
«tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão da escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda.»
Excerto do poema “Muriel”, de Ruy Belo
* em alusão a esta notícia baseada nesta prosa piropofóbica que originou um comentário justamente perplexo da Ana Vidal

Apanhado em flagrante delito de piropo, crime vil punido com pena que vai da simples coima a pelotão de fuzilamento, isto no caso de a piropada ser membro sem membro das forças armadas.
Neste caso, a gravidade do piropo é inversamente proporcional à patente. Se a piropada for generala, nada me rala. Se for coronela, problema dela. Se for majora, o caso piora. Se for sargenta, a coisa esquenta.
“Serei criminalizado…”
Será: Inibido de publicar no DO o habitual post “Belle Toujours”
DuraLex et”…
Tudo menos isso, AM. Se for preciso eu confesso tudo para não ser sujeito a tão dura pena.
Pedro,
por este poema vai ser criminalizado. Mas a razão não está no poema, o crime está se o poema se dirige ás feministas do Bloco. Este, o poema, só faz sentido se dirigido a quem de direito. Tem de ser a uma Lua tal que transforme o lixo em luxo e que faça resplandecer de oiro um pobre valdevino:
“Que noute para mim, que noute aquela!
Tempo, que tudo estragas e devoras,
Ah! Não me roubes as memórias dela.
Horas do meu prazer, benignas horas,
Ao menos consolai na idéia um triste,
Tende sequer fantásticas demoras”.
Bocage
Coitado do Bocage: já tinha recolhido aos calabouços do Limoeiro com a nova brigada dos costumes, descendente remota do intendente Pina Manique. Por escrever coisas como estas: «Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos, / E a bocca, com prazer o mais jucundo, / Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos: // Vel-a rendida emfim a Amor fecundo; / Dictoso levantar-lhe os brancos folhos; / É este o maior gosto que ha no mundo.»
Tenho a mesma opinião que elas acerca dos piropos de rua, mas não se combatem estas coisas por decreto. Cobriram-se de ridículo.
Afinal só os “piropos de rua” é que serão “criminalizados”, Teresa? Se for entre quatro paredes climatizadas, por exemplo num restaurante ‘gourmet’ com vista para o rio e elogio do José Quitério na coluna gastronómica do ‘Expresso’, a coisa já é aceitável? Mas isso é um preconceito anti-operário, inconcebível num partido que se diz de esquerda! Os operários que “constroem a cidade para os outros” (vide Sérgio Godinho e José Mário Branco) e os trolhas que morrem “na contramão atrapalhando o tráfego” (vide Chico Buarque) não têm o direito inalienável ao piropo às burguesas que passam?
Disse e reafirmo que acho ridículo criminalizar o piropo, portanto não faz para mim qualquer sentido desenvolver a questão pela via que tomas. Mas devo dizer que já ouvi “piropos” muito ordinários e que muito gostaria de não ter ouvido. Concordo com elas quando dizem que é assédio e que reflecte o mais puro machismo.
Não me parece intelectualmente honesto confundir rituais de sedução, que ambos os sexos adoptam, com o piropo ofensivo a que as bloquistas se referem.
Por essa lógica, Teresa, teremos de esperar pelo piropómetro das piropófobas. Não me augura nada de bom.
Teresa Ribeiro, independentemente de também eu achar que há “linhas de abordagem” que são uma vergonha, dá-me sensação que há um excessivo deslize de teclas nisso de fazer equivaler machismo a assédio. Primeiro é tudo subjectivo, o que alguém considera demasiado outrem considerará deficitário, e muito mais em tempos de muitissima maior igualdade comportamental entre sexos (ou géneros) do que no antigamente já antigo. Mais, o que é isso do assédio? Um homem (comecemos por eles) ter uma tirada considerada exagerada, ordinária ou, pura e simplesmente, indesejada é assédio? No sentido que se dá nestas questões a “assédio” isso é um total exagero, descabido.
