Ao fim de semanas de campanha – que não foram semanas, mas meses – daqui a poucas horas o alarido vai terminar. Acompanhei muitas campanhas eleitorais, mas confesso que não achei nenhuma tão cansativa como esta. Tudo demasiado previsível, tudo demasiado encenado, tudo demasiado monocórdico, tudo demasiado repetitivo. Sempre as mesmas caras, as mesmas bandeiras, os mesmos estribilhos.
Raras vezes – muito raras vezes – os órgãos de informação saíram do guião, proporcionando-nos a frescura de rostos alternativos e de mensagens estimulantes fora do cortejo dos “líderes”, mais bocejante que nunca. Este ano, é certo, houve a novidade das sondagens diárias, mas esses números e essas percentagens acabaram quase sempre por somar ainda mais ruído à vozearia dominante na incessante reprodução de “cenários” que cada vez tomam mais espaço à notícia. Proporcionando outras cenas mais que previsíveis: um microfone sempre esticado em busca da voz do “líder”, pedindo-lhe que comentasse os números da mais recente sondagem, que era sempre a da véspera, depois pedindo a outro que comentasse o comentário e a mais outro em busca do comentário ao comentário do comentário…
Enfim, vem aí um dia de “reflexão”. Não existe anacronismo maior no quadro jurídico português mas desta vez vai-me saber bem.
Um pouco de silêncio enfim.
Acaba-se o bombardeamento de frases feitas que estão para a política como as vuvuzelas para os estádios de futebol. Frases que escutámos milhares de vezes. “Maioria absoluta”. “Queremos estabilidade”. “Aumentar a votação”. “Prometemos confiança”. “Condições de governabilidade”. “Derrotar a direita”. “O partido de Marinho e Pinto”.
Saturei-me disto. Mas, como seres duais que somos, a insatisfação está inscrita na nossa natureza. Por isso é quase com nostalgia antecipada que me despeço destes sons de arruada que nos foram martelando os tímpanos ao longo do tempo que agora fica para trás.

![cards[1].jpg cards[1].jpg](http://5.fotos.web.sapo.io/i/B7913f196/18873187_Ca1be.jpeg)
Eu queria votar num partido que assumisse os erros outrora cometidos, porque acredito que se amadurece com os erros que se cometem e assim sendo não se voltarão a repetir!
Posto isto, o caminho estará aberto para retomar as grandes medidas como sendo o objectivo primordial na melhoria da qualidade de vida de todos os portugueses e na consolidação de um País virado para as grandes questões europeias e ocupar o lugar de direito, desde que descobrimos metade do mundo, desbravando os oceanos que pareciam não ter fim, dando então a possibilidade de se aperceberem que o mundo não tinha limites.
Por isso temos que desafiar uma vez mais os oceanos e descobrir o caminho para a combater o desemprego!
Praga Social sem precedentes. Onde todos os esforços devem ser encaminhados na redução drástica deste drama, para que milhares de famílias não embalem no desespero de tudo terem perdido e deixarem-se dominar pela resignação que termina com a exclusão da Sociedade.
No caminho da harmonia!
Com os professores baluartes no ensino dos nossos filhos. Sejam os comandantes das caravelas lançadas ao vento, para não sufocar a aprendizagem de uma geração que terá forçosamente de subir degrau a degrau e ocupar o seu lugar no elevar Portugal além-fronteiras, dentro das nossas fronteiras. E chamando paulatinamente a geração que teve infelizmente que por em pratica anos de estudo, longe da pátria.
No caminho da imagem deste País!
Através de mais investimento na Cultura, para que se mostre ao mundo e a quem nos visita, toda a história de um País e toda a capacidade dos portugueses em serem tão ou melhores que os demais.
No caminho da Saúde!
Uma saúde para todos os portugueses, consagrada no pergaminho histórico de Portugal. Para que os meios materiais e logísticos reforcem a prontidão no atendimento. E não nos deixem com mazelas irrecuperáveis a caminho dos hospitais e mesmo dentro deles.
Consagrar como um dever, a todos os cidadãos ter o seu médico de família. Que para além de médico, será o garante do bem-estar do paciente que lhe vai garantir uma melhor qualidade de vida.
No caminho da transparência!
Por uma justiça justa e eficaz, punindo os corruptos cada vez mais visíveis aos olhos de todos os portugueses, com intervenção directa nestes longos anos em governações que nos atiraram para o caos. Escapando impunes, carregados de enormes quantias pertencentes ao povo.
Assumir erros é, no dia seguinte à vitoria, corrigir o que anos se levou a errar. Se assim não for, Portugal será um deserto onde o pó cobrirá as pegadas da nossa história!
Descobri dois partidos que nem se deram ao incómodo de apresentar programa eleitoral aos portugueses. É preciso uma lata enorme. E são até capazes de ter votos…
Lata têm uns quantos! Depois é o que se vê e lê.
Nem mais.
Não quis deixar de vir aqui, aproveitando um pequeno tempo mais folgado.
É verdade que a comunicação social procurou levar esta campanha ao ponto da saturação, tendo como ponto alto as “sondagens diárias”. Um bocadinho como a vidente que não sai de casa sem lançar os búzios, para ver como está o trânsito.
