
(créditos: José Sena Goulão/LUSA)
No momento em que recebo a triste notícia do seu passamento, limitar-me-ei a deixar aqui aquilo que há alguns anos escrevi a seu respeito a propósito da atribuição do Prémio Nelson Mandela.
Pese embora as divergências, e foram muitas, a começar por Macau, e o modo como muitas vezes olhei para a sua desconcertante acção política, não tenho mais nada a acrescentar, até porque defeitos todos temos, e com maior ou menor esforço procuramos combatê-los e melhorar.
As qualidades na medida certa é que ninguém as tem, mas alguns esforçam-se muito por tê-las nessa medida. E ele foi um deles.
Portugal tem imensa falta de cidadãos de corpo inteiro. Sentirei a sua ausência num mundo cada vez mais materialista e desprovido de valores.
“Entendo, por isso mesmo, que aquilo que deve ser valorizado na atribuição a Jorge Sampaio do Prémio Nelson Mandela 2015 é o que desde sempre o caracterizou e valorizou a sua acção aos olhos de todos: falo do seu empenho na afirmação dos valores da civilização – democracia, direitos humanos, cultura, educação, paz – através de uma cidadania activa. E é isto aquilo que também o aproxima do exemplo e da herança do homenageado que deu nome ao prémio.
A coragem na luta pela afirmação da justiça, a defesa dos direitos políticos, que são também e acima de tudo direitos de cidadania, a entrega pro bono do seu saber e da sua acção aos injustiçados desta vida, a procura da decência na pós-modernidade e na sociedade do risco de que Ülrich Becker falava, o desapego aos valores materiais, tudo isso faz parte das suas marcas. Jorge Sampaio é e sempre foi um institucionalista, como o foram à sua maneira Gunnar Myrdal, John K. Galbraith ou Jean Monnet, no sentido de atribuir valor ao papel desempenhado pelas instituições, por quem as serve nos cargos e nas interacções que por uns e outros podem ser geradas na construção de sociedades equilibradas. Mas sendo-o, ao contrário de muitos outros cuja acção também será meritória, sempre desvalorizou o penacho institucional, a mordomia parola, a pose afectada. Porque nenhum de nós, nenhuma nação, nenhum homem está sozinho neste mundo. E os homens servem as nações e as suas instituições para interagirem, para se entenderem, para afirmação colectiva e bem-estar dos povos, não para deleite egocêntrico ou puro exercício diletante.
O papel de Jorge Sampaio na afirmação universal das regras do jogo democrático, casos da Turquia e de Timor-Leste, bem como a sua intervenção nos debates e problemas que interessam e que afectam as sociedades contemporâneas – HIV-AIDS, combate à corrupção, reformas para combater o flagelo das drogas e do seu tráfico, defesa dos direitos das crianças e dos mais carenciados, luta contra a tuberculose, apoio aos estudantes sírios refugiados para poderem prosseguir os seus estudos –, sempre na procura de soluções inclusivas, foi incontornável, granjeando-lhe prestígio, estima e reconhecimento por parte da comunidade internacional. Como portugueses, só temos que nos sentir honrados com o seu trabalho.” (in Ponto Final, 24/07/2015)

Institucional?!
Ajudou a destruir as convenções do presente sistema político e a Democracia com o seu Golpe de Estado de 2005 destituindo um Governo legítimo sem razão.
Fez ainda uma ajuda “inestimável” à terceira bancarrota Socialista do pais quer pelas afirmações que fez, quer por quem apoiou.
RIP
conheci-o antes de 25.iv quando por influência do papá fascista era advogado das multinacionais gringas
os comunas expulsos da universidade diziam dele cobras e lagartos
distribuiu medalhas
Um tipo que deita abaixo um governo com maioria – Santana Lopes – só porque um ministro o tal Chaves amigo de Santana se demitiu. Sampaio foi um oportunista.
Quantos ministros nos governos seguintes pediram a demissão e os governos permaneceram? Alguns.
O carácter não se vende, é da personalidade.
Nem uma palavrinha para os comentários anteriores estarem contra o tema/texto do post ?
Porquê, então, não entrou a lei da rolha/lápis azul neste caso, com o conselho para isto ‘crie um blog’, como muitas vezes tem acontecido?