Presidenciais (9)


Pedro Correia,

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O VÍRUS DA INCOMPETÊNCIA

Em vez de andarem preocupad@s com as cores de batons, @s candidat@s presidenciais deviam preocupar-se com a saúde de milhares de portugueses que têm o dever de permanecer todo o próximo domingo junto das mesas de voto, conduzindo e fiscalizando o processo eleitoral.

Serão pelo menos 2500 cidadãos, nas 600 mesas de voto distribuídas pelo País. Em estado de emergência e na fase mais agressiva – e mortífera – da pandemia. Pessoas que estarão junto às urnas a receber e entregar cartões de cidadão e boletins de voto, durante horas a fio, em espaço fechado, previsivelmente sem ventilação, nesta época de invernia. Isto porque faltou vontade política para adiar este processo eleitoral, como o mais elementar bom senso recomendava.

Sem esquecer os cidadãos que também no domingo irão percorrer os lares de idosos com urnas eleitorais para recolher votos nesse mesmo dia – em moldes ainda por definir pelo Governo, pelas autarquias e pela Comissão Nacional de Eleições.

 

Pura navegação à vista, tudo ao sabor do imprevisto, medidas atrás de medidas tomadas em cima do joelho. Enquanto o ministro da Administração Interna contemplava, embevecido, as longas filas que se formaram anteontem junto das escassas mesas de voto disponíveis, atrevendo-se a compará-las à enorme afluência eleitoral registada nas presidenciais de 1976. 

Aquelas 260 mil pessoas que se inscreveram para o voto antecipado tinham um objectivo: escapar às hipotéticas filas do domingo que vem. Azar: acabaram por esperar muito mais tempo para poderem votar. Algumas chegaram a aguardar duas horas, em condições dignas de um país do Terceiro Mundo e potenciadoras de novos contágios por Covid-19.

Um retrato perfeito do vírus da incompetência que tem atacado com força o Governo. E que, sem olhar a cores políticas, atacou também o que resta da suposta e silenciosa oposição.

31 comentários em “Presidenciais (9)”

  1. Eu acho que sim. As eleições só se deveriam poder realizar quando e se todas as condições fossem as ideais. Não pode ser como nos Estados Unidos, onde fazem as eleições sempre na segunda terça-feira de novembro (ou mais precisamente, na terça-feira que se segue à segunda segunda-feira), quer faça chuva quer faça sol e quer haja pandemia ou guerra ou não haja. Nada disso. Em Portugal, as coisas só se podem fazer se forem bem (per)feitas. As condições têm mesmo que ser as ideais.
    É como o café: se um português pede o café “curto” e lho servem normal, então ele tem todo o direito de se recusar a pagá-lo e a bebê-lo, porque “curto” é curto e não pode ser normal, muito menos longo. Faça o favor de me servir outro café, e tem mesmo que ser curto, não pode ter nem mais um bocadinho de água, nem menos um bocadinho.

    1. Apresentar o anacrónico sistema eleitoral dos EUA como modelo é algo aberrante.
      Tem tudo para dar errado – e muitas vezes dá mesmo.

      Basta lembrar que a Califórnia, com 40 milhões de habitantes, tem tantos representantes no Senado (dois) como o Delaware, que não chega a um milhão.
      Basta lembrar que nas cinco eleições presidenciais anteriores a estas acabou eleito o candidato com menos votos (em 2000 e 2016).
      Basta lembrar que, em última análise, tudo é decidido por um colégio eleitoral composto por 538 mecos.

      Basta lembrar que eles votam na primeira terça-feira de Novembro como resquício de um anacronismo rural, quando a época das colheitas havia terminado e as distâncias eram longas para votar e as deslocação muitas vezes começavam de véspera (nunca a um domingo, por ser dia de oração).

      1. Caro Pedro, viv.
        V. sabe perfeitamente porque é que algumas das particularidades dos EUA existem: equilibrar poderes dentro de uma federação de estados e impedir os estados mais populosos de «esmagar» os outros. Parece-me um objectivo legítimo, mas estou naturalmente aberto a outras perspectivas.

        Isto dito, fui votar no domingo. A fila era de facto enorme mas avançou rapidamente e o processo pareceu-me fluido e nada problemático. Se estivesse a chover era outra loiça, mas penso que este governo tem tantos motivos para ser criticado no presente do indicativo que não é preciso ir buscar condicionais.

        1. Caro Luís: pelo que conta, teve sorte.
          Ouvi e li vários depoimentos de pessoas que esperaram mais de uma hora e até duas horas para votar. Em várias cidades.
          As fotos que aqui publico são exemplos entre tantos outros que fui registando ao longo deste domingo.

          Tenho a certeza de que todas essas pessoas se arrependeram de ter optado pelo voto antecipado. E muitas acabaram por desistir, engrossando assim – mesmo a contragosto – as fileiras da abstenção. Que vai ser enorme, estou certo disso, numa eleição que interessa a quase ninguém.

      2. Não são só esses dois estados que têm dois senadores. Todos os estados têm 2 senadores cada um. E há um motivo para isso.
        Dessa forma, cria-se um equilíbrio. Dessa forma, a legislatura do senado, é equilibrada e não se cai no erro de os estados mais fortes passarem leis que os beneficiem e prejudiquem os mais pequenos. Assim fomenta-se a negociação e cria-se uma atmosfera de união federal, em vez de estadual.
        Foi esta solução que se encontrou para unificar um país e apelar a que os legisladores passassem a pensar nos EUA como a sua pátria, pensamento esse que tinha muita resistência aquando do nascimento da nação. E resultou.

        1. Soluções do século XIX totalmente desajustadas – e até ridículas – no século XXI. A “maior democracia do mundo” não é exemplo para ninguém.
          Como se tem visto.

