
Estava eu sentada a ler, saboreando do melhor modo que sei as últimas horas de folga, quando ela chegou com o avô. Veio enroscar-se no meu colo como habitualmente, sequiosa dos mimos e afagos que apenas as avós sabem fazer tão bem. Notei-a triste. “Então Neta, que cara mais macambúzia, passa-se alguma coisa? “O que é macambúzio, Avó? Tem a ver com mar?“ “Não, tem a ver com carinhas tristonhas como a que trazias quando entraste. Vá, conta-me tudo” “Sabes Avó, estou muito desapontada por não saber escrever no computador. Estive a praticar no fim de semana em casa e demorei mais de duas horas para escrever uma cópia de 10 linhas. Se não souber escrever, não posso fazer as Provas de Aferição, e se não fizer, não sei o que irá acontecer.” “Provavelmente não acontecerá nada de grave, mas diz-me, quantos colegas na tua turma têm computador?” “Quatro. A Professora divide-nos em grupos de cinco alunos por computador, mas não conseguimos praticar nem aprender nada de jeito, Avó. Tenho tanto medo de chumbar.” “Olha que ideia mais peregrina, essa tua, Neta. Ouviste dizer isso onde?” “Todos os meus colegas falam nisso, Avó. No medo que têm de chumbar se não fizerem as Provas de Aferição no computador. Eu tenho sorte, porque a minha mãe deixa-me praticar no computador dela, mas muitos meninos não têm computador, em casa ou na escola para praticar. Eu gosto tanto da minha turma, Avó! Não gostava nada mesmo que algum deles chumbasse.” “Não fiques preocupada, que ninguém vai chumbar por não fazer ou fazer mal as Provas de Aferição. Tudo se resolverá e todos os alunos continuarão a aprender normalmente.” “Então as provas não são importantes?” “Provas são sempre importantes e deve estar-se sempre bem preparado antes de as fazermos. Destas talvez algumas necessitem ser repensadas, mas não penses nisso agora. Prepara-te para as provas de Educação Artística. Mais tarde no mês veremos em que ficamos em termos de decisão final no que toca à utilização do computador. É boa ideia?” “É, sim”, respondeu conformada.
PS. A Neta concluiu hoje as Provas de Aferição na categoria de Educação Artística. Telefonou-me a contar que correram muito bem. Numa das provas, tinham de se imaginar a rastejar para entrar numa gruta onde estavam uma minhoca, uma aranha, um caracol, um morcego, um sapo cego e uma toupeira. Cada criança escolheu o animal que preferia, para mimetizar os movimentos e reproduzir-lhe os sons. Claro que aplaudi e incentivei o entusiasmo, mas fiquei a pensar para comigo. “Que raio… Um sapo cego, porquê? E que raio de som poderá emitir uma minhoca, uma aranha ou um caracol? Serão exemplos de inclusão?”
(Imagens Google)

Serão exemplos de inclusão?
Sim. Inclusão é bom. Somos todos portugueses. incuindo a aranha e a minhoca. Não somos “portuguesos e portuguesas”, mas sim “portugueses”. Como o presidente Marcelo ontem bem disse.
Curiosamente a minha ideia prende-se com a condição do sapo, já que aranhas e minhocas, pelo que temos constsmatado, têm estado bem incluídas.
« Cada cavadela, cada minhoca »
« Caracóis, bichos móis, Morcegos …
hoje, dia da língua, hesitei entre língua de porco e linguado
É dia de atropelar a língua, isso sim, como em todos os outros dias que antecederam as efemérides linguísticas, de alguns anos a esta parte.
Sapo cego é um homem que nunca viu uma vagina. Expressão usada no brasil. Preparem-se que os pedófilos chegaram em força ao governo.
Bem dizia o Saint-Exupéry que o essencial é invisível aos olhos…
“Serão exemplos de inclusão?” — Esperem pelo sapo trans (o pan já deve estar a preparar proposta de lei) que vereis o que é inclusão a sério.
É bom haver inclusão. É sinal que a liberdade não se esgotou. O que por vezes se esgota é a paciência… agora são senior citizens a ” explicar” a sexualidade na TV. Valha-me Santa Dinfna…
E não acha que há-de haver uma linha algures que demarque a dita liberdade da pura insanidade?
Já se ultrapassou essa linha. Esperemos apenas que o fio não enrede demasiado e prenda o mundo num casulo
Numa gruta, para que o sapo precisava de ver com os outros todos cegos? Ou simbolizava o rei?
Ainda bem que a Neta tinha computador em casa para treinar, mesmo não sabendo o que era estar macambúzia (uma criança nunca é macambúzia) sabe o que é ter ideia peregrina.
Quem lê os meus postais das Conversas em Família é capaz de ter reparado das vezes que eu própria me surpreendo com a qualidade e diversidade vocabular da minha neta de 8 anos. Fiquei deveras surpreendida por ela ignorar o significado de macambúzio, o resto, como diz o outro, são ” pinârs”…
Do passado conhecemos diversos reis, imperadores e até governantes que associaram a sua imagem a animais. cedor-e/galamba-tornou-se-na-marionete-d e-costa-e-marcelo/
Talvez seja isso que está por detrás desta escolha.
Esse episódio foi referido no final do programa O vencedor é… da Rádio Observador.
https://observador.pt/programas/e-o-ven
Parece-me que Galamba tornou-se foi numa bola de matraquilhos que Marcelo e Costa vão atirando de um lado para o outro.
O verdadeiro bicho-de-conta.
Gostei.
A minha grande dúvida é se o sapo será o Costa. Já tem o palminho de cara e a cegueira partidária e coaxa miseravelmente para a surdez dos fanáticos. Não tem coração de leão isso é certo.