
«O mau humor com humor se paga»
Francisco Moita Flores já foi inspector da Judiciária, argumentista de séries televisivas, presidente de câmara. Hoje é mais conhecido como escritor. Quando o contactei para esta entrevista telefónica, prontificou-se de imediato a responder. Sem fugir a nenhuma pergunta. «Irrita-me profundamente a ignorância voluntária», disse este antigo polícia que não aprecia policiais.
Qual foi a maior decepção que sofreu até hoje?
Um dia em que vim de propósito de Paris a Lisboa, metendo-me no primeiro avião só para ver jogar o Sporting. Se o meu clube ganhasse, tornava-se campeão nacional. Nesse domingo, que jamais esquecerei, caíu imensa chuva. E o Benfica ganhou 6-3.
Gostaria de viver num hotel?
Não.
Porquê?
Tenho um grande sentido tribal na minha relação com as coisas. Preciso sempre dos cheiros de uma casa.
A sua bebida preferida?
Água.
Que número calça?
42.
Que livro anda a ler?
Releio as Máscaras de Salazar, do Fernando Dacosta. Sou amigo dele, gosto da escrita dele.
A sua personagem de ficção favorita?
Charles Foster Kane, personagem central de Citizen Kane. Criação genial de Orson Welles num dos melhores filmes de sempre.
Gosta de livros policiais?
Não desgosto.
Mas…
Não é um dos grandes prazeres da minha vida. Estou sempre a comparar as minhas opções narrativas com as dos autores que vou lendo. Muitas vezes não conferem.
O criminoso volta sempre ao local do crime?
Não. Isso faz parte de uma certa literatura romântica e foi exacerbado pelo Conan Doyle.
A sua cor preferida?
Verde, obviamente.
E a música da sua vida?
São tantas… Mozart acompanha-me com frequência. Gosto muito daquela alegria, da dimensão dramática daquela música. Costumo escrever com Mozart em fundo.
Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Aquela história de marchar contra os canhões chateia-me um bocado. Era capaz de mudar isso, até porque os canhões usam-se cada vez menos. Devemos marchar não contra os canhões mas pela paz e pela liberdade.
Que pecado capital pratica com mais frequência?
Sou pouco pecador…
Seja sincero…
Talvez a luxúria, por vezes, quando era mais novo. Sou um pouco epicurista.
Com quem gostaria de jantar esta noite?
Com António Lobo Antunes: sou um apaixonado pela escrita dele. E com Rui Rio: é um grande autarca, um homem público com uma dimensão invulgar.
Humor com humor se paga?
Sim. E sobretudo o mau humor com humor se paga.
O maior sonho?
Gostaria de descer a cortilheira dos Andes de comboio. Julgo tratar-se de uma paisagem lindíssima. É uma viagem que tenho eternamente adiada.
O maior pesadelo?
Pesadelos, não tenho. A minha maior preocupação é a saúde dos meus filhos e dos meus netos.
O que o irrita profundamente?
A ignorância voluntária. Deixa-me completamente fora de mim.
Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?
Gosto mais de ser conduzido. Sou muito preguiçoso a conduzir.
Casamentos gay. de acordo?
Desde que não me aborreçam, convivo bem com gays. Mas nunca percebi bem essa reivindicação, que me parece mais folclore do que uma necessidade.
Um exemplo de mulher bonita na política?
Gosto muito da Ségolène Royal.
Acredita no paraíso?
Acredito no Cinema Paraíso. Foi um dos mais belos filmes que vi em toda a minha vida.
Tem um lema de vida?
Disciplina e trabalho. São valores que em Portugal não estão na moda. Mas continuo a cultivá-los.
Entrevista publicada no Diário de Notícias (2 de Junho de 2007)

Desde que não me aborreçam, convivo bem com gays.
“Aborrecê-lo” é meter agarrar-lhe uma nádega, presumo.
Hoje só se pode marchar pela liberdade até às onze da noite. Depois disso dá cadeia.
Não preciso de marchar pela liberdade nem por outras mariquices — e estou muito bem em casa (é aproveitar enquanto ainda tenho uma). Mas achei bastante piada ao facto de alguém dizer que convive bem com gays a menos que o aborreçam. Se o que distingue umgay é ser maricas, um tipo ser chateado por um gay só pode resultar de uma acção em que um gay se põe com mariquices. Por exemplo, eu também convivo bem com benfiquistas, desde que não me aborreçam: ou seja, desde que não se ponham com benfiquices à minha frente.
Tiago Mayan Gonçalves promete sair depois das 23h em desafio ao abuso de autoridade. Conta desde já com o meu apoio. E o meu aplauso.
Mas que duas criancinhas!
Tenha mas é Vergonha!
Ana Sousa
Estás confinada?
Sim!
Ana Sousa
Vergonha? Nós é mais Esforço, Dedicação e Glória
Vergonha é ser papoila. Saltitante.
LOL. E será que o Mayan Gonçalves saiu mesmo? Sempre quero ver.
Havemos de saber.
Boa pessoa, o Moita Flores, Pedro. Gosto de o ler, gosto de o ouvir… Excelente entrevista também.
