Legislativas (20)


Pedro Correia,

 

Cinco perguntas que faço a mim próprio como eleitor

 

1. Lembras-te qual foi o político que em 2005 prometeu pôr Portugal a crescer 3 por cento ao ano, criar 150 mil postos de trabalho e aumentar a convergência entre o nível de vida português e a média europeia?

 

2. É-te indiferente seres governado por alguém que falta reiteradamente à verdade?

 

3. Vives melhor ou pior do que vivias em Setembro de 2009?

 

4. Vives hoje num país mais prestigiado, mais livre e mais soberano do que vivias em Setembro de 2009?

 

5. Em consciência, entendes que o actual chefe do Governo merece continuar como primeiro-ministro de Portugal?

19 comentários em “Legislativas (20)”

  1. Vou dar as minhas respostas às cinco perguntas:
    1 – Lembro-me perfeitamente. Foi alguém que viveu da propaganda falaciosa para mascarar uma realidade que desmentia-o, quase diariamente.
    2 – Não sou indiferente, decididamente. Aliás, repudio a mentira e a falsidade de alguém que não olha a meios para atingir fins que são terríveis para muitos.
    3 – Vivo muito, mas mesmo muito, pior. E pior viverei nos próximos anos por culpa desse alguém.
    4 – Não, este país quase não é para velhos nem para novos.
    5 – Não, nem mais um “pentelho” de segundo!

  2. Eu até perdoo a um governante que após implementar medidas necessárias eu fique temporariamente a viver pior ou que surja algo imprevisto de que ele não tenha culpa. Mas não aceito que o governante me imponha sacrifícios cujos frutos sejam em vão, que deles não resulte esperança num futuro melhor e ainda me minta, me esconda a verdade, destrua o prestígio e comprometa o futuro do País que escolhi viver e ainda seja incapazes de humildemente reconhecer os seus erros e de se corrigir… a alguém assim digo abertamente: Não merece continuar Primeiro-ministro de Portugal.

    1. Eu não apreciei o humor negro do secretário-geral socialista.
      Recordo três promessas do PS nas legislativas de 2009:
      – «Avançar com investimento público modernizador.»
      – «Proceder ao aumento extraordinário do abono de família para as famílias com dois ou mais filhos.»
      – «Novo apoio social às famílias: os beneficiários dos dois primeiros escalões do abono de família que frequentem com aproveitamento o ensino secundário passarão a receber uma bolsa de estudos no valor do dobro do abono.»

  3. 1º o grande timoneiro rosado

    prometeu 150 mil empregos pró pessoal do PS PSD CDU

    e restantes e eles continuam lá

    logo foi bastante apartidário a dar os tachos
    ~menos de 70% dos tachos são do PS

    2º é indiferente é a força do hábito dos últimos 900 anos

    3º vivo na mesma

    4º em 2009 também já não tinha grande prestígio
    acho que desde 1500 para cá tem tido pouco

    em consciência se por acaso ficasse estávamos lixados

    mas se ficar outro com a guerrilha que aí birá

    e com o famoso espírito de união português

    é mais ou menos uma corrida a ver se é a TAP que vai à falência antes do país

    ou se o país deixa de pagar aos funcionários e pensionistas antes do apagão nacionali

    resumindo:b esqueci-me….

  4. 1. E quantos vão ser criados nos proximos 4 anos?? e será que vamos convergir??

    2. Veremos se a alternativa é melhor, ou se ficamos na mesma.

    3. E daqui a 4 anos, será que viverei melhor? Será que haverá alguns (poucos) a viver melhor?

    4. E daqui a 4 anos viverei num país mais prestigiado, mais livre e mais soberano, ou terei 6 meses sem democracia?

    5. E o potencial candidato a chefe do Governo terá competências para o ser??

    http://utopiarealista.blogspot.com/2011/06/o-catedratico.html

    1. Caro Utópico, acha mesmo que os artistas que por aí andam, se preocupam com isso?
      A raiva/ódio que destilam, a sede de ir ao pote falam mais alto.
      Se é verdade que hoje a situação da maioria dos Portugueses estará pior do que há 2 anos, assim como parece que está a dos Dinamarqueses e outros de quem ninguém fala(deve ser a auto-asfixia a funcionar),não tenhamos dúvidas de que, no curto/médio, a situação não deverá mostrar melhorias que se façam sentir nos bolsos daqueles que estão a pagar os desmandos dos últimos 25anos.

  5. Merece, porque não podemos culpabilizar o Homem pela pior crise mundial desde que há memória, que inevitavelmente conduziu Portugal e muitos outros países à quase bancarrota.

    Diga toda a verdade e não só meia.

    Cumps

    1. Dizer toda a verdade é isto: Portugal será o único país da OCDE a manter-se em recessão em 2012. Se a culpa não é do político que apresentou um programa eleitoral fraudulento em 2009, talvez seja do D. Fuas Roupinho. Ou do cavalo do Gary Cooper.

  6. Eu não faço tais questões, basta-me olhar para o passado recente.
    Comecei a trabalhar em 2000, em 2007 emigrei, em 2009 tentei regressar e ofereceram-me um salário inferior ao que recebia em 2006(!), regressei ao estrangeiro em 2010… Portanto, caro Pedro, nem sequer faço perguntas do tipo, pois a escolha é óbvia.