Depois há o fundamental: também eu já ouvi muita coisa que não gostaria de ter ouvido: maledicência, boatos, invectivas. Sobre mim e sobre outros. Não serão ditos machistas mas muitos deles são “assédio” (assentes em poderes ou na capacidade de influenciar poderes, públicos ou privados). O geme-geme da codificação (ou da criminalização) das relações de género ou outras identitárias (esta tralha individualista do BE) esquece sempre o fundamental – e este é um caso típico, exemplar. São uma paródia, tornam tudo uma paródia. E até nos põem a falar das tralhas dele(a)s.
Jpt, o perigo das generalizações é este, acabamos a misturar alhos com bogalhos.Concedo, em rigor só devemos chamar assédio (seja moral, seja sexual) quando as abordagens são repetidas. Não será esse o caso dos “piropos” de rua. Ainda assim não me parece forçado classificar de assédio (em sentido lato) esse hábito de “presentear” as mulheres que passam com “piropos”.
Não tenho problemas em admitir que nem sempre me senti ofendida – recordo alguns comentários que até me fizeram sorrir – mas enquanto “instituição” revela bem as suas raízes marialvas. Nesse sentido era bom que evoluíssemos para a sua extinção, embora tal não se possa verificar por decreto.
Como muito bem diz o Pedro Correia teríamos que apelar ao piropómetro … não querendo eu “defender a minha dama” (oops, lá está o machismo) assumindo o piropismo recordo que olhar alguém é (quantas vezes) entendido como piropo ou pior. Contestaremos o olhar?
Quanto a ensinar a rapaziada (e a raparigada) a ter algum tento na língua e graça/elegância na abordagem? Com toda a certeza.
Ó Teresa,
as bloquistas não se referem a nenhum piropo ofensivo, elas referem-se aos piropos que nunca lhes foram dirigidos. E isto para elas é crime, porque sentem-se discriminadas.
Deixemo-nos dessas merdas de piropos ordinários e outras coisas mais que se pretende tornar moda, porque o problema de muitas mulheres hoje, parece-me, já não se encontra na igualdade mas precisamente na necessidade de voltarem a ser tratadas como “desiguais”. Creio que em muitas delas é aqui que reside o buzilis, porque reconhecem-se diferentes e querem ser tratadas como iguais. Não obstante, tomam atitudes que fazem lembrar o hitlerzinho e vemos as perseguições e as malícias de que se socorrem para atentar contra a liberdade dos outros. E associado a isto, vemos frustradas que ocupam cargos de juíz a deliberarem frustradamente sobre questões visívelmente macarrónicas, cujas decisões só recuam quando confrontadas com outros decisores. Vivemos a época da frustração de muitas mulheres, porque desejosas de poder dizem combater um poder que só reside nos seus sonhos. E nisto somos todos mesmo iguais!
E acrescento mais, muito disto acontece com o beneplácito de gajos armados em mariquinhas pé de salsa, que o mesmo é dizer, armados em intelectualoides e em gente muito evoluída, que fazem figura de espantalho a dizer amén a merditas sem sentido.
Ou aparecem gajos com tomates, unidos a mulheres que sabem o que querem, ou isto transformar-se-á numa babel onde ninguém se entenderá. Parece-me também que essas mulheres querem rreconstruir o jardim da mitologia judaica, só que destas vez ao invés de seduzirem munidas de maçãs querem fazer-se passar por amazonas.
Nem mais. Como a Teresa, também acho ridícula a ideia de criminalizar o piropo, mas (e peço desculpa pelo calão grosseiro, mas não sei como dizer isto de outra maneira) entre “você é linda” e “f***a-te até te rebentar” vai uma diferença enorme. Fingir que não, e que todo o piropo é inofensivo, e que é dito com intenção de elogiar e não de degradar, e que não contribui, pelo menos em parte, para uma cultura de medo que tem consequências reais e práticas na vida de uma mulher, é simplesmente desonesto.
“f***a-te até te rebentar” não é piropo. Chamar-lhe piropo é ofensivo para todos os homens e mulheres que praticam a saudável arte do piropo, intrínseca à cultura latina.
