Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A Lituânia passou entre 2008 e 2010 por um ajustamento duríssimo, com reduções dos salários públicos de 20% a 30%, com cortes nas pensões acima de 10%, com toda a coreografia dramática das exigências do FMI (pobreza, desemprego, desesperança) e se está hoje onde está é porque o sacrifício valeu a pena. O mesmo aconteceu na Irlanda. Ou, em parte, na Espanha. Se Portugal continua a ter ainda hoje um PIB abaixo do que registava em 2009, se cresce a ritmo de caracol, se a pobreza se mantém na ordem dos 20% da população e se continua a ser ultrapassado pelo cão e o gato, é porque o sacrifício não valeu a pena. Afinal, Portugal não deixou de ser um paraíso para as corporações patrocinadas pelo Estado. Não deixou de ser condescendente com ministros que fogem à verdade. Permite fugas de dez mil milhões de euros para os off-shores perante a passividade das autoridades tributárias. Subalterniza a Matemática e o Português nas escolas. Dá horários de privilégio a funcionários públicos. Isenta os restaurantes da equidade fiscal.»

Manuel Carvalho, no Público

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Se os lituanos não protestaram quando lhes fizeram os cortes de 30-40% nos salários, ou se os partidos da oposição não aproveitaram o descontentamento para ganhar as eleições, é porque são pouco inteligentes (os lituanos e os partidos).

    Já gora quanto pagam os lituanos e quantos escalões de IRS existem na Lituânia? E o IVA? E os combustíveis? E o preço do arrendamento/compra de casa? E como funciona o sistema de saúde lituano?

    Acredito que na Nigéria conseguiam fazer cortes de 50%, e qua na FRança nem de 10% consigam fazer

    1. Já percebi, o problema foi a austeridade, não ter sido tão austera quanto devia, ou não ter durado o tempo necessário!! Anedóctico.
      Faz-me lembrar os médicos que errando no tratamento continuam a aumentar as doses dos medicamentos/duração do tratamento não lhes passando pela cabeça que o diagnostico poderá estar errado.
      Não faltam economistas que dizem que a austeridade não leva a nenhum lado. E não faltam políticos que se defendem;

      Portugal não á a Grécia. Portugal não e á Irlanda.

      Bom, Portugal não é a Lituânia.

      Respira-se finalmente em Portugal algum ar de esperança. Quer devido a este novo Presidente, quer ao novo Governo

    2. Provavelmente os Lituanos sabem fazer contas ou são mais honestos que os Portugueses.
      Por isso a França caminha para baixo…tal como Portugal que é um dos países que mais pune quem cria riqueza
      https://danieljmitchell.wordpress.com/2017/02/19/mirror-mirror-on-the-wall-which-nation-punishes-productive-people-worst-of-all/

      Os Lituanos tem flat rate de 15% apenas com valores mais baixos para casos de pobreza.
      Logo um sistema muito menos discriminatório que o Regime Marxo-Fascista do 25 de Abril

      1. Lituânia está no lugar 39, e Portugal no 29, quando ao Corruption Perceptions Index 2016.

        “tal como Portugal que é um dos países que mais pune quem cria riqueza”

        Parece que pune mais quem é pobre (saiu para aí há uns meses um relatório que diziam terem sido os pobres a pagar a crise).

        Mas tenhamos esperança no Trump – parece que os transexuais já não podem usar o WC das senhoras…ganda Trump

        1. Não metamos o Trump ao barulho, não “matemos” o assunto, nem desconsideremos interlocutores, invocando quem nada tem a ver com o caso. Mas, bem sei, em quem é “bem” zurzir” como fonte de todos os males reais, potenciais ou imaginados. Este país – o seu povo e a sua dita elite política (toda, aquela que você tanto admira incluída) – com bem escassas excepções não se recomenda. Ou pior.

          Nós chegamos perfeitamente para nos auto-flagelarmos com método e largo dano, prática em que nos empenhamos com raro e reiterado masoquismo, e dificilmente temos autoridade para olhar de cima para quem quer que seja.

          Costa

          1. “e dificilmente temos autoridade para olhar de cima para quem quer que seja”.

            De acordo. Quero sempre chegar aí. Temos o que somos

  2. Tenho lido as últimas crónicas do Manuel Carvalho como agrado. A penúltima gostava de ter sido eu a escrever: sereno, equidistante, realista, descomprometido. Vinte valores!

  3. “Os resultados, principalmente o do crescimento de 1.4%, só são bons porque deixámos de ter expectativas”

    Retenho essa passagem que tudo resume. É mais forte do que nós essa atracção pelo “viver habitualmente”. É afinal todo um povo que é, no mais fundo de si e muito que proteste o mais ousado progressismo, ou o que lhe mandarem gritar, “salazarento” (o resignado povo do “vai-se andando”, do “antes mal que pior” ou do “menos mal”). É o PS que o é, é a geringonça quem quer que assim se pense. Como tem querido quem tem passado pelo poder, com a incumbência principal de nele se manter para sobreviver.

    Uma aurea mediocritas, enfim, que de áureo tem cada vez menos.