    1. Muitos dos que poderiam votar no domingo já votaram com os pés, André. Esse é um dos fenómenos deste Portugal socrático: temos o segundo maior ciclo migratório dos últimos 90 anos. Cada vez mais portugueses são forçados a procurar fora do País o seu sustento.
      Também isto nos deve servir de matéria de reflexão.

  7. Pedro, começo por responder às perguntas:
    1. Sim, lembro-me;
    2. Não, claro que não sou indiferente;
    3. Vivo ligeiramente pior;
    4. Claro que não;
    5. Caro que não.

    Todavia, estas respostas não servem para decidir o voto no Domingo, senão vejamos…

    1ª pergunta
    Entre 2005 e 2009 o país melhorou. Desde 2009 tem vindo a piorar a olhos vistos e a culpa é repartida entre quem provocou a crise (a ganância de grandes grupos económicos) e quem não soube geri-la e ultrapassá-la da melhor forma (governo). Meter os 7 anos no mesmo saco e olhar para os dois governos Sócrates como iguais é uma manipulação da realidade. O Pedro insiste, há largos meses, em tomar tudo por igual, quando de igual têm muito pouco. No primeiro governo, crescemos economicamente (não chegou aos 3% mas chegou lá perto, como há muito que não crescíamos), criaram-se quase 100 mil postos de trabalho líquidos (repito, líquidos), até surgir a crise internacional, reduzimos a diferença para a UE e reduzimos ainda o fosso entre ricos e pobres.
    O problema começou em finais de 2008 e 2009, com as eleições à porta e o governo a querer agradar aos eleitores, reduzindo o IVA e aumentando os salários da Função Pública, medidas que, entre outras, vieram a mostrar-se prejudiciais e que acabaram por agravar a situação e a adiar a recuperação. O governo, já sem maioria absoluta, perdeu-se no mato e passou a andar à nora. E à nora continua. Se em 2009 ainda tinha algum crédito, em 2001 já não lhe resta nada.

    2ª Pergunta
    A resposta é óbvia, como é óbvio o facto de encontrar um político que fale verdade ser igual a encontrar uma agulha no palheiro. Sim, Sócrates é mentiroso. Começa por se enganar a si próprio, convencendo-se de uma realidade que apenas existe no seu subconsciente, alheando-se do Mundo à sua volta. Mas os outros também não o são? Até Passos Coelho já foi apanhado a mentir. Ou o Pedro só não perdoa algumas mentiras, alguns mentirosos?

    3ª Pergunta
    Os cortes nos subsídios sociais (e no meu caso falo concretamente nos abonos) davam uma preciosa ajuda para as despesas mensais. Claro que vivo pior. Mas olhe que quem provocou a crise internacional vive melhor agora. Porque será? E será que viveremos melhor daqui a 4, 5, 6 ou 7 anos? Com um governo de Passos Coelho, que tudo tem feito para mostrar a sua impreparação? Acredita quem quer.

    4ª Pergunta
    O prestígio foi perdido durante séculos, por reis, presidentes e governos. E duvido que algum dia mude, com o nosso triste fado.

    5ª Pergunta
    Alguns autores desta casa patrocinaram a “onda” do “Já basta”, um movimento contra Sócrates. Muitos dos fundamentos invocados têm toda a razão de ser, mas sucede que, aplicados como princípio, abrangem quase todos os políticos. Eu digo já basta há muito e direi no Domingo outra vez, pois já basta de políticos incompetentes, mentirosos e charlatões. Chamem-se José, Pedro, Paulo, Francisco ou Jerónimo. Se não vejo outro regime em Portugal (e no Mundo) que não a Democracia, não vejo como está poderá um dia ser bem servida com esta gente. Não sou ingénuo e já tive provas mais do que suficientes de que PPC será apenas uma versão um pouco mais liberal de Sócrates.

    Como já escrevi num post do Rui Rocha, o único partido em que poderia eventualmente votar seria o CDS, pela alguma credibilidade que tem tentado implementar e pela consistência nas ideias apresentadas. Já era esta a minha opinião em 2009. Graças a especiais circunstâncias, acabei por votar PS, voto que não se repitirá tão cedo. Não fossem os submarinos, os eucaliptos, a Moderna, as fotocópias de documentos confidenciais na véspera de abandonar o cargo, e ponderaria votar no PP. Nenhum deles merece o meu voto.

    Há quem, ingenuamente na minha opinião, tenha esperanças em PPC. Apesar de ser um optimista e positivista, há muito que percebi que, dali, também não sairá coisa boa. Estaremos melhor daqui a 4 anos do que estamos hoje, com o fim da Seg. Social Pública, da escola pública e do SNS e com a liberalização dos despedimentos? Espero que sim, mas duvido seriamente. O tempo dirá se tenho razão. Eu também digo Já Basta, ja basta desta gente.

    Abraço e bom fds.

    1. Caro Ricardo: obrigado pelo seu contributo para o debate.
      Só duas achegas muito breves:
      1. Como diz, e bem, a resposta às cinco perguntas que formulo a mim próprio não bastam para decidir o voto no domingo. Mas bastam, pelo menos, para decidir em quem não voto. Já é um princípio.
      2. Como respondi a outro leitor, julgo que o período 2005-09 já foi, no essencial, avaliado pelos eleitores nas legislativas de 27 de Setembro de 2009. Agora avaliaremos sobretudo o que se passou de então para cá. O período é curto mas não faltam elementos de avaliação.
      Um abraço.

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