Mais cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (65)
Pedro Correia,
«O igualitarismo doutrinário esforça-se em vão para contrariar a natureza, biológica e social, e não conduz à igualdade mas à tirania.»
Raymond Aron (1905-1983)
10 comentários em “Mais cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (65)”
Um autor que merecia ser mais conhecido fora dos círculos académicos, efectivamente. Gosto da citação mais famosa que dele se faz (julgo que com origem numa carta dirigida ao seu arqui-rival J. P. Sartre): “Quer se seja de direita ou de esquerda, é-se sempre hemiplégico.”
Essa foi, de facto, uma das frases que o celebrizaram. Gosto da obra de Aron, designadamente ‘O Ópio dos Intelectuais’ – expressão, aliás, que ganhou asas e passou para o léxico político. Devíamos todos ler mais páginas de Aron. Tal como devíamos ler mais páginas de Popper. Os pensadores moderados, adversários firmes de todos os radicalismos, nunca estiveram muito na moda mas a razão está do lado deles.
Aron destingue deliberadamente ‘igualitarismo’ de igualdade. O ‘igualitarismo’ conduz à tirania. E conduziu a Tirana, na Albânia, durante o regime totalitário de Enver Hoxha.
Mas é impossível distinguir, é uma impossibilidade lógica.
Segundo RA então seria possível atingir a igualdade sem igualitarismo ou seja sem “contrariar a natureza, biológica e social”… ora isso não faz sentido, é uma contradição.
RA não advoga a igualdade como fim político: na opinião dele, os meios destinados a esse fim são sempre perversos. O igualitarismo, enquanto ideologia, deu origem aos mais ferozes regimes de que há memória. RA prefere – acertadamente – dar ênfase à liberdade.
Mas nesta frase RA não critica a igualdade que os proponentes do igualitarismo defendem. Até parece dar-lhe mérito. Diz apenas que o método deles: igualitarismo não traz igualdade. É claro que a frase pode ser apenas um meio para tentar convencer os adversários.
Terá sido o caso, não tenho a menor dúvida.
Bem lembrado!
Um autor que passou na minha adolescência; entre paredes domésticas, colhia um ou outro livro, como a estação ou o fruto da ocasião; Aron fez-me parar, fazendo-me relê-lo.
…lá fora, era o silêncio absoluto entre os colegas, a censura de um ou outro adulto; mas reinava o silêncio : acaso a pior censura? A escola pública, fosse dada no liceu ou no colégio privado, não tinha nomes como este, e bem tantos outros que aqui tem o Pedro assinalado. SALVE.
Bem sei o que diz, Monge. Felizmente, nesta era da circulação transversal da informação, deixou de ser possível tapar o sol com a peneira: muitos dos gurus que gostavam de condicionar as leituras dos outros estão hoje irremediavelmente aposentados.
Um autor que merecia ser mais conhecido fora dos círculos académicos, efectivamente.
Gosto da citação mais famosa que dele se faz (julgo que com origem numa carta dirigida ao seu arqui-rival J. P. Sartre):
“Quer se seja de direita ou de esquerda, é-se sempre hemiplégico.”
Essa foi, de facto, uma das frases que o celebrizaram. Gosto da obra de Aron, designadamente ‘O Ópio dos Intelectuais’ – expressão, aliás, que ganhou asas e passou para o léxico político. Devíamos todos ler mais páginas de Aron. Tal como devíamos ler mais páginas de Popper. Os pensadores moderados, adversários firmes de todos os radicalismos, nunca estiveram muito na moda mas a razão está do lado deles.
Que confusão de pensamento de Monsieur RA ou então tradução mal feita. A Igualdade é a Tirania.
Aron destingue deliberadamente ‘igualitarismo’ de igualdade. O ‘igualitarismo’ conduz à tirania. E conduziu a Tirana, na Albânia, durante o regime totalitário de Enver Hoxha.
Mas é impossível distinguir, é uma impossibilidade lógica.
Segundo RA então seria possível atingir a igualdade sem igualitarismo ou seja sem “contrariar a natureza, biológica e social”… ora isso não faz sentido, é uma contradição.
RA não advoga a igualdade como fim político: na opinião dele, os meios destinados a esse fim são sempre perversos. O igualitarismo, enquanto ideologia, deu origem aos mais ferozes regimes de que há memória. RA prefere – acertadamente – dar ênfase à liberdade.
Mas nesta frase RA não critica a igualdade que os proponentes do igualitarismo defendem. Até parece dar-lhe mérito. Diz apenas que o método deles: igualitarismo não traz igualdade.
É claro que a frase pode ser apenas um meio para tentar convencer os adversários.
Terá sido o caso, não tenho a menor dúvida.
Bem lembrado!
Um autor que passou na minha adolescência; entre paredes domésticas, colhia um ou outro livro, como a estação ou o fruto da ocasião; Aron fez-me parar, fazendo-me relê-lo.
…lá fora, era o silêncio absoluto entre os colegas, a censura de um ou outro adulto; mas reinava o silêncio : acaso a pior censura? A escola pública, fosse dada no liceu ou no colégio privado, não tinha nomes como este, e bem tantos outros que aqui tem o Pedro assinalado.
SALVE.
Bem sei o que diz, Monge. Felizmente, nesta era da circulação transversal da informação, deixou de ser possível tapar o sol com a peneira: muitos dos gurus que gostavam de condicionar as leituras dos outros estão hoje irremediavelmente aposentados.