Ainda sobre a violência em Inglaterra


Rui Rocha,

A Inglaterra tem actualmente uma taxa de desemprego de 7.7%. É uma taxa historicamente elevada mas, ainda assim, bem mais amigável do que a de certos países do sul da Europa que conhecemos demasiado bem. Por outro lado, os Jogos Olímpicos de 2012 darão origem a uma oferta maciça de empregos naquele país. Neste contexto, os que justificam os actos de vandalismo que ocorreram nos últimos dias com a falta de perspectivas de futuro e outras profundezas sociológicas falam exactamente de quê? 

6 comentários em “Ainda sobre a violência em Inglaterra”

  1. É só balelas da boca dos sociólogos. É a revolta por querer um emprego. Sim, por isso é que incendiaram os negócios locais que lhes poderiam proporcionar isso. Ou que grande parte dos amotinados nem tem idade para legalmente trabalhar. Enfim, a treta habitual dos corações moles.

  2. Rui,

    Questionados uns seis miúdos sobre os casos, disseram que fizeram as pilhagens porque:
    –queriam uns ténis;
    –porque um tinha um filho , queria fraldas;
    –material informático (como se fossem gente com conteúdo…, a não ser que achem que é só “gosto”, e “action men”)

    Arrependidos? Disseram um claro não.

    Não é preciso cientistas sociais explicarem…

  3. Rui, primeiro, o menos importante: “É uma taxa historicamente elvada…”
    Atendendo ao estado de espírito que a relatada violência desencadeia, percebe-se a elevação do lapso.

    A violência não tem justificação, mas tem causas. E causas muito sérias e muito profundas.

    Estamos a falar de quê?

    De centenas de milhar de funcionários públicos ingleses despedidos e do impacto desses despedimentos nos respectivos funcionários e agregados familiares.

    De, para poder estudar e fazer um curos superior, ser necessário financiamento bancário, dada a, aí sim, elevada propina exigida em qualquer estabelecimento de ensino superior.

    De esse financiamento bancário ser pago com elavdos (lá está, elevados) juros e num alargado período de vida que se centra nos primeiros anos de vida activa, após a licenciatura, o casamento, o nascimento dos filhos e que, se torna portanto uma âncora a puxar para o fundo e a não deixar vir à tona e a permitir uma vida profissional condizente com as habilitações (principescamente pagas) e os sacrifícios feitos.

    Do abandono de milhares de jovens adolescentes, entregues a si próprios durante grande parte do dia, enquanto os pais – que têm a sorte de ainda manterem um emprego – trabalham cada vez mais horas para atingir as metas da competitividade e manterem a sorte (!) de ter o emprego.

    De fome (amis ou menos “encapuzada”), dadas as pilhagens em mercearias e que desconfio, não foi para destruir os alimentos nem os transaccionar no mercado “paralelo” (para não atingir nenhuma raça).

    Do aniquilamento surdo de actividades económicas tradicionais e decisivas para a economai inglesa, como a indùstria, em detrimento de serviços – que não interessam verdadeiramente e que se podem contratar no estrangeiro a preços mais interessantes.

    Do enfraquecimento gradual e progressivo dos sindicatos de trabalhadores.

    De discriminação social, de que a polícia inglesa não está isenta.

    De segragação em bairros para indianos, para negros e outros, como os portugueses de menos posses e que só lá vivem (des)agregados por nacionalidade(s).

    De cortes, sem precedentes, no Serviço Nacional de Saúde e que, com um clima daqueles, atira muito boa gente para condições de vida insalubre não muito distantes das do Séc. XIX, tão magistralmente relatada por Dickens.

    Da impreparação da polícia inglesa para lidar com as formas mais modernas de criminalidade, o que é tanto mais alarmante quanto os hooligans têm “origens” naquelas paragens.

    Da impreparação da actual classe política inglesa (excluídas as escolhas de férias: sim, a Toscânia!) que só tem para oferecer maior e mais intensa violência.

    Da total ausência de esperança e de uma ideologia que dê sentido útil à condição humana.

    Não há um caminho de esperança e o que estes políticos ingleses (e não só) têm a oferecer é apenas a certeza de mais e duros golpes nas vidas miseráveis a que vão condenando os povos.

    Os povos já pouco ou nada têm a meter… daí a violência.
    Oferecer apenas violência como resposta, não é resposta.

    Devemos reflectir sobre isto.

  4. O tempo disponível não permite responder aos comentários (e também não permitiu evitar alguns lapsos de redacção). Agradeço os contributos apresentados para a discussão.

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