
Enquanto não vêm criticar o painel independente e contestar as conclusões, leia-se o que ficou escrito no segundo relatório intercalar da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Para mim, perante a informação que ao tempo possuía, pareceu-me evidente que não se prestou a devida atenção ao assunto em tempo oportuno.
Apesar de na altura já serem muitos os casos, se na China se escondeu, na Europa e no resto do mundo ignorou-se o que se estava a passar. Recordo-me de ter querido comprar máscaras em Portugal, no final de Janeiro e início de Fevereiro de 2020, e de não as haver disponíveis para venda. Foi preciso encomendá-las. E de não haver qualquer controlo nas fronteiras e nos aeroportos. Ainda ninguém tinha pensado nisso. Depois viu-se, está-se a ver, o que aconteceu.
Tudo o resto já é passado, servindo agora de muito pouco o envio da missão da OMS à China. A evidência que houvesse há muito que terá desaparecido atento o tempo decorrido, e partindo do princípio de que nada se eliminou, de pouco servindo nesta altura uma investigação controlada ao milímetro pelos anfitriões e devidamente “protegida” pelos capatazes habituais.
As preocupações de natureza política prevaleceram sempre sobre as exigências de transparência e de saúde pública. E isso aconteceu no início da pandemia, prolongou-se durante as fases iniciais de combate, tardando-se no reconhecimento da gravidade, desvalorizando-se os sinais que se multiplicavam ao nível de uma simples gripe por parte de uns quantos pobres de espírito impantes na sua ignorância, e teve um momento alto na forma destemperada como se reagiu ao pedido australiano para que fosse feita uma investigação internacional independente à origem do vírus.
Como se fosse a imposição de sanções comerciais a quem apenas clama por verdade, e um discurso xenófobo e pindericamente nacionalista, que permitisse escamotear a necessidade de uma investigação. Que seria sempre do interesse de todos, a todos poderia beneficiar, e acaba por acontecer tarde e a más horas, quando já não é possível esconder tudo o que de errado se fez e se pretendeu que o mundo não conhecesse.
Calculo que nunca haverá nenhuma assunção de culpa, nem isso é compatível com a altivez da pose e das respostas dos muitos que falharam clamorosamente na gestão política e sanitária da pandemia.
E se em Portugal surgirá quem aponte o dedo à irresponsabilidade e falta de sentido cívico e de pertença de muitos, também me parece incontornável que o pulso e a liderança não se impuseram, sobrando voluntarismo, insensatez e microfones.
Os mortos ficam para as estatísticas. Todos perdemos muito. E continuaremos a perder. Algumas sequelas físicas e psicológicas serão permanentes. E as culpas, essas, acabarão proporcionalmente distribuídas em prol da cooperação futura entre as instituições e entre os países.
Para que tudo prossiga na paz do Senhor e do partido. Qualquer que seja a estrela que nos guie. Até à próxima catástrofe.

Inútil Marcelo e Costa Habilidoso magoam.
Há anos, com o incomodo das greves dos maquinistas dos comboios da linha de Sintra, estava-mos próximo das eleições Presidências e no meio da exaltação alguém comentou ‘o Eanes é que vai por isto na linha’ ao que foi perguntado ‘o quê, ele vai para maquinista?’.
Agora, é a mesma coisa ou pior ‘então os outros sabiam e não dizem como deve ser feito?’.
A investigação ao aparecimento da epidemia é um completo disparate.
É evidente que epidemias sempre surgiram e surgirão, e não há nada que investigar, trata-se de fenómenos naturais, ainda mais expectáveis nestes tempos de globalização.
A Austrália esteve mal e a China está-lhe a dar para baixo e faz muito bem nisso, que é para os australianos aprenderem a manter a bola baixa e a não estarem sempre a alinhar com os EUA.
É sempre mais fácil acertar no que se devia fazer depois das coisas acontecerem.
Se soubesse qual o número da lotaria para a semana era parvo se não comprasse o bilhete, assim sou só azarado.
Além disso não temos a certeza se as medidas preconizadas teriam o efeito que lhe atribuem.
Máscaras em Janeiro ou Fevereiro provavelmente teriam pouco efeito porque a maioria das pessoas não estava contaminada e a maioria das pessoas não as aceitaria pois não pressentiria o perigo.
Você sabe como toda a “gente” sabe que “eles” nos disseram que as máscaras não serviam de nada porque “eles” sabiam que nem para os profissionais de saúde as havia já para não falar em luvas !
Qualquer máscara não protege a 100% e tem de ser substituída assim que fique húmida.
Agora é só experts em todo o lado mas foram muito poucos os que defenderam desde inicio práticas profiláticas, comportamentos seguros e remédios básicos, foram apelidados de tolinhos e empalados na comunicação social de vários países.
WW