinal, esqueci o outro ” lado ” .do post, e que deixo como desafio.

    Diz que ou faz bem ou nao faz. Teoricamente, nao perde, nao se perde vida, com essa atitude ?

    Por outro lado, nao fala em mais valia, em acrescentar, em inovar as tradicionais sopa da avo. Sim, ok, sao excelentes, mas nao inventa para além de ?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *