DEBATE ANTÓNIO COSTA-PASSOS COELHO
O ausente José Sócrates foi uma figura omnipresente no frente-a-frente entre António Costa e Passos Coelho transmitido esta noite em simultâneo pelos três canais televisivos em sinal aberto, numa operação informativa de carácter inédito que – sabe-se já – não será repetida. O presidente do PSD mencionou oito vezes o nome do ex-primeiro-ministro socialista e o próprio secretário-geral do PS não resistiu a falar nele três vezes. No remanso da sua nova residência, onde se encontra sob detenção domiciliária por decisão do juiz Carlos Alexandre, Sócrates certamente terá sorrido. Mesmo suspeito da prática de delitos graves, o antigo líder socialista mantém-se à tona. E vai continuar a interferir na campanha eleitoral para as legislativas de 4 de Outubro.
Passos – mais nervoso do que é habitual, algo denunciado pela forma como fazia girar continuamente a caneta que tinha nos dedos – levava a lição estudada em termos estratégicos: colar Costa a Sócrates e ao Syriza. As referências à Grécia acabaram por ser esporádicas, mas as alusões ao antigo líder do PS foram contínuas.
“As pessoas hoje olham para si e para o PS e vêem o regresso ao passado. Esse é o seu drama, esse é o seu problema”, disparou o líder laranja. Exprimindo a sua convicção de que os portugueses não querem “regressar às experiências de Sócrates em 2009 e 2010”.
A certa altura Costa irritou-se. E seguiu-se este diálogo:
“Eu percebo que tem saudades de debater com o engenheiro Sócrates. Mas agora terá de debater comigo. Porque sou eu o seu adversário.”
“Não é muito diferente.”
“As pessoas sabem que eu não minto.”
Realizado no Museu da Electricidade, à beira-Tejo, com moderação de Judite Sousa (TVI), João Adelino Faria (RTP) e Clara de Sousa (SIC), o debate foi mal-doseado: houve mais tempo para abordar só dois temas (impostos e segurança social) do que tudo o resto. A política pura e dura esteve quase ausente. De alianças políticas pós-eleitorais nada se falou apesar da convicção unânime de que não haverá maioria absoluta nas urnas. Parecia um tête-a-tête entre dois candidatos à presidência de um conselho de administração de uma empresa.
Apesar da relativa decepção gerada por este frente-a-frente (que esteve muito longe de ser o “debate decisivo” anunciado pelas trombetas mediáticas), Costa teve aqui talvez a sua melhor prestação nesta campanha, sobrepondo-se nos minutos iniciais a um Passos Coelho menos acutilante do que nos habituou nos debates quinzenais travados no hemiciclo de São Bento. O socialista exibiu gráficos destinados a demonstrar os pecados austeritários de um Governo que teimou em “governar para além da tróica” e foi eficaz nesta operação de marketing político, sem réplica convincente do seu antagonista.
O debate viria a equilibrar-se, com Passos a procurar sacudir a relativa modorra em que caíra. “O doutor António Costa, para a maior parte dos portugueses, representa uma incerteza”, disse o líder da coligação Portugal à Frente. Mas não existe uma segunda oportunidade para uma primeira impressão: os 20 minutos iniciais, favoráveis a um Costa muito mais acutilante, contribuíram sem dúvida para o seu triunfo desta noite.
O líder do PS voltou aliás a sobrepor-se ao arrasar um programa governamental denominado Vem, que apesar da propaganda do Executivo até agora não conseguiu trazer um só jovem de regresso à pátria-mãe. Esteve pior ao aludir excessivas vezes à sua passagem pela Câmara de Lisboa, o que de algum modo desgradua a sua condição actual de candidato a primeiro-ministro. E ao irritar-se perante nova alusão de Passos a Sócrates [diálogo que reproduzo nas linhas de baixo] em frases bem reveladoras do seu estado de espírito perante as contínuas intromissões do antecessor na campanha do PS.
Quando alguém do painel de moderadores lhe perguntou se tenciona visitar o engenheiro, a resposta de Costa foi seca e cortante: “Não sei. Não tenho nada previsto.”
