Ler o que vem de fora


Sérgio de Almeida Correia,

"As máfias sabem que a justiça italiana é complicada e opaca, tão lenta que é como se uma criança partisse um vaso aos seis anos e a mãe lhe desse um tabefe apenas quando ela completa os trinta"

 

Bem sei que está em italiano, mas a leitura deste artigo de Roberto Saviano, saído ontem no La Repubblica, devia ser imprescindível para o ministro da Justiça, os deputados, os magistrados, as polícias e qualquer cidadão interessado no combate à corrupção e ao tráfico de influência, ao qual nem sequer escapa o Vaticano, como se vê pelo processo canónico especial e a notícia do telegrama  enviado por Bento XVI aos noivos, por ocasião do casamento da filha de um conhecido mafioso, preso o ano passado, com um primo direito, na Catedral de Reggio Calabria. 

Como escreve Saviano, quando se compra cocaína a € 2400 o kg e se revende o grama a € 60 num universo, por defeito, de 600 toneladas, percebe-se o peso do poder económico das organizações criminosas. E também a dependência em que as democracias acabam por estar dos milhões que por aí circulam impunemente enquanto, veja-se o que entre nós sucede, se discutem os despachos do presidente do STJ e uma nova lei do casamento.

10 comentários em “Ler o que vem de fora”

  1. “quando se compra cocaína a € 2400 o kg e se revende a grama a € 60 num universo, por defeito, de 600 toneladas, percebe-se o peso do poder económico das organizações criminosas”

    Exatamente. E por isso se torna imprescindível legalizar o comérico de cocaína e das restantes drogas, para que elas possam ser legalmente compradas a um preço justo, isto é, ao preço da sua produção e comercialização, mais eventuais impostos dissuasores mas não demasiadamente elevados. Tal e qual o álcool ou o tabaco.

          1. Quase fina, obrigada. O talento da gripá (adoro esta palavra inventada pela Maria do Sol) não chegou para acabar comigo.

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