    Costa

  4. Continuamos, e continuaremos, o eterno “povo do caldo da portaria do convento”.
    Gente menor, por (falta de) vontade própria.

  5. Geralmente o sacrifício dos outros vale sempre a pena.

    Claro que geralmente não são os sacrificados quem provocou o problema nem quem beneficia da solução.

    Mas os países vão ficando melhores, enquanto as pessoas ficam piores.

  6. Que texto de alguém que deveria olhar para o jornal onde escreve.

    “Lituânia passou entre 2008 e 2010 por um ajustamento duríssimo, com reduções dos salários públicos de 20% a 30%, com cortes nas pensões acima de 10%, com toda a coreografia dramática das exigências do FMI (pobreza, desemprego, desesperança) e se está hoje onde está é porque o sacrifício valeu a pena.”
    -Que o Publico sempre condenou.

    “Afinal, Portugal não deixou de ser um paraíso para as corporações patrocinadas pelo Estado. “
    -Que o Publico apoia.

    “Se Portugal continua a ter ainda hoje um PIB abaixo do que registava em 2009, se cresce a ritmo de caracol.”
    -Que o Publico sempre defendeu.

    “Não deixou de ser condescendente com ministros que fogem à verdade.”
    -Está a falar da condescendência do Publico com Ministros que prometem partir a cara a jornalistas do Publico?

    “dez mil milhões de euros para os off-shores perante a passividade das autoridades tributárias.”
    – Há alguma prova?

    “Subalterniza a Matemática e o Português nas escolas.”
    -Que o Publico sempre apoiou.

    “Dá horários de privilégio a funcionários públicos.”
    -E dá ainda muitos mais privilégios, que o Publico sempre apoiou.

    “Isenta os restaurantes da equidade fiscal.”
    -Equidade fiscal? Já olhou para a progressividade do IRS? Ou o IMI que os Partidos não pagam?

  7. Confesso que gostava de saber como ainda se consegue fazer este tipo de reflexões sobre PIB’s e, nem os milhões nos off-shores lhes servirão de muito, quando as radiações de Fukushima continuam incontroláveis desde 11/03/2011 e, hoje, também fiquei a saber que já chegaram à Europa e tudo, isso sim, por mera ganância da minoria que deixámos que governasse o Planeta, com a respectiva criadagem mas, a grande maioria, ainda continua a dar ouvidos a essa gente que, provavelmente, se pudesse, estaria num desses Planetas de que a Nasa falou hoje, no seu comunicado (mas, nem sequer disto podemos ter a certeza porque, se calhar, os dos Triliões, até já têm para onde ir).
    Se alguém quiser saber alguma coisa sobre o assunto terá de investigar por conta própria porque, se estiver à espera de ser informado pelos mídia “tradicionais”, bem pode esperar (morrer) sentado porque as radiações nucleares são completamente invisíveis, através do ar, da água ou na nossa cadeia alimentar e, nem têm de explicar os seus efeitos, podem sempre inventar qualquer coisa, para o aumento de cancros e óbitos, talvez culpar as bebidas açucaradas e, se notarmos que, quanto às espécies marinhas, mais de um terço já morreu, aí, em vez do açúcar, entra aquilo que passou a servir de desculpa para tudo, o aquecimento global.
    Só sabendo o que se passa, poderíamos exigir que fossem implementadas medidas, pelo menos na segurança alimentar porque, nos produtos distribuídos a nível global, convinha saber quais poderão estar contaminados ou então, fazer o mesmo do costume, até no que poderia ser evitável, sempre tarde demais e, mais umas quantas comissões parlamentares de inquérito onde, como sempre, as culpas morrem solteiras mas, desta vez, não serão por meros sms’s, nem dinheiro.

    https://www.youtube.com/watch?v=4i6Ef1w0u1Y
    Fukushima/Scientists “Will Leak Until the End of Time/Radiation/Europe

  8. A Lituânia passou entre 2008 e 2010 por um ajustamento duríssimo

    Esta frase parece sugerir que, se Portugal tivesse passado por um ajustamento tão duro quanto o lituano, estaria agora são como um pero.
    Porém, tal sugestão contradiz um relatório muito recente, salvo erro do FMI, segundo o qual a austeridade portuguesa foi dura de uma forma contraproducente, isto é, que teria sido melhor se a austeridade em Portugal não tivesse sido tão dura.
    Ou seja, o autor do texto tem que perceber que aquilo que funciona na Lituânia não funciona necessariamente em Portugal.

  9. O Manuel Carvalho poderia ler o próprio jornal que não lhe fazia mal nenhum:

    “Instituto alemão DIW diz que austeridade amplificou crise em Portugal –
    Economistas defendem que efeito positivo das reformas estruturais aplicadas foi em parte anulado por um excesso de cortes orçamentais. A austeridade, dizem, devia ter sido “bastante modesta”.

    https://www.publico.pt/2017/02/22/economia/noticia/instituto-alemao-diw-diz-que-austeridade-amplificou-crise-em-portugal-1762936

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