Mais um caso para o Poirot


Sérgio de Almeida Correia,

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O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais desconhece de que assunto se trata. Eu também. Os inspectores tributários querem ver esclarecido o destino de 10 mil milhões de euros. Eu também. O Ministério das Finanças e os partidos, através dos seus deputados no parlamento, querem saber o que se passou. Eu também.

Entretanto, “[h]á oito meses que estão a marinar no Parlamento várias propostas para combater a “criminalidade económica, financeira e fiscal”“. Só há oito meses?

Longe de Portugal, perdido como já estou no meio de tantas “reformas” do Estado, da Administração Pública e de tudo e mais alguma coisa, creio que a pessoa ideal para esclarecer o que aconteceu aos milhões, e todos os outros mistérios que assolam o nosso país, é o meu velho amigo Hercule Poirot. É tipo para fazer um trabalho limpinho. Não cobra honorários, desconhece o que são horas extraordinárias ou subsídios, não é funcionário do Estado, não depende de nenhum partido, não pede emprestado aos amigos, nunca foi ao BES, não conhece ninguém na CGD, e ainda confidenciou-me que não faz tenções de se reformar. 

Para já, é uma sorte que se saiba quem são os beneficiários do subsídio de lavagem. Desta parte está o Poirot livre. Mas, pelo sim, pelo não, o melhor é que ele também investigue se todos os que recebem o subsídio tinham um carro para lavar. Ainda me lembro de em tempos haver uns figurões que recebiam um subsídio de residência, por estarem deslocados em Lisboa, tendo casa própria na capital. E houve um que até foi a correr mudar a residência para o Algarve para passar a receber o subsídio.

Em Portugal, nestas coisas das lavagens, seja dos carros ou dos milhões, sabe-se sempre quem paga e quem fica sem os milhões, tal como nos subsídios. Mas nunca se sabe muito bem quem lava o quê e a quem. Nem com que mão.

0 comentários em “Mais um caso para o Poirot”

  1. Exijo já uma Comissão de inquérito. 10.000 000 000. É assim que se escreve numericamente dez mil milhões? E ainda dizem que o país não gera riqueza . Como eu gostava de ter jeito para gamar

  2. Depois venham – me com essa história da Lituânia e os seus cortes de 30% nos salários, ou na reforma do Estado Social ( vulgo corte das pensões de quem mais precisa). E o que choca é serem esses cromos que falam sobre a necessidade dos cortes e do ” viveram acima das possibilidades ” quem fecham, ou deixam que lhes tapem os olhos, a tanto milhão. Somado com o que o Estado já enterrou no sector privado da banca até me interrogo como é que Portugal consegue os excelentes resultados que ultimamente têm sido publicados. Um país cheio de recursos

    1. Com tanta vigarice passada e planeada, quem acredita que os “bons resultados” são verdadeiros…. ou cozinhados no INE.. ( 5 estrelas Michelin)

  3. “Justiniano”: o seu comentário foi liminarmente apagado. E se persistir assim continuará a ser.

    Discorde, zangue-se, proteste, faça como entender. Mas se quiser aqui comentar alguma coisa, faça-o sem insultar os outros. Ou então vá para outra freguesia.

    Nesta casa todos, sem excepção, têm nome e são filhos de boa gente.

    1. Mas em que é que o meu comentário foi insultuoso para quem quer que seja!!?
      Dou o meu tempo por bem empregue se com o teor do mesmo aprendeu, VmcÊ, alguma coisa!
      Caso contrário, lamento!

  4. Portugal é um Pais com elite que escreve nos jornais criou uma cultura de obsessão com o dinheiro dos outros, as coisas dos outros.

    Não admira que um País com esta cultura não crie nada, não invente nada, não saiba nada. Os jornalistas criaram um país entre o a Dependência e a delação Pidesca.

    1. Um nível de linguagem e pensamento que visa traduzir a ideia de que os tais 10MM eram, porque sim, sem mais, do Tesouro!! E que foram, assim, desviados!! E eu quero, exijo, saber que destino lhe foi dado!! Se foi gasto em P… e champanhe ou, estupidamente, acumulado!! E se foi simplesmente acumulado, é mister que seja devolvido e patrioticamente empregue!!
      É triste, invariavelmente!!

      1. “Se foi gasto em P… e champanhe ou, estupidamente, acumulado!! “
        “E se foi simplesmente acumulado, é mister que seja devolvido e patrioticamente empregue!! 2

        Pergunta que surge:

        Se foi gasto em P….e champanhe é patrioticamente empregue?

    1. Outro com a obsessão dos socialistas? Essa Conspiração Internacional. Outro que deve acender uma velinha a São Salazar. Amén

      1. Claro, caro Neubauten, uns alucinados!! Ainda por cima com saídas sem pertinência alguma com o teor da posta!!

  5. Quando chegar a altura de se conhecer o que é que efectivamente se passou, aposto que a maioria de esquerda vai impedir em nome de um qualquer “princípio” lá muito deles, que a verdade se conheça.
    Eu só deixo uma pergunta: porque é que um governo que produziu legislação especifica para controlar e penalizar as trasferências de dinheiro para fora do país, alargando até os prazos de prescrição de quatro para 12 ou 15 anos, haveria de fechar os olhos ao envio legal de 10 mil milhões no meio de setenta ou oitenta mil milhões que saem do país todos os anos?
    Basta ver os titulos do Publico de Janeiro de 2016 e o mais recente para se perceber que aquilo não passa de uma notícia lá plantada, para não se falar, não, não é da CGD, é dos relatórios ontem divulgados pela Comissão Europeia e pelo FMI que são arrasadores para as politicas do governo, pondo o FMI até em causa o tal milagre do defice dos 2,1%. São de tal maneira graves que o insuspeito Jornal de Negócios, noticiava ontem na sua edição online que o governo tinha visto com esses relatórios, um cartão vermelho, vários amarelos e nenhum verde!

    1. No 1o episodio da série “Mad Men”, onde se narram virtualidades de uma agência de publicidade em NYC nos anos 60, o cliente é uma tabaqueira.Nessa altura são divulgados, ao grande publico (e.g. na “Reader’s Digest”), os primeiros estudos que indicam que o Tabaco faz mal á saude, causa cancro. A tabaqueira precisa de uma campanha publicitária para contrariar esta mensagem, detrimental para o “business”. A descoberta da solução, a partir do jingle ‘it’s toasted’, é de antologia. Pode ser vista neste link:
      https://www.youtube.com/watch?v=DyKwzpx-CWo

      Tal táctica, que se estendeu a diversas áreas que não a publicidade comercial, é o que hoje foi vulgarizado como “spin”. Quando não podemos contrariar uma evidência – por exemplo, um ministro que mentiu, reiterou a mentira, para esconder o quão incompetente e demagogo foi [lembram-se que o ano passado esta gente anunciava “salvações do sistema financeiro”, etc] inclusive mentir descaradamente no parlamento… – convém reciclar o que é não linear, por exemplo, na prossecução da administração ordinária para obter ordinarice. Ou seja “10 m Milhões escaparam para off-shores” é uma geringonça boçalidade como ‘it’s toasted”….é o xuxa Costa y sus geringonços y sus trampas a falar para dentro, para si mesmo como em pose de catarse, e que contempla ” (..) a billboard on the side of a road that screams with reassurance that whatever you’re doing is okay. You are okay.”
      O problema é que a mentira tem sempre perna curta – e o Tabaco faz mesmo mal á saúde.

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