PSD: QUATRO LÍDERES EM QUATRO ANOS
Estas legislativas destinam-se, antes de mais nada, a avaliar a prestação do Governo. Mas destinam-se também a fazer um balanço do percurso da oposição. No caso do PSD, o que se verificou? Quatro líderes em quatro anos, um rumo errático, o desaproveitamento constante dos erros políticos cometidos por José Sócrates – e foram muitos, como já detalhei por exemplo aqui – e um ziguezaguear permanente entre a defesa das SCUT e as críticas às SCUT, a defesa de uma reforma do sistema eleitoral e a recusa da reforma do sistema eleitoral, a apologia da redução dos impostos e a recusa desta redução, a aprovação de um pacto de justiça com os socialistas e o chumbo desse mesmo pacto, sim ao TGV e não ao TGV, avanços e recuos na regionalização, posições mais que dúbias na questão do referendo europeu e no processo de avaliação dos professores. E por aí fora.
Esta é a marca dos últimos quatro anos da vida do PSD, sob as sucessivas lideranças de Pedro Santana Lopes, Luís Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite. À média de um líder por ano.
Um partido que, apesar disso, venceu quatro eleições desde 2005 – as autárquicas desse ano, as presidenciais de Janeiro de 2006 (através do candidato que apoiou, Cavaco Silva), as regionais da Madeira em 2007 e as europeias de Junho deste ano. Em todos estes escrutínios foi-se percebendo cada vez melhor que o PS de Sócrates nada tem de invencível. Mesmo assim, o PSD chega a estas legislativas em péssimo estado anímico, no termo de uma campanha desastrosa em que falou de quase tudo – "asfixia", o perigo espanhol, o comboio de alta velocidade, as escutas – menos do que devia: a grave crise económica num país que tem as maiores assimetrias de rendimentos da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres e mais de 600 mil desempregados. Um país em que o investimento público caiu 32% nesta legislatura.
Nunca uma campanha da oposição parecia tão fácil à partida. Mas nunca me lembro de tantos trunfos desperdiçados em tão pouco tempo por um partido da oposição como aconteceu com este PSD de Manuela Ferreira Leite.
ADENDA: Estas declarações de Menezes ao El País de hoje são um perfeito símbolo do que escrevi acima.





falou tambem do gravissimo problema do endividamento de Portugal ! ahhh mas isso é TABU na comunicação social portuguesa…
Tabu? Só ainda não entendeu quem não quis.
foi tabu na comunicação social, meu amigo ! o tema central da nossa economia, foi desviado para picuices por parte da nossa comunicação social, opinion makers…a comunicação social não aprendeu nada com as consequencias economicas de quando andou de mãos dadas com o Guterrismo( parecia que viviamos num mundo perfeito…) o problema é que quando as coisas correm mal, descartam-se imediatamente e não assumem responsabilidades…são uns anjinhos…ETICA É COM ELES…
Sim? E que tal a oposição aprender a fazer passar as suas mensagens como deve ser, em vez de se deixar arrastar pelas tais picuices e ficar a perorar?
Ainda por cima, a perorar não contra o poder transitório, mas contra o alvo fácil que é o jornalismo, o mensageiro, que parece ter obrigação de ficar à porta do endereçado à espera que apareça alguém disposto a aceitar o aviso de recepção.
Passei metade da vida a ver dedos apontados à comunicação social, que sempre foi (e ainda maioritariamente é) composta por “especialistas em generalidades”. Não era suposto os políticos serem especialistas em política? Ou só são especialistas em apontar o dedo ao jornalismo?
deixe-se de lirismos… Lusa, RTP, TSF, JN, SIC-Noticias, Diario de Noticias, Expresso, Antena 1,etc são orgãos de comunicação social pro-governamentais! quando um tema como o ENDIVIDAMENTO DE PORTUGAL que em termos economicos é um dos mais importantes, senão o fundamental, não passa, mostra bem a que nivel chegou o nosso jornalismo…mas na hora de assumirem responsabilidades, não ha ninguem! pior que os politicos, só mesmo o jornalismo… é ao jornalismo que cabe decidir quais são os temas que merecem destaque comunicacional, são eles que estabelecem os critérios(liberdade de imprensa…) e quando consideram o tema do endividamento uma questão de rodapé nestas eleições, demonstra bem o que é o jornalismo em Portugal e a que nivel está…
“Um país em que o investimento público caiu 32% nesta legislatura.” isso é bom ou mau? pensei que era bom para as hostes do ppd. pensava…
Era suposto…
Muito útil, esta excelente análise. Mais útil ainda, por causa das costumeiras memórias curtas que não tardarão a vir chorar sobre leite derramado.
Podemos ainda recuar um pouco mais… e teríamos 5 líderes em pouco mais de 5 anos (contando com Durão Barroso)…
Certo, Leonel. Mas limitei-me ao período da legislatura que está em análise nesta eleição legislativa. É quanto basta.
Sim, compreendo a perspectiva de análise.
Mas, por outro lado, poderá equacionar-se também até que ponto o 5º líder (Barroso) terá condicionado a evolução do partido neste período de 4 anos.
O 5º está já na calha. Em Vila Real quis despedir-se da 4ª, mas a senhora deixou-o de mão estendida. Pelo menos até dia 27 à noite.
Parafraseando um conhecido político, noutro contexto, este PSD não tem emenda.
E vamos a ver se para a semana não cai a lider.
O Coelho até já começou a dar uns Passos… apareceu sem ser convidado e até foi ovacionado…