Certas ideologias depositam uma fé sem limites nas virtudes da educação. Quanto a pessoas e até quanto animais. Acontece que a educação, no confronto com a natureza, tem um alcance limitado. A fera nunca deixa de existir: pode estar apenas adormecida.
A fera adormecida
Pedro Correia,

Lá teremos de revisitar Rousseau.
E também Freud com o seu id…
Freud merece sempre uma visita. Nem que seja de médico.
Freud, Rousseau, a pingar ou com o que o lenço assoou, o que me interessava sobremaneira saber era de que maneira se pode acordar a fera adormecida Benfica.
1. Essa, é uma das falácias em que assentam as ideologias “esquerdistas”. A crença de que o Social se sobrepõe ao Indivíduo.
2. É também, o principal erro científico da “Sociologia”. Concretamente, ao pressupor que «o Social explica o Social».
3. É esse erro, que conduziu à ideologia do “Relativismo Cultural”, que formou os simpatizantes e militantes dos partidos de esquerda e extrema-esquerda.
4. O erro em acreditar que cada individuo humano, dentro de si, não possui, inscrito nas suas células eucaryores constituintes, um processo de evolução (que se expressa por níveis de complexidade) independente do Contexto, do exterior/Ambiente. Logo, em parte, independente das vicissitudes e circunstâncias históricas e sociais das sucessivas épocas.
5. É esse erro, também, que encontramos nas explicações e interpretações darwinistas e neo-darwinistas. Que conduziram a sobrevalorizar o difusionismo e os empréstimos culturais, em detrimento de uma evolução feita por níveis de complexidade, autónoma do processo de “Adaptação”.
6. Este texto de Pedro Correia levou-me à lembrança do que Jacques Rancière escreveu em “O Mestre Ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual” (ed. Pedago, 2010), no capítulo “Emancipação dos homens e instrução do povo”. Sobretudo, perante o actual nível de abandono escolar e decadência da escola pública em Portugal:
6.1. “É, pois, preciso anunciar o Ensino Universal a todos. Antes de tudo, aos pobres, sem qualquer dúvida: eles não têm outro meio de se instruírem, não podem pagar explicadores particulares, nem passar longos anos nos bancos da escola… Contudo, não é um método de pobres. É um método de seres-humanos, isto é, de inventores. Quem o empregar, quaisquer que sejam sua ciência e posição social, multiplicará os seus poderes intelectuais…. Os sábios também devem aprendê-lo… Eles só se acreditam capazes de ensinar o que sabem. Conhecemos bem essa lógica social da falsa modéstia — pela qual aquilo ao que se renuncia estabelece a solidez do que é anunciado… A ficção social vive de filas de espera e de infindáveis explicações… prometendo o progresso e a redução da desigualdade: com mais um pouco de explicações, de comissões, de relatórios e de reformas!”.
7. E esta hem?
Post scriptum: 19 anos… foi muito tempo. Este ano é Marquês, quase certo.
Uma Fera pior tem sido criada pela Educação. O violência do Séc.XX é um exemplo. Essa Fera nunca fica saciada pois é pelo que julga ser o bem que o faz. O que é o bem é parte da educação…
O entendimento do mundo é basicamente explicado de 3 maneiras: religiosa, política, científica. Os extremistas estão basicamente investidos numa delas só.
Os mais moderados têm um bocadinho das 3.
Tu precisas é de acordar as 4 da manhã e ir trabalhar para o campo, cavar batatas. Tens a escola académica dos fala-barato!
Educação… académica.
Porque acham que educação é esclarecimento, e os esclarecidos irão votar neles
Educação, de modo geral. Mas instrução também, claro. Foi aliás em algumas das sociedades mais instruídas do mundo que surgiram os regimes mais abomináveis.
Todas as ideologias se baseiam na educação das massas.
Educação: vocábulo quase tão pervertido como a palavra liberdade.
Por isso há quem prefira o conceito de paideia.
É por causa das feras estarem adormecidas que os burros andam aí à vontade.
E zurram mais que nunca.
Bom dia.
Oh se zurram. E o pior é tantos lhes acharem graça.
Saúde.
António Cabral
Há gostos para tudo. Alguns até acham graça a coice de burro. Ou de mula.
É mesmo. Vive-se tanto do endeusamento das capacidades humanas, habilidades intelectuais e da manipulação da razão e da emoção, que se esquece do que somos, até um raio, uma rajada de vento mais forte ou um ataque de fúria incontido nos levar desta para melhor.