Como pode uma javardice dessas ser confundida, por exemplo com estes universais versos de Vinicius “Olha que coisa mais linda / Mais cheia de graça / É ela menina / Que vem e que passa / No doce balanço, a caminho do mar”?
Da ‘Garota de Ipanema’, canção-piropo por excelência.
Lendo o texto das promotoras do BE, senti-me ofendido no género masculino.
Muito pior que o piropo elogioso é o simples discurso odioso.
Se o texto fosse dirigido contra uma raça seria considerado racista.
Há demasiada tolerância com estes discursos intolerantes, neste caso vindos de um feminismo jurássico, que já teve o seu tempo e razão de ser, mas que deixou descendência que pinta ainda cenários jurássicos, para evitar a extinção natural do feminismo.
Alguma da pior xenofobia é a xenofobia “de género”, da Maia. Como se comprova.
Aqui (http://conversa2.blogspot.pt/2013/08/os-n omes-das-coisas.html) tem um texto equilibrado sobre o tema, o seu post é um poema, não é um piropo. É a palavra “piropo” é excessivamente ambígua, nela cabe o comentário saudável e a agressão.
O melhor (ou seja, o pior) piropo pode ser um poema, caro JJA. Altamente criminalizável pela brigada piropofóbica de plantão no BE, portanto.
O BE já esclareceu que o objectivo não é criminalizar. http://www.publico.pt/portugal/noticia/b e-quer-abrir-o-debate-sobre-piropos-e-na o-proibir-1604487
Que alívio. Já posso dizer à Catarina Martins “queria afogar-me no mar dos teus olhos” sem receio de me porem algemas.
Mas nunca deixou de poder, tão simpático como esse ou a pior ordinarice. Ela é que não pode deixar de o ouvir, de sorrir, achar piada ou de se sentir ofendida e ameaçada se o Pedro lho disser na rua quando passar por si. O poder é todo seu.
Só se disser o mesmo ao Semedo.
Ao João Semedo – que muito prezo – dedico uma quadra do Aleixo: «Para não fazeres ofensas / E teres dias felizes, / Não digas tudo o que pensas, / Mas pensa tudo o que dizes.»
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão…
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
O Pessoa, creio, seria inimputável.
Ai, se ao Tony Carreira lhe dá para se queixar dos piropos, põe milhares delas a pagar multas…
Delas e deles, para não haver discriminação de género.
Caro Pedro Correia
De visita ao “Fio de prumo” da nossa Drª Helena já tive oportunidade de dizer o que penso e não gostaria de me repetir muito .
Esta questão está em vias de ser solucionada pela evolução natural da espécie e deste modo aconselho as pessoas que saem à rua a fazerem-no mais vezes a pé e a darem mais atenção ao que as rodeia .
Neste momento e entre os adolescentes e os outros “logo a seguir” já verifico um empate técnico , senão mesmo um ligeiro ascendente feminino quando em grupo .
E isso a mim , avô de netos e netas adolescentes que não anda “a dormir na forma”, parece-me saudável .
Até lá continuarão a persistir situações decerto complicadas para muita gente , mas isso também tem a ver com a maneira de lidar com elas , a minha filha de quase 40 anos vai não volta prega um estalo num , até hoje sem consequências para ela pois esta malta que ladra não morde .
Não resisto no entanto a contar uma história passada há pouco tempo comigo .
Aos 67 anos estou “ainda” sem barriga , tenho as costas direitas e gosto de me vestir decentemente ainda que nesta idade já não ande a gastar dinheiro nessas coisas, tudo ainda me vai servindo .
Pois há dias cruzei-me com um grupo de raparigas dos seus 14 ou 15 anos e diz uma : “que gajo tão bem vestido , pena é ser um velho!” .
Ainda hoje me rio com prazer deste piropo : nada daquilo era mentira .
Mas imagino que muitos velhos e velhas entrassem em depressão …
Já esperava a escolha, mas não me parece muito realista: a tua musa está tão longe d’ “o sossego dos antigos templos” como as bloquistas de serviço à cruzada anti-piropo. É mais gira do que elas, só isso.
