O nosso pacote tvcabo inclui 5 canais portugueses. Não é resmunguice minha mas são pobres. Não tanto (ou só) em conteúdo mas em estilo. Decerto que por causa dos custos a televisão portuguesa radializou-se, abundam os programas de conversa. Ou seja, basta um cenário mais ou menos pobre por detrás de uns convidados, cíclicos ou residentes, que vão falando. Seja no velho modelo dominical “Júlio Isidro”, que reina nas manhãs mas não só (numa das quais vi há tempos a nossa co-bloguista Helena Sacadura Cabral ladeando o grande Mário Zambujal, e nisso suspendi a minha malevolência menosprezadora). Ou na mera conversa de painel, versão sisuda de cariz denunciatório (Medina Carreira, Rui Santos, etc.) muito apropriada ao estado de espírito popular, ou versão engraçadista, exemplo da qual vi há dias o falado “Governo Sombra”, pungente programa com Araújo Pereira e Pedro Mexia, onde os tipos mandam umas bocas saídas do “achismo” e se riem das piadas próprias, falha primeva de qualquer humorista ou a isso candidato. Enfim, no meio disto ao longo dos anos fui deixando de ver tv portuguesa, até porque nem sou grande consumidor dos produtos tv. Se calhar até perdendo algum programa interessante.
Mas de quando em vez encanto-me na televisão. Aconteceu-me há algum tempo com Boston Legal, então repetido e que não conhecera antes. E agora, por razões bem diversas, ando a seguir o Masterchef (USA), porventura também uma repetição no canal Fox. E sigo-o tão afincadamente que até a mim me surpreendo. Não sou um bom garfo, contrariamente ao que a minha barriga filha do sofá e das teclas (e de alguma cerveja) anunciará. E na cozinha nada percebo nem faço, para além de ocasionais ovos mexidos e uma ou outra lata de atum a misturar com Hellmann’s. O que me prende ao Masterchef é outra coisa. É mesmo acompanhar como de um assunto aparentemente nada visual, isso de juntar uns tipos diante de uns fogões e fazê-los cozinhar algo que nunca comeremos (nem cheiraremos), e como tal nada atractivo para TV, se faz um trepidante e entusiasmante programa, cheio de expectativa, ritmo, suspense, humor e emoção. Tudo saborosíssimo, de fazer crescer água na boca.
Será uma produção muito cara? Aparentemente nem tanto, pelo menos em termos comparativos com tantas outras. E é com toda a certeza uma prova que há imensos, e até inesperados, assuntos sobre os quais se pode telefazer. Precisando-se de alguma imaginação. E, acima de tudo, de técnica narrativa. A qual parece mesmo ser o grande défice na tv portuguesa. Isso do não saber como …


São um vicio os programas de culinária eu que até nem gosto de cozinhar adoro ver o Masterchef Austrália.
Também já por cá passou no canal 1.
Esse australiano nunca vi. Eu nunca acompanhara programas de culinária (excepto os do Herman José, claro), os pedagógicos. Mas este concurso acho engraçadíssimo
Prefiro de facto o Australiano. A comida é mais variada e interessante (talvez pela proximidade da Ásia?), e o tom do programa é mais sereno. Ou seja, o masterchef USA exacerba a competição e as rivalidades, fazendo uma espécie de novela. O australiano, sem deixar a competição de lado, tem um formato e um tom um pouco diferente, mais didático e mais lúdico. Isto provavelmente está directamente relacionado com o estilo “americano” mais agressivo, e o australiano mais “laid back”, e também tem tudo que ver com os jurados/apresentadores.
Também eu prefiro o australiano, é um dos meus programas preferidos de televisão. Mas por cá já se fez um programa deste género, com candidatos portugueses e chefs conhecidos. Por acaso mal o vi, porque só dei por ele quando estava quase a acabar.
Fico curioso com esses aussies E tem razão, o programa acelera Mas para mim acaba por ser o condimento (nem mais) para estar a olhar para uns tipos embrenhados na culinária
O Australiano,quanto a mim,tem uma postura mais leve ,os concorrentes são muito menos competitivos e os chefes (apresentadores) são extraordinários.
(SIC Mulher )
( Parabéns por ter banido o leitor Lavoura eu se fizesse parte do vosso blogue palavra de honra que corria com ele.)
Pois a Sic Mulher não passa cá. E se passasse eu teria problemas em ver, um pouco como quando li [às escondidas] o Colégio das 4 Torres da Enyd Blyton ou a colecção Pop (a mana das “Apache” e “Combate”)
A RTP1 teve duas edições, creio, em versão portuguesa.
E eram engraçadados, funcionais? Seria bom que o tivessem conseguido ser, mostravam que há o saber-fazer (como se diz agora nas escolas …)
Lavoura, eu sei que V. é comentador residente aqui no Delito, mas enganou-se e meteu um comentário num postal meu. Já lhe disse, vetei-o nos meus postais, não tenho paciência.
Nunca vi.
O problema da TV portuguesa nunca foi dinheiro mas sim falta de pessoas com qualidade o que dá falta de ideias e incapacidade para escreverem diálogos. Nas sitcoms americanas basta um barracão e umas paredes.