      3. Leopedro
        Fez bem informar a gente sobre as eleições americanas. Aquela de poder ganhar com tem menos votos faz lembrar as votações nos clubes de cá, com os mais antigos a ter mais “peso” de voto que os outros.
        As filas de domingo são como udo o que se passa por cá quando há novidade.
        Mesmo aos mais optimistas nunca lhes passou pela cabeça aparecer tanta gente, e não é com um ‘já se esperava isto’, agora, com o assunto arrumado.
        Aquela do Cabrita atirar com ‘grande sucesso’ deve ser entendida como as pessoas terem aderido à ideia e não à barracada de ajuntamentos e filas.
        Bom e é mais uma a juntar ao ‘é vergonhoso’: fogos, tancos, pedreiras, árvore da Madeira não, juízes, pandemia, vacinas e mais umas coisinhas. Algumas já saldadas com as eleições de 2019, agora estas recentes estão a entrar em débito de conta

      4. “Basta lembrar que eles votam na primeira terça-feira de Novembro como resquício de um anacronismo rural, quando a época das colheitas havia terminado e as distâncias eram longas para votar e as deslocação muitas vezes começavam de véspera (nunca a um domingo, por ser dia de oração).”

        Por acaso esse motivo até tem piada. É uma tradição como tantas outras. Há muita gente a defender que o dia das eleições devia ser feriado.

        Já a regra dos dois senadores por estado é mais complicada. Ou de o distrito federal não ter senadores, por exemplo…

        1. Desde logo não haver voto directo mas apenas sufrágio indirecto, João. Uma sucessão de anacronismos. Eles pretendem ser um modelo à escala global, mas no sistema político não serão nem jamais conseguirão ser.

  2. A decisão de permitir aos cidadãos que o desejarem votar no domingo anterior tem todos os ingredientes para dar sempre errado. Porque nunca é possível as autoridades saberem, com a antecipação desejável, quantos cidadãos se irão inscrever para votarem nesse domingo anterior, pelo que, com toda a probabilidade, ou se formarão umas vezes filas intermináveis, ou haverá noutras vezes mesas de voto a mais.
    É uma solução que dará sempre errado e que portanto será sempre alvo de críticas.

  3. O que se passou é ridículo!
    Antecipar o voto para estar 2 horas numa fila, sempre votei no dia das eleições e nunca na minha vida esperei mais de 2 minutos, sempre votei de manhã cedo em Lisboa.

    1. Queriam fugir aos ajuntamentos e foram parar a um ajuntamento muito maior.
      E ainda aparece um ministro a bater palminhas.
      Sinais de um governo em manifesta desagregação.

      1. É fácil de ver que as desculpas para não adiarem as eleições se prendem com o cada vez maior crescimento de André Ventura. Quanto mais para a frente mais ele cresce. E não pode ser.

          1. Não tenha dúvida. A classe política, opinadora e jornalística portuguesa ainda não percebeu que só se consegue refutar o homem, as suas avaliações, prognósticos e planos, provando que ele não tem razão… com factos, números, idéias e projetos.
            Não é com mordaça, censura e falta de isenção profissional.
            Mas isso dá muito trabalho e poucos têm capacidade. Sem esquecer que o país chegou a um ponto tal que dificilmente o conseguem refutam, excepto num ou outro ponto. Por isso, jogam sujo.
            Ninguém quer saber do que o povo pensa. Querem é que o povo pense como eles acham que se deve pensar.

          2. Mas não lhe dão tempo de antena. A candidatura serviu para isso. Para ter tempo de antena. Porque são obrigados. Se não fossem até o tino tinha mais

  4. Aguenta, aguenta.
    Noutros tempos seria um atentado ao Estado de Direito, agora é um sintoma de uma pujante democracia participativa.
    Nota positiva: são filas, não bichas.

  5. Continuo a ter dificuldade de acesso e o erro que me dá é o 500 do servidor interno.
    Veja se tem alguns ficheiros corrompidos ou se o problema é só meu.
    Senão começo já a imaginar uma qualquer teoria de conspiração para me obrigar a vacinar o computador.

  6. Como toda a gente acha qualquer coisa, eu também ( ou támem no dialecto Costa) acho.
    E acho que os valentes 250.000 que contra tudo e contra todos só com a bênção de São Cabrita, foram votar, vão ser os únicos, pelo que se advinha uma votação no “eleito” inferior aquela que o Tino teve há 5 anos.

  7. António Costa veio dizer que se soubesse o que sabe hoje, não teria mantido as medidas menos restritivas do Natal. E disse ainda a Telmo Correia: “Se o senhor deputado acha que resolve os problemas do país dizendo que a culpa foi minha pela forma como as famílias celebraram o Natal e que é, por isso, que estamos como estamos, ofereço-me já a esse sacrifício e deixo à sua consciência se acha que foi eu o responsável pela situação em que estamos”.

    https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/antonio-costa-admite-que-nas-circunstancias-que-temos-hoje-nao-teria-mantido-medidas-do-natal-690007

    Daqui a duas ou três semanas aplica a mesma receita no que se refere às eleições.

    1. Ele não pediu desculpa.
      Nunca pede.
      O que ele disse é a prova da sua arrogância e a sua má educação.
      “Se quer que eu diga, eu digo”
      Isto não é de um estadista, é de um taberneiro. (estes que me desculpem)

      1. É isso mesmo, António, foi isso que eu quis dizer. Com a agravante de que ele poderá usar o mesmo estratagema (sacudir a água do capote) se as eleições piorarem a situação pandémica.

  8. O primeiro-ministro vai se responsabilizar pela catástrofe em que nos colocou ou vai continuar a dizer que a culpa é das pessoas?

    A.Vieira

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