Mérito relativo – 1


Teresa Ribeiro,

Ter sucesso quando se nasce desejado, se cresce amado, numa família próspera, feliz e bem relacionada não é uma qualidade, é uma obrigação.

17 comentários em “Mérito relativo – 1”

  1. Será que isso se aplica aos que nascem com doenças, possivelmente doenças graves, eventualmente doenças raras?

  2. Dois ponto, se me permite:

    1) O que é “ter sucesso”? Eu prefiro levar um boa vida ou uma vida honrada. O sucesso é efémero e os frutos do mesmo podem ser envenenados.

    2) É sempre uma qualidade. De saber não deitar fora o que lhe foi dado – a quem teve as oportunidades – e de saber procurar ou aproveitar as poucas que surgiram – a quem não as teve. E é sempre uma obrigação (pelas mesmas razões). O grau de qualidade e obrigação é que diferem.

  3. Porquê, Teresa?
    Aonde está escrito que o sucesso tenha que ser o resultado da equação dessa fórmula? A que sucesso nos referimos, ao da família ou ao da escolha do indíviduo?

  4. Mais uma. Porreiro.

    Se me permitem leiam ao contrário. Quando se nasce indesejado, é difícil inverter. Embora não impossível.

    Se ganhar a lotaria vou a Paris. Mas posso ir a Paris sem ganhar a lotaria.
    A lógica (ciência ligada à matemática) não é completamente intuitiva.

    Na maior parte dos comentários anteriores verifico o erro de se partir do particular para o geral. Ora a autora, Teresa Ribeiro, fez o contrário. É logicamente correcto.

    Bem sei que as nossas convicções influem nos pensamentos (raciocínios). Mas os nossos pensamentos podem não ser lógicos. Analisem pf.

    1. Que nem sempre É POSSÍVEL ser cumprida, diria eu.

      É a gente lembrar-se do número de desempregados, dos licenciados que conseguiram apenas arranjar emprego em call-centers, caixas de supermercados, escritórios de vão-de-escada. E todos os anos saem outros que lhes passam à frente, pois sempre têm o mesmo curriculum e são mais jovens e têm cursos mais recentes e não esqueceram ainda o que aprenderam. Emigrar? Não é para todos, por temperamento ou muitos outros factores… E é frequente ouvir-se que artistas, escritores, actores, cantores, até futebolistas, “passaram ao lado de uma grande carreira”. Por azares, por não lhes terem reconhecido os méritos na altura própria, por não estarem no local certo à hora certa, por isto, por aquilo…

      A vida não é simples, não.

      1. Concedo: que nem sempre é possível ser cumprida. Mas coceda também, já agora, que há casos em que todas as condições estavam lá e não foram aproveitadas. Proponho retirarmos da discussão a palavra “sucesso”, um conceito muito subjectivo, e substituí-la por “uma vida produtiva”.

        1. Concedo sim, Senhora.

          Há casos assim, mas haverá talvez mais em que das condições à realidade com que a pessoa se depara vai alguma distância.

          Com a Ana Vidal, entendo-me (quase) sempre.

          PS- Não tomar isto como um piropo. Em todo o caso, é sempre preferível manter o anonimato, assim como se fosse uma voz que o manda de um andar alto. 🙂

          1. Ah, não se preocupe que eu não o levo a tribunal. Não tenho nada contra os piropos, muito pelo contrário: defendo a liberdade de expressão para quem os diz e para quem lhes responde à letra, o que às vezes também dá muito gozo.

  5. Olha, eu gostei, Teresa, muito bem 🙂
    Por acaso, escrevi hoje um post parecido com isto, mas está programado para ser publicado só daqui a uns dias.

    Só diria que quem cresce amado, realmente amado, nunca verá isso como uma obrigação.

  6. É engraçado como uma simples frase se presta a tantas interpretações. Num tempo em que se tende a avaliar as pessoas exclusivamente segundo o seu grau de sucesso, apeteceu-me chamar a atenção para as diferenças que condicionam as nossas circunstâncias. Seguindo afinal o espírito de Ortega Y Gasset na sua famosa sentença: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”.
    Nem todos alcançamos idênticas marcas com a mesma facilidade. Há vantagens que o marketing pessoal esconde e obstáculos que as actuais teorias do “faça-se você mesmo” omitem. É isso que pretendo realçar nesta curta série que começo hoje.

    1. Ora, aí é que está. É dificílimo, por exemplo, encontrar um escritor de sucesso, cujo pai, ou cuja mãe, não foi, ou escritor/a, ou jornalista, ou ligado/a ao mundo editorial, ou às artes em geral. Pode até nem ter tido sucesso, mas a criança respirou essa atmosfera desde que nasceu. E é claro que se quiser seguir o mesmo rumo, terá mais portas abertas (pelo menos, dar-lhe-ão mais atenção) do que alguém sem “relações”. Saramago é a exceção que confirma a regra.

      E vejamos os atores de Hollywood: arrisco dizer que 80% a 90% deles tinham (ou têm) família próxima no ramo.

      Tenho-me ocupado com esse tipo de observações, nos últimos tempos, e é verdadeiramente incrível.

      De resto, as pessoas que tenham sido amadas (isto é, respeitadas) desde sempre obtêm melhores resultados na vida.

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