Mais trinta cidades que jamais esquecerei (XXV)


Pedro Correia,

 

 

GDANSK

“Mesmo quando regressamos a lugares que deixámos para trás, lugres que foram devastados e perdidos, lugares que nos parecem estranhos e até receberam novos nomes, somos assaltados por uma recordação. Foi o que me aconteceu na Primavera de 1958, ao visitar Gdansk pela primeira vez desde a guerra, quando a cidade emergia lentamente dos escombros e eu ansiava por cruzar-me aqui e ali com algum vestígio do que em tempos Danzig foi.» (Günter Grass)

6 comentários em “Mais trinta cidades que jamais esquecerei (XXV)”

  1. Passei por lá quando estava noutra cidadezinha deliciosa, bem próxima: Swinoujscie, antiga estância balnear e cidade piscatória, cheia de história. Que português não se sente em casa nessas terras do lado bom da Polónia, o da água? Um assombro. Partir da zona da Polónia Grande (Poznan) e subir até Szczecin, chegando a Wolin… lindíssimo. Acho que foi o único país em que viajei sempre de comboio. Divertidíssmo.

    1. Eu não viajei de comboio, mas tive pena: viajar entre cidades de avião não tem o mesmo interesse. A Polónia é um país que sempre me fascinou. Pela história, pela cultura, pela feroz resistência que sempre opôs às forças invasoras de leste e oeste, pelo importante papel desempenhado no derrube do bloco comunista, pelo crescimento que tem registado desde a adesão à União Europeia. E sobretudo pelo facto de os polacos serem um povo mártir: impossível alguém manter-se indiferente ao visitar o antigo campo de extermínio de Auschwitz, impossível não sentir emoção ao visitar o lugar onde existiu o tenebroso gueto de Varsóvia.

      1. Ai, não me puxes pela língua… Só te posso dizer que a Polónia me rendeu completamente, e eu não esperava. Estive lá antes da entrada na UE, em 94. Adorei o povo polaco. E cultivo desde então a ideia estrambólica de que temos imensas parecenças com eles: uma tristeza mansa e poderosa, que é estrutural mas não é desistente: é antes uma força. Chopin não poderia ter outra nacionalidade.
        -Varsóvia? Varsóvia… não desilude as nossas memórias livrescas e quase dói. Só depois disso, de nos doer, é que conseguimos entender aquela coisa bizarra das igrejas porta sim, porta não (a maior parte horríveis e, claro, modernas). Foi realmente o único país que conheci de comboio, depois de aterrar. Até numa couchette dormi… aventura tardia. A coisa parava de meia em meia hora, ouvia-se aquela fala arranhada aos microfones e eu não preguei olho toda a noite, ao contrário do parceiro de baixo.Tudo porque, com as minhas insónias nem sempre inúteis, dei por mim a deixar-me levar pelas recordações dos comboios da morte. Não foi nada macabro. Macabro foi realmente como os dizimaram.

        1. Nada melhor para conhecer um país do que percorrê-lo de comboio, Laura. Fiz assim em Espanha, Inglaterra, República Checa, Eslováquia, Hungria, Suíça, Índia e Japão. E gostei sempre.

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