Só consegui ver um pouco do vídeo: EY
http://www.youtube.com/watch?v=qiLr-0iah
… e é fácil ver que o poema do Pedro também poderia ser declamado pela promotora na forma do pior insulto. Quando há vontade de destilar fel, é possível tornar o melhor néctar no pior ácido.
Preocupa o olhar hipnotizado por uma obcecação, onde não há nenhuma sabedoria, nem “sossego de antigos templos”, conforme a Ana diz.
Quando a chama do olhar fica perdida, o corpo de pouco vale.
Há posturas de certa esquerda, mesmo quando movida por razões meritórias, parece que perde a alma, e só se vê o fel.
Parece ficar só um objecto que incorporou o objectivo.
Haverá iniciativas legislativas do BE contra as alcunhas… o “Gordo”, o “Careca”, o “Palhaço”, o “Animal”?… Piores, porque sendo repetidas entre colegas, constituem assédio ofensivo.
Não haverá, porque isto trata-se apenas de um grupo de interesses – o feminismo, que vasculha agora na imaginação argumentos legislativos que justifiquem a existência para além do tempo próprio.
Pouca gente tem noção de como os países latinos são hoje em dia muito pouco machistas, quando comparados com a restante Europa. Houve uma autêntica revolução cultural rapidamente assimilada. Não de igual forma em todos os estratos, mas foi muito notável.
A mulher de João Silva não é tratada por Mme. Silva ou por Frau João Silva, que seria o que lhe aconteceria na França ou na Alemanha.
A promotora deveria preocupar-se com essa discriminação “civilizada”, e não transformar gracejos em insultos, o que parece ser uma importação de visões alheias à nossa cultura.
Também não tive paciência para ver todo o video, mas reparei que a senhora usa uma saia feita de gravatas. Serão troféus, arrancados como escalpes a incautos piropeiros?
Podia ser, mas só foi esgravatar em piropos de quem nem tem gravata nem graveto…
A senhora em causa parece não saber o que é um piropo. A partir daí, estão escancaradas as portas a todo o tipo de desconversa.
Não tenho formação em assuntos jurídicos, mas, tanto quanto julgo saber, as ofensas verbais já estão tipificadas no Código Penal, pelo que esta iniciativa de maníacos/as jacobinos do politicamente correcto, e/ou, também, de frustradas/os, é de rir, talvez, mas também de ENFURECER. O mundo asséptico e tristonho que pretendem é DEPRESSIVO.
(Não tenho interesse particular no assunto, a minha idade das travessuras já lá vai, ai de mim. Hoje em dia, só um piroposito subtil/subentendido, e de longe em longe…)
Os maiores “piropos”, nos dias que correm, vêm da Autoridade Tributária. Infelizmente, não estão tipificados no Código Penal.
Suponho que nos locais de engate LGBT frequentados por eleitores do BE passe a estar afixado, em letra garrafal, “ATENÇÃO A TODOS OS GÉNEROS: AQUI ESTÁ PROIBIDO QUALQUER PIROPO. CASO ACONTEÇA, SERÁ PRONTAMENTE EFECTUADA DENÚNCIA ÀS AUTORIDADES”.
Testemunha de defesa do BE.
Senhores machos latinos… tenham juízo e leiam sff:
A Falsa Emancipação da Mulher
Actualmente, tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar, apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercerem todas as funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm dela é sempre a mesma — um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da escravatura…
…” Por isso ela continua uma escrava, humilhada, provertida, e o homem mantem-se um corruptor possuidor de escravos”…
Tribunal dos Bons Costumes, 01.09.2013
Declarante: Leon Tolstoi
(in Soneto a Kentzer”
amendes
Suponho que esteja a falar só por si pois já muito pouca gente – mulheres ou homens – se revêem nessa conversa do instrumento de prazer ser só ela , isto mudou muito nos últimos 15/20 anos .