Só não concordo que marchar contra os canhões o chateie um bocado. É um dever marchar contra e enfrentar as Dicke Bertha desta vida e todas as chacinas e alarvidades que regurgitam da boca para fora.
Moita Flores é um genuíno amante da liberdade. E um sportinguista do coração.
Dá gosto escutá-lo.
«Não devemos marchar contra os canhões mas pela liberdade» – Francisco Flores
Concordo plenamente, a República de Portugal (RP) e os cidadãos Portugueses têm de deixar de uma vez por todas de servir de carne para canhão, de pau para toda a obra, e libertarem-se do domínio do regime da Inglaterra, da OTAN, e da união europeia (ue).
Portugal e os cidadãos Portugueses têm de destruir as correntes da escravidão, miséria, corrupção, e sub-desenvolvimento, que lhes são impostas pelo liberalismo e a globalização.
Defender a República, por um Pátria livre e independente, é hoje a missão dos cidadãos Portugueses.
«…Às armas, às armas!
Pela pátria lutar!
Contra os bretões
marchar, marchar!…»
Hoje só se pode marchar pela liberdade até às onze da noite. Depois disso dá cadeia.
Há poucas pessoas, hoje em dia, dispostas a lutar pela liberdade. A ideia de liberdade é coisa do passado, uma excentricidade. Infelizmente.
Hoje só se pode marchar pela liberdade até às onze da noite. Depois disso dá cadeia.
Afinal parece que é só uma recomendação… Mas só porque não pegou. O governo simplesmente não pode impor recolhimento obrigatório.
Eu participava numa manifestação hoje às 23:00, mesmo que fosse convocada pelo Chega.
Olhe que não, Susana. O comandante geral da PSP já veio ameaçar com medidas repressivas. Incluindo cadeia.
O curioso é que, a pretexto do corona, já libertaram milhares de presos. E a pretexto do corona ameaçam prender agora uns tantos milhares. Só por se atreverem a circular na rua após as 23h.
Olhe que não me parece haver mesmo cobertura legal para este recolher obrigatório. E o próprio governo veio reconhecer isso. Por isso as declarações do comandante Magina parecem-me ameaças infundadas. De qualquer forma só faria sentido sair numa manifestação.
Quanto à segunda parte do seu comentário, é a prova acabada de que vivemos num mundo ao contrário.
Veja lá tenha juízo! Ou ainda se arrisca a passar umas noites no calabouço da Judite na apanha do sabonete.
Bom é passar umas noites encerrado no calabouço da Julieta.
Leopedro, o que são “milhares de presos”, ou melhor quantos são “milhares de presos”?
Não, não venha que mais de dois mil já são milhares.
Quem ler “milhares de presos” calcula pr’aí uns quatro/cinco mil, será assim?
Mas, nem o A. Ventura jones se lembraria desse aumentativo em milhares para se referir a 2.141 presos libertados por razões da pandemia covid19.
Dois mil cento e quarenta e um presos não são milhares de presos?
Que eufemismo sugere você? Centenas? Dezenas? Meia dúzia?
Deixe lá de defender o indefensável. Neste caso, um governo que tira presos das cadeias por causa do covid e agora ameaça meter muita gente na cadeia também por causa do covid.
Parece uma rábula do Solnado ou do Araújo Pereira. Infelizmente, é bem real.
‘Tá ver, é o que eu dizia: são 2141 e você diz milhares.
Então, também pode entender como eufemismo a ameaça de prender por causa do covid.
Há alguém preso, a cumprir pena de prisão, por não acatar as normas governamentais por causa do covid? Até já houve rapaziada toda “quero lá saber” com sardinhadas e bailarico, contra o decretado, e ninguém foi ou está preso por isso.
(e não me estou a lembrar dos festejos do campeonato versus festa pcp é uma vergonha)
Mais de dois mil não é milhares. Bem, então deve ser dezenas ou unidades. Segundo a sua lógica.
Significa que você devia ser péssimo a aritmética. E continua a ser.
Milhares é sua forma de aumentar o drama, sinceramente pouco falta para o vermos a janela a bater castanholas e a gritar por liberdade.
Gritar por liberdade é mau?
Caramba, você parece ter sido inoculado pela vacina do Putin, aquela que os próprios russos recusam tomar.
Certo, quando se fala/escreve milhares estamos a referir dois mil e tal…..sempre é mais que um milhar e prontus.
O outro foi despedido por estar farto de perder coisas; perder coisas, eu? só perdi um cheque de duzentos contos.
Então?? Parece a cassete do PCP…
Chegámos a um ponto em que temos de cerrar fileiras com o PCP enquanto defensor das liberdades. Desde logo a liberdade de sair à rua.
Isto demonstra até que ponto chegou a degradação do Estado de Direito em Portugal.
Ao que isto já chegou,
o sr.Correia armado em toupeira e acérrimo defensor da vacina chinesa e da vacina russa. Tou a ver que o Medina não foi o único recrutado pelo o aparelho do PCP.
Chiça, nem os russos querem a porcaria da vacina que fabricam. Preferem ter Covid.
Só 16% da população russa está vacinada. E aquilo por lá está pior que nunca: 700 mortos e mais de 24 mil novos casos nas últimas 24 horas.