Lição de política à florentina


Sérgio de Almeida Correia,

mms.jpeg

De quando em vez lá se consegue ver e ouvir num ecrã televisivo alguém que não seja treinador, comentador de futebol ou moço de recados, com uma conversa que não seja uma das habituais lengalengas, compridas, chatas e infestadas de banalidades.

Refiro-me à entrevista dada por Manuel Magalhães e Silva ao programa de Vítor Gonçalves.

Se quanto ao que referiu em relação ao “processo José Sócrates” se limitou a sublinhar o óbvio que muitos já sabíamos, outros suspeitavam, e o Ministério Público nunca quis ouvir, com a sua habitual falta de humildade e sapiência, o que lhe permitirá, salvo algum milagre, espalhar-se sozinho e ao comprido, já quanto à ordem do dia, com eloquência, clareza e elegância, o advogado, assessor, confidente e amigo do falecido Jorge Sampaio, mostrou uma vez mais a falta que faz um senado no nosso sistema jurídico-político, dando uma verdadeira lição de política à florentina.

É pena que outros como ele, que tenham alguma coisa de útil para dizer, e que saibam dizê-lo, concorde-se ou não com o conteúdo, não consigam mais “aparições”.

Com a rábula de ontem, o Presidente Marcelo mostrou que neste momento não sabe muito bem para onde se virar, e as palavras de Magalhães e Silva também não lhe servirão de guia.

O semi-presidencialismo português tem muito que se lhe diga, mas enquanto tiver as orelhas a arder é mesmo mais avisado que Marcelo vá comer um gelado ao Santini, aproveite o 13 de Maio para se confessar, e vá treinando a melhor forma de gerir os silêncios e as palavras.