A verdade é que o fantasma da campanha de 2011 continua a pairar quatro anos depois nestas legislativas. É um risco que vale a pena anotar numa altura em que se receia uma forte abstenção a 4 de Outubro: aludir excessivamente ao passado serve pouco para esclarecer o presente e não mobiliza os eleitores de que Portugal necessita para erguer os alicerces do futuro.
………………………………….
FRASES
Costa – «O engenheiro Sócrates agora até está em melhores condições para debater consigo. Porque é que não o visita e não faz um debate se tem tantas saudades?»
Passos – «Eu deixo-o a si programar as suas visitas ao engenheiro Sócrates. Ele não concorre a estas eleições mas o senhor não se livra de estar a apresentar-se com as mesmas ideias dele.»
Costa – «O senhor tem muitas saudades, muitas saudades, muitas saudades…»
Passos – «Não é assim tão diferente, deixe-me dizer-lhe.»
Costa – «Tem muitas saudades.»

![António_Costa_2014_(cropped)[1].jpg António_Costa_2014_(cropped)[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/B39088a87/18805014_7NvgP.jpeg)
![225px-Pedro_Passos_Coelho_1[1].jpg 225px-Pedro_Passos_Coelho_1[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/B2213e0f2/18805016_qRLBZ.jpeg)
Costa que pague a Marcelo a presidente, já!
Marcelo está imparável. Joga em todos os tabuleiros, como numa simultânea de xadrez, e vai fazendo xeque-mate em vários deles.
http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/leg islativas-2015/2015-09-09-Politica-e-Con fianca
Após a clara derrota de Portas frente a Catarina, ficou provado com este debate que as laranjas podres caíram com a estratégia de trazer Sócrates à colação.
E caíram porque os portugueses recordam-se das promessas de Passos Coelho, já depois de ter assinado o memorando da troika e em plena campanha eleitoral, que nunca traria as questões do passado para justificar sua acção uma vez que conhecia muito bem todos os dossiers e o que o país precisava. Também afirmou que contrariaria todas as propostas de alienação de património, redução de salários, cortes nas pensões e tudo o mais que fez e que fez para além da troika.
Passos/Portas mentiram. Mentiram não só nas promessas como também continuam a mentir em desespero de causa procurando associar uma causa judicial a uma situação política.
Costa esteve muito bem, e são os adeptos da coligação que mais desapontados andam com este debate.
E o mais importante que havia para esclarecer ficou claro nas afirmações de Costa, que era um choque económico não pela via do endividamento das famílias e das empresas mas por via da restituição de poder de compra aos cidadãos e famílias devolvendo-lhes o que lhes pertence por direito mas também auxiliando os necessitados.
Também deixou claro que tem uma via de compensação para a sustentabilidade da Segurança Social que quase levou Passos Coelho a afirmar que não se importaria em assumir o plano do PS para a tal reforma que eles (coligação) não têm a mínima noção de qual será ou seria nem de como a compensar.
Neste debate Costa embaraçou Passos quando lhe provou que o dinheiro dos terrenos do Aeroporto foi adquirido por venda legitima ao estado e que estes não lhe fizeram favor em pagar. Com esse dinheiro e outras formas de gestão reduziu a dívida da CML em 40%.
Fazendo assim notar que quer o facto de Passos/Portas terem ido mais longe que a troika, quer os gráficos então propagados por Gaspar, quer o programa que adoptaram não só aumentou a dívida em mais de 30 mil milhões como diminui a riqueza da nação.
Só faltou incluir o tema da pobreza, uma vez que o da fome, que foi o primeiro tema colocado a Passos, não teve qualquer andamento e ou proposta por parte de Passos.
Ficou assim claro o que muito por aqui afirmei: A coligação não tem propostas e não sabe o que fazer. E o não saber o que fazer significa que depois de perdido os seu tutores, e da derrota de suas propostas que se constata na ruína do país, eles continuam sem projecto porque não sabem como projectar e construir um caminho governativo.
Por último, reconhece Passos que com excepção da obra TGV e travessia do Tejo através de nova ponte, que foram emblemas de uma Europa Sarkozy/Merkel, ele em tudo reproduziu a política de seu antecessor no PEC IV, indo mais longe, e que agora ataca.