Claro que nas gerações mais velhas não mudou nada mas esses já nem se lembram o que é “instrumento de prazer” , esqueceram-se .
E de resto os homens já nem apanham lenços nem cedem o lugar…
De qualquer modo acho que devia conviver mais , sobretudo com gente jovem , ali até aos 30/35 anos , ía aprender muito sobre o modo como essas gerações que são o futuro , por si ou através dos filhos pelo exemplo , vivem a vida em comum e as relações com “o outro”.
E já agora : o que cita é da “Sonata a Kreutzer” , o pobre do Tolstoi deve estar a dar voltas no túmulo , ele que não tinha por hábito escrever sonetos e nem deve ter alguma vez conhecido alguém de nome Kentzer .
Rmg
“Não há pior arrogância do que a ignorância quando se presume sábia”!!!
Assim: Leon Tolstoi deve ter a dar voltas no tumulo… pra sair dele e dizer- lhe:
— Ou seu (?!!!) … você conhece-me d’algum lado? Já leu alguma das minhas obras? Seu (???!!!) Eu, lion Tolstoi escrevi o romance “Sonata a Kreutzer” em 1889!… Sonata romance. Olhe que eu não sou músico!
….( Faço minhas as “palavras” do ti Tolstoi)
Quanto ao resto:” Disse nada”!
Por não merecer resposta! Nem estou à altura de contradizer tamanho cultor.( disse bem ?)
Cumprimentos,
amendes
Em tempo (ainda que um pouco atrasado pois só agora a hipótese me surgiu ) :
Se “amendes” pretendeu fazer um comentário com alguma ironia , isso não me foi evidente e portanto respondi-lhe a sério , apresento-lhe desde já as minhas sinceras desculpas .
Hoje não foi um dia fácil e , nesses casos , mais vale estar quieto sob pena de burrada e/ou borrada da grossa , coisas para que não há desculpas nem atenuantes .
Nesse caso os dois 1ºs parágrafos da minha resposta passam a genéricamente dirigidos às pessoas que se identificarem com as linhas de pensamento em questão .
O último parágrafo é de outra índole : devemos sempre confirmar as fontes .
Errata.
Leia-se: ” deve estar a dar voltas no tumulo”…
Desculpem o abuso do espaço.
Caro RMs
na verdade estranhei o teor “agressivo” do seu comentário… Enfim, eles há dias !
Deu para ver que, o meu comentário era dirigido aos “machos-latinos” e não a mentes progressistas, como é o seu caso.
Não percebi se, ainda, mantém a afirmação de que o tio Tolstoi não escreveu a Sonata a Kreutze ?
Saudações” Leoninas
Caro amendes
Não sou uma “mente progressista” , se alguma vez der atenção ao que eu escrevo por aqui no sentido de relacionar o texto com o “nickname” poderá confirmá-lo , acabamos por ler os comentários uns dos outros “à vol d’oiseau” e no comentário seguinte já nem ligarmos o nome ou alcunha com alguém em concreto que já tenhamos lido .
Depois do meu pedido de desculpas , que ninguém me obrigava a fazer tirando eu próprio pois somos todos “mais um” aqui na blogosfera e poucos se conhecem para além do virtual (que não é nada) , julguei que ficaríamos por um “está bem mas vá à fava (ou a outro sítio qualquer)” da sua parte .
Enganei-me e a culpa é mais uma vez só minha .
Aqui na net podemos dizer isto ou aquilo que ninguém acredita portanto não entrarei nos pormenores dos livros que li e tenho ou da minha actividade musical no campo da música clássica .
A única coisa que neste momento lhe prometo é que terei o cuidado de não o voltar a comentar alguma vez ainda que o senhor esteja à vontade para o fazer em relação a mim quando quiser , como é mais que óbvio .
Quanto ao título do livro claro que mantenho que aquilo é de “Sonata a Kreutzer” (com “r” no fim) , fui eu que lho disse no meu comentário de 01.09 às 21.36 precisamente porque o amendes pôs como fonte aquilo que lá está no seu comentário do mesmo dia às 18.01 , pode lá ír confirmar .