Essa é uma das muitas lições que podemos extrair deste tristíssimo ano que vivemos, Isabel.
Outra conclusão seria a do erro de ter como garantido que lendo, estudando e usando as estatísticas se consegue prever o futuro. De achar que com este perder de pé num mar de conceitos e teorias desarreigados da natureza debitados por especialistas vários se fica a saber o que é melhor para o país, abstraindo de que a natureza é como é e nem sempre se molda à vontade dos caprichos e especulações intelectuais.
Mas lá está: há muita gente convencida que é sempre possível vergar a natureza e quando não a consegue (perceber ou) dominar, começa a espingardear para todos os lados, culpando tudo e todos.
Tal com há muitos teóricos da liberdade que não percebem que por mais manuais de vôo que leiam, só com as asas fora da gaiola saberão o que é a liberdade e deixarão de ter inveja de quem voa.
Essa é a função da educação. Domar a fera, não a matando.
Convém não confundir educação com imposição. Senão a melhor educação para a não violência era uma lobotomia.
Depende. Por vezes doma a fera, outras vezes atiça a fera.
Qual fera pá? A Senhora do supermercado?
Esta posta sem uma intervenção celestial pode desencadear uma catarse sem consequências objectivas.
Educação e ensino, função indissociável, aparentam resolver todas as coisas e até mesmo proporcionar avanços inimagináveis nesta aventura da humanidade. Sim, eu disse aventura.
Esta aventura comporta em si mesma a inefável experiência da descoberta da alegria e do sofrimento, de suas causas e consequências e até mesmo a necessidade de ambas coexistirem. Neste sentido poderá acrescentar-se que ambas são bênçãos ou, de outra forma, são o segredo desta maravilhosa aventura que é a vida e a morte.
Só um espírito aventureiro e sábio é capaz de ver na morte a maravilha da vida, pois “quem procurar salvar sua vida, perdê-la-á; e quem a perder por uma causa maior, ganhá-la-á” .
Portanto, o ensino-educação está aí para erroneamente conduzir o homem a ganhar o mundo centrando-o em si mesmo para melhor servir interesses. E os terráqueos de tão ensinados-educados que estão um dia lembrar-se-ão, frustrados, que não foram ensinados-educados para aprender.
A aventura da vida só o é com a capacidade para aprender, desaprendendo tudo quanto o ensino-educação não lhes oferece e não os habilita para este percurso.
Aprendei a renascer e encontrareis a aventura da vida e da morte no sofrimento e na alegria.
Ora, caro Pedro, isto que aqui vou revelar não tem nada de ideológico. A educação nunca resulta em demasia já que para acalmar a fera existe a sopa. Se alguns descarrilam é simplesmente porque não lhes deram sopa em pequeninos. Reconheçamos que esta pode ser um via sinuosa para alguns, e dolorosa para outros (a Mafalda que o diga).
Educação não é domar. Esse o grande erro.
Como diz António Damásio: “Não somos máquinas de pensar, somos máquinas de sentir que pensam”.
Aniquilar sentimentos e emoções, ou não os saber gerir, é o melhor caminho para acordar a fera.
Educação é domar. É auto-controlo, auto-disciplina. Reconhecendo sempre que a fera continua lá. Caminhamos no fio da navalha.
A fera é tanto mais atiçada, quanto mais duras foram as formas de domar e de subjugar na infância. Quanto mais rancor e injustiça recalcadas, mais feroz fica a fera guardada dentro de nós.
As crianças precisam de educação e orientação, não precisam de violência, sarcasmo e humilhação.
Todos nós nascemos com os dois lados: agressividade, egoísmo (provocados pelo instinto de sobrevivência), mas também com necessidade de afecto e carinho. Se estes dois últimos aspectos forem descurados e for exagerada a repressão sobre os outros, a fera cresce. O que nós domamos, durante toda a vida, é o rancor recalcado pela dureza e injustiça que experimentámos. Isso sim, pode tomar proporções incontroláveis.
“The exercise will require staff to step forward or backwards depending on their answers to prompts such as whether their parents have been arrested. Pictured: CSU staff doing privilege walk in a video on its website”
https://www.dailymail.co.uk/news/article-9 270297/Staff-Governor-Generals-office-pa rticipate-privilege-walk.html
Nenhum ser como o Homem conseguiu libertar-se dos seus instintos.
E nenhum ser como o Homem consegue elevá-los à milésima potência.