Se alguma dúvida subsistisse para interpretar o projecto que não existe nesta coligação, este debate ajudou a esclarecer.
Se o prémio pela honestidade intelectual fosse um gelado fresquinho, você ganhava um balde de merda quente.
Ideias e palavras de merda só podem sair de alguém com tanta merda na boca. Aliás você deve ter uma ligação directa do intestino à boca e ao cérebro.
Dá V.Exa. Senhor V. o ar de parecer ser um cretino nos argumentos que usa, pois para rebater uma ideia com tal verborreia revela não possuir capacidade para se juntar a quem elege como alvo.
Já me apercebi em tempos idos que alguns vaidosos e petulantes que parecem já não poder usar o que a natureza tão generosamente lhes ofereceu para que se entretenham de quando em vez decidem, como hienas enfurecidas, desafiar o Senhor Vento. E parece que alguns autores, também incomodados, gostam deste rodopio circense.
Senhor Vento, tem o meu apoio.
Autores que pelo menos não censuram comentários mais ousados, ao contrário do que Sua Alteza Gongórica parece estar a sugerir. É fácil calar o que é desagradável mas rebatê-lo já é mais difícil. Boa noute e passe muito bem, camarada.
Grato meu caro Anónimo. Não se preocupe em defender-me. A merda tenta colar-se mas não pega.
1) Onde é que o Governo foi mais além do que a Troika? Diga especificamente em que medidas se faz favor, o contexto, e prove que isso não estava no memorando. Deixe-se de traques.
2) Sabe qual foi o contexto em que Passos Coelho disse que queria ir mais além do que a Troika? Não sabe, dá baforadas. Passos disse-o no sentido de que a acção do Governo não podia esgotar-se no cumprimento do Memorando, tinha de ir para além da Troika para ser mais reformista e não fazer apenas o que os outros impunham. Foi a esquerda que colocou na boca de Passos Coelho o ir mais além da Troika no sentido de aumentar mais os impostos e fazer mais cortes, o que é MENTIRA. Vocês são uns sonsos que deturpam as palavras dos outros consoante a vossa conveniência.
É natural que um merda camaleónico, por ter a merda a obstruí-lo, não seja capaz de ver e de ouvir.
Se os portugueses derem a vitória a um partido que pariu três Troikas… tem um ex-ministro enjaulado… ( só isso ´bastaria), bem que merece sofrer novas amarguras!
A questão não é a da vitória, ganhe quem ganhar. A questão é o que se fará com ela, quando soar a “poucochinho”, na manhã de 5 de Outubro.
Inexplicavelmente, a questão das coligações pós-eleitorais esteve ausente por completo deste debate onde surgiram questões sem pés nem cabeça (como a tentativa de introdução do tema presidenciais, condenado à partida a esbarrar com o silêncio de qualquer dos políticos). E não faz o menor sentido que num debate que se proclamava “decisivo” nem sequer tenham sido afloradas as questões da justiça ou da corrupção. No preciso momento em que um ex-PM está detido e um ex-ministro acaba de ser constituído arguido. Como se houvesse a necessidade de varrer cuidadosamente tudo isto para debaixo do tapete.
Ambos os contendores começaram o debate a jogar á defesa mas mesmo nesta 1ª parte Costa foi mais incisivo especialmente ao apresentar os gráficos que todos sabemos traduzirem a realidade.
Passos continuou á defesa tentando sempre desculpar-se com a herança que recebeu e que não conhecia, tentando escamotear o papel que o PSD teve na negociação do memorando e no ir além da troika.
Na segunda parte Costa carregou forte e feio deixando Passos muitas vezes sem resposta a não ser invocar Sócrates e as semelhanças que existem entre o projecto de Costa e Sócrates mas Costa não teve receio e respondeu á letra dizendo que era com ele que estava a debater e não com Sócrates o que na minha opinião foi muito esclarecedor no exorcizar de fantasmas que muitos (com razão mas muitos interesse) pretendem agitar.
Esperava que outras matérias fossem abordadas (além das de economia e finanças) e que o Paf apresenta-se alguma novidade (números por ex.) o que não aconteceu e isso jogou (e joga) muito a favor do PS.