All in the Family era practicamente só a sala e a cozinha. O resto era diálogo e trabalho de actores.
http://www.youtube.com/watch?v=O_UBgkFHm 8o
Mas o All in the family era genial, não podemos exigir (nem pedir) génio. De qualquer forma este masterchef não é uma sitcom (mas é escrita, decerto), é um “ídolos” da culinária, bem feito
Okay, pode aplicar o mesmo a muitas outras sitcoms onde tudo se passa em uma ou duas salas.
Sim, concordo com o que disse, quantas vezes não sáo os meios a cativarem
A propósito de Masterchefs: a gastronomia portuguesa está mais pobre: morreu dia 26 de Maio, Gabriel Fialho, do Fialho de Évora, grande amigo de quase 50 anos, guardião e grande divulgador da Gastronomia Alentejana.
O Gabriel, que passou mais de sessenta anos a trabalhar no Fialho, estava doente há uns dois ou três anos. O Masterchef do Céu resolveu chamá-lo, poupando-o a ele e à Familia, principalmente à sua Zéfinha, a um grande sofrimento.
Fica a saudade de um Amigo que proporcionou vezes sem conta, a mim e a outros amigos, momentos gastronómicos únicos.
Fica em paz Gaby, havemos de voltar a encontrar-nos, nem que seja para comer uns “pézinhos de coentrada”; feitos por ti, claro. Eu levo o vinho…
Saúdo esta sua homenagem, lamentando o falecimento. Nunca fui ao célebre Fialho (há mais de 15 anos que nem vou a Évora, noto agora). Talvez algum co-bloguista possa cumprir uma homenagem in-postal ao que sempre ouvi dizer ser um santuário da gastronomia nacional.
Gosto bem mais dos Pesadelos de Ramsay na Sic Radical , tem um lado mais humano (não tão artificial) e além da comida , bem espremido , aprende-se gestão , marketing e a saber estar e fazer.
P.s. – O homem está sempre a praguejar mas ok , até dá um ar cómico á coisa.
P.s. 2 – Não basta replicar programas que tiveram ou têm sucesso lá fora é preciso mesmo dar-lhes alma Portuguesa e ter pessoas á frente igualmente carismáticas.
Não conheço esse, mas fico atento. Até porque gosto dessa anunciada vertente praguejadora, que sempre considero uma obrigação ideológica (aqui no DO controlo muito a linguagem).
E também concordo com o que diz, não se trata de replicar o que funciona no sempre sagrado “lá fora” mas de escolher conteúdos e montá-los “à vontade do freguês” (o que se poderá considerar a “alma portuguesa” que refere). Quanto às pessoas carismáticas as coisas aplicam-se também aos modos de cada contexto. Eu coloquei este postal no outro blog onde escrevo e lá foi comentado que este masterchef teve versão portuguesa e por lá apareceram especialistas sisudos, mui convictos e altaneiros, a tornarem aquilo chato, um “doutorismo” a procurar respeitabilidade, digo eu que não vi o programa. Torna-se difícil numa sociedade que é, ainda (?), muito hierarquizada, cheia de títulos e arrivismos, desmontar as poses ou viver hierarquias com outros modos, mais festivos chamemos-lhes assim
Na vertente “À vontade do freguês” deixo aqui o que me ocorreu o outro dia, jantando cá em casa e falando deste Masterchef. Seria engraçado um programa, mais pequeno claro, tipo concurso em que surgissem perfis amadores não a cozinharem mas sim a fazerem paineis (combinações) de queijos, enchidos e vinhos e, porventura, alguns pratos leves (“petiscos”, na velha expressão). Regulados por orçamentos, tipo menu baratinho, rasca, de tasca bruta, de tasca fina, carote, impossível e por aí adiante. O amigo que connosco partilhava a mesa, hóspede, propôs logo que eu escrevesse a ideia e que a submetesse, que ainda ganhava algo (uns queijos, pelo menos). Mas a quem?, resmunguei, enquanto lascava o apenas-mediano queijo de Chimoio.
O “Ramsay’s Kitchen’s Nightmares” é também um programa muito cá de casa – o único reality show (se o podemos designar por tal) que vou acompanhando, e o único programa que sigo em canais portugueses (no caso, a SIC Radical). O Gordon Ramsay é uma personagem daquelas…
Caro jpt eis-me aqui a agradecer a suspensão da malevolência para comigo e para com o Mário.
Mas digo-te que além dessas series que referiste tens o Midsummer Murders deliciosa para quem goste de polícias e assassínios e a Good Wife excelente para quem goste de política, São toda, claro, na tv cabo.
Aqui já tentámos fazer um Master chef português, mas a comparação é inútil…logo é melhor ver a Helena e o Mário que, às vezes, até têm graça!
:-))
Vou então estar atento ao dueto Helena & Mário, que percebo agora ser habitual presença (julguei que tinha sido apenas naquele dia). A “Good wife” já vi em tempos, mas perdi-lhe o rasto, o outro não conheço, vou procurar.
Velho idiota!