
O Paulo Dentinho é um jornalista da RTP que, entre inúmeras outras tarefas, foi correspondente em Moçambique entre 1997 e 2000, papel no qual se muito se notabilizou. Foi então que nos conhecemos. E, decerto que pelo gosto nas memórias dessa época, de vez em quando tem a paciência de me aturar à mesa, local onde peroramos sobre os bens e os males do mundo.
O Dente é um grande repórter – o que se nota ainda mais num país onde escasseia esse tipo de profissional. E é um gajo porreiro, algo que em alguns segmentos da vida também escasseia. Enfim, há alguns anos um governo dito de “centro direita” – e o qual ele zurzia sistematicamente, algo “gauchiste” que segue – convidou-o para chefiar a informação do canal estatal, coisa inusitada no país que somos. Funções que exerceu durante alguns anos, seguindo com evidente sucesso a sua deontologia de “jornalista não amestrado”. Passados alguns anos um outro governo, dito de “esquerda”, substituiu-o, o que é normal dado não serem eternos os cargos. E por ser conhecido o apreço possidente pelos “amestrados”, funcionários ou avençados. E a RTP emprateleirou-o, o que já não me parece assim tão normal. Ainda que seja, sabe-se, habitual.
Assim vai ele fazendo um belo programa sobre as actualidades do mundo, debatendo-as com um painel de jornalistas estrangeiros – e sem esses “comentadores” de agenda feita, tudólogos que abundam alhures. O programa passa num horário esconso num canal quase incógnito, claro! E entretanto escreveu um belo livro, as suas memórias de 30 anos de reportagens internacionais, nas quais habita uma reflexão sobre o actual estado do jornalismo luso: é o “Sair da Estrada” (aqui botei um postal sobre o livro).
E agora mesmo, até porque é um jovem sexagenário (e, repito, emprateleirado pelas chefias, assim algo disponível para registos coloquiais mais distendidos) deu uma interessante “entrevista de vida” ao programa “Inesquecível” de Júlio Isidro na RTP…. Memória. É uma belo momento, com uma hora de duração, percorrendo a sua longa carreira e com o bónus da produção do programa ter feito uma vasta selecção de imagens de arquivo das suas reportagens. Sons e imagens de outras décadas…
Fica aqui a ligação à entrevista, para quem tiver interesse e tempo.

os outros é que metem o dente e não largam
Imagino o Paulo como futuro autor do DELITO.