É mais que óbvio que Costa cilindrou Passos ou não fosse ele um tribuno experiente e que está muito acima de Passos a nível intelectual, quem disser o contrário ou não viu (ouviu) o debate ou então está a ser desonesto.
Penso que as palavras mais importantes do debate foram ditas por Costa : Conta, Peso e Medida.
Passos meteu os pés pelas mãos nas explicações que tentava dar e recorria muito ao regressar atrás no tempo mas nem isso lhe foi favorável pois não tinha um discurso escorreito e insistia em lugares comuns que não passavam de retórica ao passo que Costa recorria a exemplos reais e indesmentíveis.
Com o anuncio em Maio do quadro económico elaborado pelos economistas do
PS, Costa marcou a agenda e ganhou vantagem, os fait-divers recentes retiraram alguma eficácia, mas com esta “vitória” Costa volta a marcar a agenda e volta a ter a iniciativa.
P.S. – Acho que o Pedro Correia poderia admitir que Costa “venceu” o debate, até o Prof. Marcelo o admitiu.
Está escrito de forma clara. E não necessito da caução do professor Marcelo ou de qualquer outro comentador para o efeito.
Tal como escrevi aqui, em cima da hora, que o debate José Sócrates-Manuela Ferreira Leite em 2009 foi ganho pelo primeiro e que o debate José Sócrates-Passos Coelho em 2011 foi ganho pelo segundo.
WW,
isto para o Pedro Correia deve ter soado a “poucochinho”.
Mais um apontamento:
http://expresso.sapo.pt/politica/2015-09-0 9-Marcelo-Costa-ganhou-foi-diferente-na-f uria
2 monos em confronto. Costa diz competividade e não sabe fazer conjugações reflexas. Mau sinal. PCC, da mesma forma que não fez no governo, perdeu oportunidades de endireitar as coisas. São duas nulidades intelectuais numa década (ou duas) perdidas, em que todo o investimento dos anos 90 se esfumou. Por culpa do modelo de desenvolvimento que estava errado — como prova o formar jovens que fogem do País porque o País foi destruído pelo aparelho político. A culpa da emigração não é de PPC; é do modelo socialista e social democrata de criar cursos à borla para profissões altamente remuneradas que obviamente são mais atractivas em países que podem pagar salários altos porque entretanto 50% da massa laboral são func. públicos e cobradores de impostos e não há tecido empresarial — nem coisa alguma —que resista ao esforço que representa manter o estado social. E ainda querem encher esta gaita de analfabetos muçulmanos e sei lá mais quê. Preparem-se porque vem aí mais.
Sempre com o rabo de fora o borda dágua Marcelo
Quem mergulhou no Tejo, poluído como então estava, é capaz de tudo.
Se é necessário que Costa ganhe então ponha-se Costa a ganhar. Um chamado debate onde o 1º ministro fez engolir todas as artimanhas metidas descaradamente por Costa. Até as chamadas a Sócrates foram induzidas por este, como naquela habilidade escandalosa para enganar tolos sobre quem provocou e pediu a entrada da troika, o que obrigou Passos a refrescar-lhe a memória. Acho que vou ter que me refugiar na minha ignorância e estupidez, ou então não passo de um passista doentio. Espanto meu ao ver Marcelo dizer que Costa ganhou o debate, e percorrendo todos os painéis constatei que de forma mais ou menos envergonhada praticamente todos os comentadeiros cavalgavam a mesma onda. Devo estar a precisar de consulta médica urgente para por os carretos em ordem. Ou então era necessário que continuassem a carregar Costa ás costas e foi notável a prontidão da sua tropa das canetas e microfones que não se poupou em bondosas bonificações mesmo quando o homem se espalhava ao comprido em cima de fardos de palha meticulosamente montados para o poupar a remendos na pele.
O debate que eu vi foi ganho por Costa, sem “esmagar”. Ganhou, ponto. E ganhou porque impôs os temas, jogou mais ao ataque, foi mais incisivo. Disse o que queria, respondeu ao que quis.
Teve fragilidades, que o oponente não soube ou não quis explicar. E deixou Passos sem resposta em temas diversos – do mirífico programa ‘Vem’ à questão dos terrenos adjacentes ao aeroporto de Lisboa.