Mas também lhe peço desculpa desta minha talvez exagerada preocupação com as fontes , peculiaridades de uma formação técnica do fim dos anos 60 .
Cumprimentos “delituosos” (é o caso !)
Meu caro Pedro Correia
Lamento ter criado uma situação desagradável num post seu mas estas coisas acontecem , um amigo meu de longa data telefonou-me a dizer que o filho mais novo (vinte e poucos anos e que eu conhecia bem) tinha acabado de morrer porque um doido qualquer enfiou pela bicicleta onde ele se passeava e eu fiquei abananado , aliàs ainda estou .
Por isso não há nada como ficar quieto em determinadas alturas da vida e não desatar a tresler e a espingardear.
Um abraço
Pela 3ª vez nos últimos dias o meu comentário das 17.00 de 02/09 saíu como “Anónimo” apesar de eu últimamente ter o cuidado de tratar desse lado burocrático antes de os enviar .
Deu para perceber de quem era pelo teor do conjunto .
Um resto de boa noite
Um abraço, meu caro.
Desta vez não só não concordo com a opinião expressa no Delito pelos que já se pronunciaram acerca do assunto, como me desilude um pouco a maneira zombeteira como o assunto tem sido tratado.
Criminalizar o piropo parece-me uma ideia infeliz e irrealizável, sem dúvida. Mas tentar destruir o assunto reduzindo-o a uma anedota, em vez de reconhecer que o problema do piropo é ser apenas mais um sinal de um desrespeito pelas mulheres que ainda está profundamente enraizado em muitos lugares e culturas (mesmo os ditos “civilizados”), é perder uma oportunidade para uma discussão inteligente que ajude, a longo prazo, a erradicar a violência sobre as mulheres, nas suas causas.
Deixo dois links acerca do assunto onde me parece que tudo isto e muito mais é dito com uma clareza que me falta:
http://infernocheio.blogspot.pt/2013/09/d esconversar-sobre-piropos.html
http://conversa2.blogspot.pt/2013/08/os-n omes-das-coisas.html
Cara IC: Qualquer pretexto é bom para revisitarmos a grande poesia portuguesa: por mim, foi o que fiz. Sem musas inspiradoras – sem tágides, como diria o Camões – não haveria poesia sequer. Como disse o Orson Welles, o homem criou a civilização para impressionar a mulher amada; sem ela, ainda viveríamos nas cavernas.
Quanto ao debate, julgo que para ser levado a sério deverá desde logo evitar perverter ou adulterar o significado das palavras. Um piropo é um piropo, ponto final. Uma grosseria ou uma ordinarice ou uma javardice ou uma grunhice digna de um gajo das cavernas não são piropos – e, em certa medida, estão já sob a alçada do Código Penal português.
Confundir piropo com javardice é meio caminho andado para chegar a lugar nenhum.
“Confundir piropo com javardice é meio caminho andado para chegar a lugar nenhum.”
Posto dessa maneira, concordo. Mas boa parte do problema não passa exactamente por isso, mas no sentido contrário? De nos tentarem convencer que qualquer javardice é um elogio (e se eu não o vejo dessa maneira a culpa é minha que sou frígida/ressabiada/feia-ou-gorda-que-nun ca-recebeu-um-piropo-e-tem-é-inveja)? Não há mulher a quem não tenham tentado convencer disso, quando se fala de piropos…
Cara IC: julgo que temos estado todos a falar de coisas completamente diferentes e que não devem ser confundíveis e que as declarações da militante bloquista que prestou declarações à TV ajudaram ainda mais a confundir: as expressões insultuosas, emanações do machismo mais grosseiro, nada têm de comum com o piropo. Nesse caso, julgo sequer que não haverá duas opiniões diferentes: qualquer pessoa civilizada e bem formada condena em absoluto essas grosserias e a cultura machista que lhes está inerente.
(Agradeço as pistas para os textos da Helena e da Rita que aqui deixou; gosto muito de ler ambas)