
De quando em vez lá se consegue ver e ouvir num ecrã televisivo alguém que não seja treinador, comentador de futebol ou moço de recados, com uma conversa que não seja uma das habituais lengalengas, compridas, chatas e infestadas de banalidades.
Refiro-me à entrevista dada por Manuel Magalhães e Silva ao programa de Vítor Gonçalves.
Se quanto ao que referiu em relação ao “processo José Sócrates” se limitou a sublinhar o óbvio que muitos já sabíamos, outros suspeitavam, e o Ministério Público nunca quis ouvir, com a sua habitual falta de humildade e sapiência, o que lhe permitirá, salvo algum milagre, espalhar-se sozinho e ao comprido, já quanto à ordem do dia, com eloquência, clareza e elegância, o advogado, assessor, confidente e amigo do falecido Jorge Sampaio, mostrou uma vez mais a falta que faz um senado no nosso sistema jurídico-político, dando uma verdadeira lição de política à florentina.
É pena que outros como ele, que tenham alguma coisa de útil para dizer, e que saibam dizê-lo, concorde-se ou não com o conteúdo, não consigam mais “aparições”.
Com a rábula de ontem, o Presidente Marcelo mostrou que neste momento não sabe muito bem para onde se virar, e as palavras de Magalhães e Silva também não lhe servirão de guia.
O semi-presidencialismo português tem muito que se lhe diga, mas enquanto tiver as orelhas a arder é mesmo mais avisado que Marcelo vá comer um gelado ao Santini, aproveite o 13 de Maio para se confessar, e vá treinando a melhor forma de gerir os silêncios e as palavras.

“Com a rábula de ontem, o Presidente Marcelo mostrou que neste momento não sabe muito bem para onde se virar”
Limitou-se a desancar sem dó nem piedade um ministro de Costa quando o olho do furacão que tudo move está no outro palácio.
‘entrevista grande’
” Vira o disco e toca o mesmo ”
não há maneira de sair da cubata
O semi-presidencialismo português
A sistema político português já há muitos anos (desde a revisão constitucional de 1982) que não é semi-presidencialista.
No sistema político português o Governo é responsável apenas perante a Assembleia da República e emana somente dela. Não precisa de ter a confiança política do Presidente da República. Não precisa de ter a anuência dele nem emana da sua vontade. O Presidente da República é obrigado a aceitar o Governo que a Assembleia da República determinar.
“O Presidente da República é obrigado a aceitar o Governo que a Assembleia da República determinar. “
Não é nada assim. Nem com outros PRs, nem com o actual.
Recusas presidenciais antes do “acto posse” sempre aconteceram.
Este caso é “depois de empossados”.
Com a rábula de ontem, o Presidente Marcelo mostrou que neste momento não sabe muito bem para onde se virar
Não tem que se virar para lado nenhum. O Presidente da República só tem que passar os dias descansado no palácio de Belém, sem fazer nada. No nosso sistema político, o Presidente da República não tem que fazer, basicamente, nada. O seu papel é o de um zero à esquerda. Faz umas visitas, bota uns discursos (palavras leva-as o vento), mas fazer, não faz nada.
Sabes uma coisa, lavourinha, não sabes o que é nem o que vale um zero à esquerda.
Corta -Fitas era no outro tempo.
PR ou vox clamantis in deserto
Na margem sul jamé dizia o outro a propósito de deserto (e de aeroportos fantasma).
De acordo. S. de A. C. exibe aqui uma invulgar, lúcida, fotografia da ópera bufa em que se transformou o exercício do poder político em Portugal, 50 anos após aquele longínquo “Abril”.
Um típico, cuidadosamente imposto, sistema de seleção dos protagonistas -os responsáveis pelo bem comum- deu, dá nisto. Uma ópera bufa em que os actores são caricaturas do seu próprio papel, exibindo como motivação os respectivos egos.
“…a falta que faz um senado no nosso sistema jurídico-político…”.
Foi um fim-de-dia de intenso zapping!
Apanhar os PS’s a espernear nas televisões foi divertimento irrecusável.
Uma jornalista -uma que andava pelo parlamento – na CNN foi do ‘no pasa nada’ à maior inquietação.
Este senador descobriu que o Marcelo calado é o Marcelo conveniente. A gravitas vai, agora, ser invocada como a pílula a consumir em Belém.
A bandalheira de uma matilha de incompetentes e mentirosos, vai conhecer a publicidade que merece.
O Galamba prestou inestimável serviço ao país: mostrou o desgoverno que Costa e Marcelo vinham recobrindo de sorrisos de disfarce e esperança.
Exactamente e efectivamente.
Merece estudo analisar como os socialistas mudaram de disposição num ápice como neste texto…de depressão para combatividade…