Passos – certamente por sugestão de algum guru – tinha a fixação de o colar a Sócrates. Tanto insistiu que ele acabou por descolar de Sócrates. E com isso ganhou também.
Sr. Pedro Correia, confio como sempre nas suas avaliações independentes, isentas e equidistantes. É em nome desse respeito que vou debitando as minhas opiniões, provavelmente defeituosas por falta de conhecimento aprofundado em todas as vertentes das questões suscitadas. Como cidadão comum, com o vicio de escrever mais intenso que o do tabaco, não quero deixar de agradecer a sua atenção.
Faz muito bem. Mantenha-se assim. E vá comentando por cá.
A maneira como o Costa “descolou” de Sócrates vai-lhe custar caro de outra forma, como iremos ver…
Para já saiu-lhe bem. Só tem vantagem em descolar.
Os spin doctors de António Costa fizeram o trabalho de casa: vais ter 30 a 40 intervenções de 3 minutos durante o debate, levas este dossier com tudo que tens de dizer, não ligas nenhuma aos que os entrevistadores te perguntarem. Segues este roteiro e em cada intervenção inclui um ataque ao primeiro-ministro.
Passos Coelho foi para o debate como de costume: fleumático, a pensar que ia ser um debate mesmo.
Nos três minutos que tinha queria responder aos entrevistadores e aos ataques de Costa. Não conseguia. Os entrevistadores sistematicamente cortaram a palavra a Passos Coelho.
António Costa não respondeu a uma única pergunta dos entrevistadores.
Ganhou o debate usando regras de wrestling.
O que ficou ?
António Costa quis convencer-nos que no dia a seguir às eleições Portugal será um país diferente, com menos impostos, e com os portugueses com mais dinheiro no bolso financiados por um Excell dos economistas socialistas.
Passos Coelho confirmou-nos que no dia 5 de Outubro, para continuarmos no Euro e União Europeia, temos de continuar este caminho de cumprimento das regras europeias, o qual já começou a ter os primeiros resultados positivos e acabará por nos libertar a médio prazo da austeridade.
A tese do Passos Coelho impreparado para este formato não colhe, Maurício. PPC é um político experimentado, com mais de vinte anos de rodagem em debates de todo o género.
Nem me parece que Costa tenha ‘spin doctors’ mais competentes.
O facto é que Passos apareceu apático, com pouco vigor, e começou na defensiva logo de início, mal o secretário-geral do PS mostrou um gráfico que parecia demonstrar que nenhum governo fez recuar tanto o PIB em Portugal como o que tomou posse em 2011.
Argumento fácil de rebater. O facto é que Passos não o fez. Deixou passar os primeiros vinte minutos (cruciais, pois esse é o tempo em que mais gente fixa atenção nos debates) sempre em atitude defensiva, revelando falta de vigor. O excesso de alusões a Sócrates foi também manifestamente contraproducente, tal como a contínua digressão pelo passado já distante e mais que julgado.
No meu entender, vitórias desta natureza não servem para quase nada. O Costa arrisca-se a andar de vitória em vitória, até à derrota final que, a acontecer, será também a derrota da demagogia despudorada. A meu ver e no ver de muita gente.
Ganhe quem ganhar a 4 de Outubro, a vitória poderá ser de Pirro. Se o resultado eleitoral ditar um triunfo por margem mínima, a questão da manhã seguinte centrar-se na política de alianças. Que é tudo menos clara.
Estranhamente, este tema parece ausente da campanha. E – mais estranho ainda – está ausente dos debates. Ontem três jornalistas (em número superior ao dos políticos que estavam a ser interrogados) não bastaram para suscitar este tema.
Como se fosse irrelevante. Mas não é.
E esse, Pedro, para quem está preocupado com o futuro e não com guerras de sacristia, é a questão mais importante. Sabendo-se que Costa com Passos não negoceia e que o PR disse que não dará posse a governos minoritários, fica um problema para resolver.
Eu gostava de ver esta questão em foco na campanha, Sérgio. Aliás é imperioso que isso aconteça. Por tacticismo os políticos não falam dela. Mas os jornalistas devem insistir no tema até à exaustão. E não podem transformá-la num não-tema, omitindo-a. Noutras eleições – e desde já na pré-campanha para as legislativas espanholas – o tema das convergências pós-eleitorais está sempre presente. E nas últimas legislativas no Reino Unido esteve em cima da mesa, com total transparência, o tempo todo.
