Mérito relativo – 3


Teresa Ribeiro,

A honestidade que deriva da falta de habilidade para mentir não é uma qualidade, é uma limitação.

8 comentários em “Mérito relativo – 3”

  1. Teresa,
    creio que encontrou uma biblioteca perigosa.
    Não sei qual é, mas é enganadora. Se continuar por aí, teremos:
    – “a inocência que deriva da incapacidade de cometer crime não é uma qualidade, é uma limitação”
    … e por aí adiante!

    O ponto anterior entrava na mesma linha… a linha valorativa do sedutor que depois recusa a infidelidade, e agora a linha valorativa do mentiroso que depois recusa a mentira.

    Acho que encontrou um manual de maus costumes, auto-justificador de comportamentos desviantes… cobrando aos outros uma suposta fraqueza.
    Imagino que muitos psicopatas usem esse esquema de superioridade para justificar acções… ao estilo “Natural Born Killers”:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Natural_Born_Killers

    1. Caro da Maia, sei bem que esta série é polémica e que se presta a muitas interpretações, contraditórias entre si. Aparentemente simplistas estas afirmações têm por único objectivo chamar a atenção para a ligeireza com que se fazem as avaliações de carácter, excluindo tantas vezes as circunstâncias que ultrapassam o sujeito mas lhe facilitam ou dificultam a vida. Numa época em que tanto se glorifica um certo voluntarismo, passando a ideia de que todos podem ser tudo e fazer tudo desde que se empenhem apeteceu-me chamar a atenção para as circunstâncias. As tais de que Ortega Y Gasset fala e que fazem toda a diferença.

  2. Sofro dessa limitação. Embora tente ultrapassá-la, aprendendo a dizer uma mentirinha de circunstância, de vez em quando. Mas está difícil, ainda me repugna. E muitas vezes esqueço-me. Depois, vejo os rostos irónicos, sobranceiros, ou piedosos e penso: «fui, mais uma vez, honesta demais e os outros tornam a desdenhar». Sinto-me inferiorizada e ingénua.
    A vida exige essas mentirinhas. Os outros exigem. É que há quem não entenda outra linguagem. E nós, limitados, saimos sempre a perder 🙁

    É por isso que gosto de animais. Quando, por brincadeira (raro, muito raro), engano a minha cadela, fazendo de conta que lhe vou dar uma bolacha e não dou, ela lança-me um olhar de interrogação tão pura, de uma incompreensão total, a sua alma confusa tão bem espelhada… Deus a abençoe!

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