Os directores das TV’s quiseram tomar em suas mãos a dualidade entre PSD/CDS versus PS, alimentando-a até à exaustão, só faltando analisar a influência dos barbeiros na performance de Costa ou Passos. Creio que nunca houve uma campanha tão marcadamente preenchida pelo vazio das agendas dessas duas forças políticas.
Nunca os portugueses estiveram tão afastados das forças políticas.
As “arruadas” são uma farsa de militantes, e não chegam para encher comícios como antigamente. Os comícios passaram a jantares de dimensão mais reduzida. Tudo o que interessa é o abanar das bandeiras nos poucos segundos que a imagem passa na televisão.
Sem a comunicação social, as dinâmicas de outra forças de pequenos partidos são caricatas, e muito reduzidas. O único partido capaz de organizar grandes movimentos de população é o PCP, mas esse nem sequer consegue disfarçar a falta de carisma ao insistir num discurso de cassete.
A haver alguma surpresa é do BE, porque por breves instantes as intestinas lutas entre PSR, UDP, e mais 30 micro-tendências pessoais, uniram-se em torno da boa performance de Catarina Martins.
Essa é a razão pela qual o PS não subiu… simplesmente foi o BE que foi apanhando essa faixa de descontentamento, que não vê com bons olhos uma reedição do PS – vira o disco e toca o mesmo.
É claro que as sondagens não medem isso, porque interessa a dualidade na governação, entre os do costume, que é a mesma coisa do que ser o mesmo em tons diferentes.
Claro que se fosse feita uma inspecção aos poderes que se movimentam atrás da cortina do poder, o escândalo do BPN ou do BES seria uma pequena gota no oceano de interesses socialistas e sociais-democratas, que se consolidaram no compadrio e benesses dos aparelhos partidários.
Convém não esquecer que metade da economia nacional é feita de empresas que vivem à conta do “decreto lei”.
O lema sempre foi “capacitar os escolhidos” e nunca “escolher os capacitados”. E isso só se consegue no poder político, e com uma economia que precisa de uma lei específica para apertar a porca para a direita, completamente diferente da lei que permite apertar a porca para esquerda.
A “iniciativa privada” significa em Portugal:
– “lei que dá a um privado uma iniciativa”.
Qualquer ilusão noutro sentido já foi perdida há muito tempo, e é por isso que se aposta tanto no “investimento externo”, que é exactamente isso – dar a um privado uma iniciativa.
Enfim, no domingo irei votar, mas sendo num círculo eleitoral pequeno, e não sendo num grande partido, o meu voto contará provavelmente zero.
É a fantochada que temos.
Fez muito bem em voltar cá, meu caro. Amanhã volte a aparecer: encontrará aqui uma pequena prenda que lhe é destinada.
Obrigado meu caro, para a semana devo ir ver o sol nascente, mas dessas bandas do mundo não deixarei de olhar a nossa terrinha, mesmo que seja de olhos em bico.
O grande vencedor no próximo domingo, salvo alguma hecatombe, vai ser o António José Seguro!
Esse é um tema sobre o qual tenciono escrever com algum vagar na próxima semana, Fernando.
Domingo é o dia mais trabalhoso da Minha Guerra. Não por ser dia de eleições, apenas por ser Domingo. Ao Domingo costumo exercitar a mente para uma abertura maior à paciência e à tolerância para a irrazoabilidade , a prepotência, a ignorância e a exigência. O próximo Domingo não vai ser seguramente excepção, mas terei que ter cuidados redobrados na neuróbica se quiser ir votar.
É que o equilíbrio adquirido em anos e anos de adestramento já se tornou tudo menos perpendicular à minha permissível rectidão.
O silêncio é de ouro a serenidade de diamante e o voto, este voto em particular, nem sei se tem representação nas escala de Mohs, que não possui elementos com valor abaixo de zero…
Eu estou indeciso. Não sobre a opção de voto, claro, mas sobre o local de voto. Mudei de endereço eleitoral após 18 anos de fidelidade ao mesmo poiso e ainda não faço a menor ideia onde irei exercer o direito/dever cívico.
Onde se vota?
Pode obter esta informação na semana anterior ao acto eleitoral ou referendo, junto da Comissão Recenseadora que funciona na junta de freguesia da sua área de residência. Esta informação pode ser também obtida junto das Câmaras Municipais (CM).
A informação sobre o seu número de eleitor pode ser obtida através da Internet em http://www.recenseamento.mai.gov.pt ou enviando SMS grátis para 3838 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD).
fonte: http://www.portaldoeleitor.pt/Paginas/On desevota.aspx
Obrigado pela informação. Só mesmo amanhã terei tempo para pensar nisso. Mas é um gesto que lhe agradeço desde já.
https://www.recenseamento.mai.gov.pt/
Também lhe agradeço, Isabel. Como costumo dizer, os leitores do DELITO são os melhores do País.
Boa noite, quer participar numa sessão de perguntas? Espero a sua visita para partilhar a sua pergunta. amos-conversar-17445
http://oamargodomorango.blogs.sapo.pt/v
Are you talking to me?
O que me parece mais irónico nisto tudo é ter sido Costa a resgatar o incompetente Seguro da eminente corda ao pescoço. Qual era a pressa para se suicidar camarada, será agora bem perguntado Meia noite em ponto, hora para destroçar.
Questão a analisar para a semana. Seguramente que sim.