Os eleitores têm o direito – e até o dever – de questionar os candidatos, através da comunicação social, sobre o modo como tencionam governar o País no cenário, mais que provável, de ausência de maioria absoluta no Parlamento.
Sérgio, reveja a sua posição, o PR não disse que “não dará posse a governos minoritários”. Disse, isso sim, é que seria de todo conveniente que o próximo governo tivesse apoio maioritário na AR, o que são coisas muito diferentes.
Também penso que este aspecto (das convergências pós-eleitorais) é assunto muito importante e que deveria ser abordado, sem tabus, pelos Partidos. Por todos os Partidos.
Sérgio,
não vejo que isso constitua algum problema. E não vejo pelo seguinte, se os adeptos da coligação estão tão preocupados com este assunto, que a própria coligação e o PR levantaram com suas políticas, só lhes resta, por sua valorosa consciência da governabilidade da nação, votar PS.
E aconselho a votar PS porque quem governou mal, igual a Sócrates indo mais longe, foi esta coligação.
Todos sabemos que a proposta do PS é em tudo diferente da coligação PSD/CDS que adoptou o modelo Sócrates, mas com uma diferença: Sócrates endividou o país e deixou obras, e a coligação aumenta a dívida sem nada fazer. Mas acresce a isto referir que o aumento da dívida por parte desta coligação foi proporcionalmente superior à adquirida por Sócrates. Ficando % em 9-6 por trimestre.
É isto que necessita ser dito.
Das duas uma: o Vento não é sério, ou não sabe o que está a escrever.
Pergunto: saberá o Vento que a dívida pública resulta do somatório dos défices anuais das contas do Estado? E que o Governo do Sócrates deixou um défice anual à volta do 10%, défice que para ser coberto, fez subir, forçosamente, a dívida pública? Isto não é economia, isto é aritmética, que, antigamente, se aprendia na 3ª e na 4ª classe.
Quando a despesa pública é maior do que as receitas, há défice, défice que origina um aumento da dívida, dívida que terá que ser paga pelas gerações futuras; e paga de qualquer maneira, em taxas e taxinhas, em impostos e coisas assim. Ou, então, verem os benefícios concedidos pelo Estado a serem muito reduzidos, como é o caso do valor das pensões dos futuros reformados.
Para mim, isto é claro como a água e só não vê que não quer.
O que escrevi mantenho. E quem quer armar e esperto em matemática apresente as contas.
Eu decidi que a partir de agora só mostro o pau depois de me mostrarem onde está a cobra.
Não tenho pachorra para quem tem mania que as caixas de comentários são uma espécie de tese de mestrado. Mostrem agora o que sabem, com contas, para eu poder continuar.
O Vento está a desconversar. Só pode.
Não porque é que o Pedro Correia está preocupado com isso, só quem for completamente alheado do que é a politica em Portugal e do recente exemplo do PS pode estar preocupado com isso.
É mais que óbvio que caso o PS vença por poucos e sabendo á partida que não dará origem a um bloco central, o PSD dará azo a sua permanente autofagia de líderes e direcções e será lançado num bom caos e haverá noites de facas longas em tudo o que é TV para depois num qualquer congresso ser substituída toda a direcção a qual parecerá aos olhos de todos ser mais comedida, responsável e honesta para efectuar a acordos parlamentares com o PS sem que no entanto tal pareça um bloco central.
A coligação de direita desaparecerá caso perca com o CDS a abandonar o barco no dia 5 e a justificar-se com aqueles lugares comuns dos derrotados pensando já em como irá sobreviver sozinho nos próximos tempos. Caso a coligação vença aguentar-se-á até a 1ª grande crise venha ela de fora ou de dentro, sendo que o PS tentará até tal momento provar que é responsável e que merece uma nova maioria.
Os pequenos partidos dificilmente elegerão alguém e mesmo que tal aconteça é difícil que se consigam pôr na posição de “queijo limiano”, o bloco irá provavelmente ficar com 2/3 deputados, isto se não desaparecer já.