DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Porque enfim, como pode uma moderadamente pacata mactamense viver sem perceber em que consistiu a vida louca de um dos seus mais ilustres  vizinhos? Não pode: a solução é fruir da resposta serzida, entre outras, pelo autor que em tempos também brincou aos blogues, de seu nome João Pedro George. Pelo que já li – e ainda estou a chegar a meio – a obra tem disto e muito mais, em modo vivo e limpo de dizer.»

 

Ana Vidal: «Desde que me conheço (muito antes da revelação desta perturbadora faceta de inquisidor espanhol) que em minha casa não há Natal sem um Menino Jesus de marfim que herdei, muito antigo e carregado de memórias de várias gerações. É uma figurinha delicada e sorridente, deitada sobre uma almofada bordada, igualmente de marfim. Um trabalho notável de um artesão inspirado. Desde que os meus filhos cresceram, dispenso o resto do presépio. Passo bem sem o pinheiro enfeitado, o Pai Natal, o trenó e as renas. Fujo a sete pés de laçarotes, bolas e luzinhas a piscar. Mas… Natal sem o meu Menino Jesus de marfim, não é Natal.»

 

João Carvalho: «O efeito anedótico dos golpes da retórica de Louçã são ainda mais hilariantes quando nos lembramos da fórmula que ele utiliza sempre: aquela já gasta técnica discursiva da colocação de voz à pároco-de-aldeia-a-fazer-um-sermão-num-funeral, em tom macio e aveludado para não perturbar o sono dos justos, mas acentuando de modo arredondado certas palavras-chave aqui e ali, que parece elevarem-se-lhe da alma em falsa surdina. Fica-lhe mal, apesar da risota, o triste exemplo de desferir insinuações e acusações que a realidade desmente e depois pôr-se a assobiar para o lado.»

 

Laura Ramos: «Estou p’ra aqui a pensar para onde vou emigrar…

Parece que tenho de abandonar a minha bolsa de conforto.

Espera aí! – Portugal é bolsa de conforto?

Estes teóricos são uns bem-apanhados!»

 

Luís Menezes Leitão: «A EDP no futuro vai falar chinês. A China assume-se como a grande potência do séc. XXI, podendo comprar todas as empresas estratégicas que existem nos diversos continentes e assim assumir uma posição dominante à escala mundial. (…) Tudo isto é consequência da política de despesismo irresponsável em que o Ocidente se envolveu. Porque, ao contrário dos ocidentais, os chineses não gastam irresponsavelmente. Os chineses trabalham. É por isso que neste momento se tornam donos de tudo o que os ocidentais possuiam.»

 

Patrícia Reis: «Meus queridos delitos, todos vós e quem nos lê: desejo-vos um bom Natal e deixo-vos uma prenda que foi uma diversão que animou o meu ano. Aqui está um romance para download gratuito, escrito a meias com o Fernando Marques da Costa, um amigo de há muitos anos. Se quiserem oferecer a outros, é vosso. Beijos de Natal a todos.»

 

Rui Rocha: «Mãe Natal pede o divórcio: estou farta de passar a noite de Natal sozinha.»

 

Eu: «O século XX ficou marcado, de uma ponta a outra, por demasiadas figuras sinistras — tiranos, torcionários, carrascos do seu povo e de outros povos. Amarga ironia da história: sabemos muitas vezes com mais facilidade de cor os nomes desses déspotas do que os daqueles — bem mais raros — que contribuíram para tornar o mundo melhor.»

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