
A BLOGOSFERA PORTUGUESA, de Sérgio Barreto Mota (Fundação Francisco Manuel dos Santos). Breve visita guiada aos anos de ouro dos blogues em Portugal, quando todos os dias nasciam dezenas de títulos, quase todos já desaparecidos. Com visão irónica e mordaz, confessando simpatias e antipatias sem pedir licença a ninguém.

A REBELIÃO, de Joseph Roth (Cavalo de Ferro). Poderosa novela do autor de Hotel Savoy, descrevendo a impressionante penúria da sociedade austríaca no rescaldo imediato da I Guerra Mundial. Centrada na luta quotidiana pela sobrevivência de um antigo combatente, Andreas Pum – condecorado como militar, desprezado na vida civil.

ALMANAQUE DA LÍNGUA PORTUGUESA, de Marco Neves (Guerra & Paz). Este autor ensina-nos a gostar ainda mais do nosso idioma numa prosa cativante, como se estivesse em permanente diálogo com o leitor. Resulta em cheio. Todos aprendemos alguma coisa com ele. Num estilo coloquial, didáctico sem nunca ser pretensioso.

AUTOS-DE-FÉ, de Michel Onfray (Guerra & Paz). Polemista inflamado difícil de catalogar, ateu militante e adversário encarniçado das cartilhas racialistas e da ideologia do género, o filósofo francês dispara neste livrinho em quase todas as direcções. Talvez demasiadas. Mas tem o condão de não deixar ninguém indiferente.

DE MANEIRA QUE É CLARO…, de Mário de Carvalho (Caminho). Memórias do autor dos Contos da Sétima Esfera em fragmentos sincopados, com propositada desarrumação cronológica mas sem nunca perder o fio à meada. Exercício de prosa confessional que estabelece uma discreta corrente empática com o leitor.

IDEIAS SEM CENTRO, de Alexandre Franco de Sá (D. Quixote). «Excelente e oportuno contributo para o debate político nacional num tempo em que, mais do que nunca, se torna necessário que os conceitos e as palavras esclarecidas e esclarecedoras estejam disponíveis para a batalha das ideias», assinala Jaime Nogueira Pinto no prefácio.

ÍNDICE MÉDIO DE FELICIDADE, de David Machado (Leya). Recomendável em qualquer ano: continua disponível no nosso mercado editorial. É um dos romances portugueses mais originais deste século. No tema, na linguagem, no modo como o autor molda as personagens e lhes confere autenticidade. A ler ou a reler.

INTEGRADO MARGINAL, de Bruno Vieira Amaral (Contraponto). Talvez a melhor biografia do ano em Portugal. Resgatando de um relativo esquecimento o autor de Jogos de Azar. Enquanto se evoca toda uma época irrepetível da boémia literária lisboeta, onde o romancista se sentia no seu habitat natural.

UMA ESTRANHA AMIZADE, de Maria Filomena Mónica (Relógio d’ Água). Fala-se muito de Eça de Queiroz, incomparavelmente menos de Ramalho Ortigão. Dois parceiros de lides literárias que nunca se trataram por tu: entre eles houve muitos encontros e alguns desencontros. Recordados em prosa enxuta, sem gongorismos académicos.

VERA LAGOA – UM DIABO DE SAIAS, de Maria João da Câmara (Oficina do Livro). Uma das jornalistas mais polémicas das décadas de 70 e 80 alvo de minucioso retrato biográfico onde não falta um desfile de nomes conhecidos da política e da cultura – de Humberto Delgado a FranciscoSá Carneiro, de Alves Redol a Natália Correia.
